Estiveram em palco três dos quatro Magriços que ainda se encontram entre nós: António Simões, Hilário e José Augusto. Vicente, por motivos pessoais, não pôde estar presente - Foto: ANTF
Estiveram em palco três dos quatro Magriços que ainda se encontram entre nós: António Simões, Hilário e José Augusto. Vicente, por motivos pessoais, não pôde estar presente - Foto: ANTF

Dia de homenagens no fórum da ANTF

Magriços, Rui Borges e Domingos Paciência distinguidos no evento organizado pela Associação Nacional de Treinadores de Futebol

O segundo dia do Fórum da Associação Nacional de Treinadores de Futebol começou a apontar ao futuro. Perante mais de 1100 participantes que passaram pelo Palácio de Congressos do Algarve, em Albufeira, o painel de abertura O Jogador do Futuro: Formação, Performance e Identidade contou com as participações de Luís Araújo, treinador da formação do Benfica, José Luís Mendes, selecionador nacional de futsal, Mara Vieira, treinadora de futebol, e Tomaz Morais, diretor da Academia do Sporting.

«O Sporting tem um projeto muito cimentado na formação, fundado numa ideia clara do nosso presidente acerca do que ele pretende para o futebol e todos nós, na formação, temos uma missão muito definida, que é servir a equipa principal», disse o dirigente leonino.

O segundo painel do dia, O Jogo do Futuro: Modelo, Cultura e Performance, reuniu, no local e à distância, algumas das mais relevantes figuras do treino nacional para uma reflexão aprofundada sobre a evolução do jogo e das suas dinâmicas. Leonardo Jardim, treinador do Flamengo, João Freitas Pinto, treinador de futsal, Francisco Neto, selecionador nacional de futebol feminino, e Óscar Tojo, diretor técnico nacional da FPF, foram os participantes.

Já na parte da tarde, o painel Exportar Competência: O Treinador Português Global, abriu com uma mensagem inequívoca: Portugal não exporta apenas treinadores, exporta conhecimento, identidade e capacidade de adaptação. Participaram Paulo Bento, ex-selecionador nacional; Kitó Ferreira, uma referência de competência e resiliência em contextos internacionais desafiantes; Leonel Pontes, profundo conhecedor da formação e do futebol profissional em várias geografias; Miguel Cardoso, treinador com passagens marcantes pelas principais ligas europeias.

À margem, Paulo Bento falou sobre o atual momento do futebol português, tendo realçado a introdução do VAR na Liga, que, do seu ponto de vista, foi positiva para equilibrar a balança do futebol luso e reerguer o Sporting, que quebrou o domínio dividido entre Benfica e FC Porto.

«Trouxe justiça ao futebol e ajudou, na minha opinião, aquele que estava um bocadinho fora deste grupo. A luta era mais entre Benfica e FC Porto e o VAR trouxe o Sporting para um patamar de igualdade. Tem de ser enaltecido. Outra coisa é que nem pela televisão consigam arbitrar um jogo, mas isso já é outra coisa...», sublinhou o ex-treinador leonino, que esteve em Alvalade entre 2005 e 2009.

Além da introdução da tecnologia, o técnico elegeu ainda como «momento de viragem» a chegada de Ruben Amorim ao emblema verde e branco, bem como a criação de uma estrutura que «estabilizou» os leões.

Antes do encerramento a cargo do presidente da Associação Nacional de Treinadores de Futebol, Henrique Calisto, o último painel do fórum: Treinar no Alto Rendimento, com Carlos Carvalhal, Paulo Fonseca, Luís Conceição e o treinador do Sporting, Rui Borges (ver página 11).

«O mais importante é perceber o jogo. A partir daí, tudo se constrói — o conhecimento do jogador, a compreensão do comportamento humano e a coragem de ser verdadeiro, mesmo quando a verdade custa. Porque no topo, a exigência não permite máscaras», destacou Carlos Carvalhal.

Nota ainda para o Prémio Vítor Oliveira, atribuído a Domingos Paciência (o diretor da Seleção Nacional estava nos EUA), numa distinção que vai além do sucesso desportivo, reconhecendo o compromisso com a classe, o espírito de união e o contributo para o associativismo no futebol.