Um dia especial para meia centena de crianças das comunidades portuguesa e local

Mini-Ronaldos invadem quartel-general para ver o grande Ronaldo

O primeiro treino de Portugal na Flórida atraiu uma multidão de repórteres e baralhou o sotaque das crianças, unidas pelo culto a CR7

PALM BEACH GARDENS — O primeiro ensaio da Seleção Nacional no relvado do complexo The Gardens terminou há algumas horas, mas o eco das bancadas ainda paira no ar abafado da Flórida. Roberto Martínez abriu as portas do quartel-general e o que se assistiu foi muito mais do que um mero apronto físico ou tático de preparação para a estreia de Portugal com a RD Congo, já na próxima quarta-feira, em Houston (Texas).

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Foi, acima de tudo, um tratado sociológico sobre a força da diáspora e um autêntico banho de carinho e de… comunicação social. O treino começou às 18h45 locais (quase meia-noite em Portugal), já depois de Vitinha ter falado em conferência de imprensa, e perante os olhos atentos da mítica Ticha Penicheiro, espectadora de luxo na bancada, os jogadores foram sendo saudados pelo povo na bancada.

No espaço preparado pela FPF, estavam 250 adeptos, mas também a zona de imprensa transbordou: mais de uma centena de jornalistas de vários quadrantes do mundo, sobretudo latino-americanos, acompanhou cada toque na bola. 

Nas bancadas, a moldura humana era composta por elementos da comunidade portuguesa local de terceira e quarta geração, muitos deles já nascidos e integrados no american way of life: só falam inglês e têm Portugal apenas como uma referência distante. No entanto, o sangue fala mais alto.

As crianças estiveram sempre muito emocionadas, gritando os nomes dos jogadores de Portugal com um vincado sotaque local, mas, no meio deste choque cultural, havia um elemento unificador que eliminava qualquer barreira: o culto ao capitão.

Nas camisolas da Seleção que traziam orgulhosamente vestidas, de todos os tamanhos, havia um nome gravado que se repetia até à exaustão: Cristiano Ronaldo. Dos mais velhos aos miúdos que mal sabem situar Lisboa no mapa, o camisola sete é o herói transversal que faz esta comunidade reclamar as suas origens com o peito cheio. Portugal já trabalha na Flórida e o Mundial sobe de tom a cada dia que passa.

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