Diagnóstico feito: o que falta a Faye para ser 'reforço' no Sporting
O mercado de inverno trouxe ao Sporting um extremo com selo de irreverência e velocidade. Faye, 23 anos, chegou proveniente dos espanhóis do Granada com a promessa de acrescentar profundidade e explosão aos corredores ofensivos. Contudo, nas primeiras semanas de leão ao peito, o internacional senegalês tem vivido um processo de adaptação paciente: três jogos — frente a Nacional, Aves SAD e FC Porto — sempre a sair do banco, num total de 67 minutos.
Os números, ainda curtos, acabam por surpreender, tendo como linha de conta a comparação com Luís Guilherme, o outro reforço na última janela de mercado, que tem marcado uma posição forte na equipa. Fica, então, a questão: afinal o que tem faltado a Faye para ser uma aposta mais regular? Pois bem, a resposta, ao que A BOLA apurou, deve-se, sobretudo, a um período de integração, que no caso do senegalês está um pouco mais atrasado. Mais ainda num plantel que trabalha rotinas consolidadas desde o arranque da temporada. Faye, com características mais verticais e de desequilíbrio individual, precisa, dessa forma, de tempo para assimilar as nuances táticas exigidas por Rui Borges.
O treinador reconhece qualidades evidentes no extremo — capacidade de aceleração, facilidade no um-contra-um e agressividade no ataque ao espaço — mas entende que o senegalês ainda não está totalmente enquadrado com o jogo coletivo pretendido. Do ponto de vista ofensivo, falta-lhe interpretar melhor os momentos de circulação, perceber quando fixar por fora ou procurar zonas interiores e, sobretudo, melhorar o jogo associativo com os companheiros.
A exigência tática do Sporting implica extremos capazes de participar na construção, pressionar alto e fechar linhas em organização defensiva. Um trabalho, muitas vezes invisível, que exige horas de treino e um maior entrosamento. Faye, de resto, tem mostrado disponibilidade, mas ainda não atingiu o patamar necessário para ser opção inicial.
A oportunidade, de resto, até poderia surgir já no próximo encontro, com o Moreirense, sobretudo tendo em conta o castigo de Pedro Gonçalves. Ainda assim, ao que tudo indica, a escolha deverá recair em Luís Guilherme, jogador mais rotinado e adaptado às dinâmicas coletivas.
Faye continua, assim, num processo natural de crescimento. Em Alvalade, Rui Borges acredita que o talento está lá; falta agora lapidá-lo dentro da sua ideia de jogo. Será preciso trabalho e muita paciência para o extremo senegalês ter o entendimento tático e a plena sintonia com a equipa para conquistar a titularidade. Sem pressas, até porque Faye foi contratado, tal como o treinador admitiu, para o presente mas sobretudo para o futuro...