Rui Borges identifica a grande diferença (e a dificuldade) que encontrou no Sporting
Foi uma das grandes figuras que marcou presença no fórum da ANTF. Rui Borges, treinador dos leões, ao lado de nomes como Paulo Fonseca, Luís Pinto e Carlos Carvalhal, revelou a importância da comunicação entre todos os departamentos de um clube como base do sucesso.
«É muito aquilo que tem sido o nosso trajeto. A relação de quem está comigo. Não só os meus jogadores como todos os departamentos que estão à nossa volta. O bom relacionamento tem de existir para o dia a dia ser alegre. Gosto muito de ouvir os meus jogadores, já disse, não fugindo daquilo que é o meu conhecimento, a minha ideia, gosto de os ouvir, perceber, entender… Digo sempre que eles é que fazem de mim treinador. Daí focar-me muito nessa relação humana. Aquilo que é o conhecimento individual deles. Passamos muito tempo dentro da Academia, do nosso ambiente de trabalho, onde lidamos com muita gente e há que perceber que ninguém está acima de ninguém. Estamos todos em prol de um objetivo. Esse foi muito o meu trajeto. A relação humana é de facto importante para mim», sublinhou o técnico, de 44 anos, que falou da sua experiência na chegada ao Sporting e da questão física que teve de lidar face à densidade de jogos.
«É diferente. Chegar ao Sporting e ter jogos de três em três dias, quando jogávamos sempre de semana a semana e queríamos treinar mas não temos tempo para isso e tenho de me preocupar muito com a parte da recuperação física mas muitas vezes é mental. É recuperar fisicamente, mentalmente, deixá-los leves e preparados para o jogo e ir para o treino a preparar sem grandes esforços. Alimentação, descanso, passa muito por aí. O que conseguimos controlar, controlamos ao máximo. Damos essas ferramentas. É senti-los e ver como estão muitas vezes para perceber se estão preparados para todas as exigências e eles próprios dizem se são capazes. Acredito neles como eles acreditam em mim. Exemplo jogo do Bodo. Foi um desgaste enorme, em termos físicos, mas o mais difícil foi o mental. Virar 3-0, chegas ao alto, e agora ter de respirar novamente para pensar no Alverca. A exigência é do 8 para 80. E a folga é para os libertar um pouco e nos raros dias de trabalho é tentar voltar a ligar a equipa porque há um jogo que temos de ganhar, Isso é mais importante do que não parar, treinar logo a seguir para depois encontrar uma equipa completamente exausta», referiu, voltando a abordar a falta de tempo para trabalhar.
«Quando comecei… procurava trabalhar todos os momentos do jogo, porque achava que a equipa mais equilibrada estava mais perto de ter sucesso. Acredito muito nisso mas depois batemos com o não ter tempo para treinar. Cheguei ao Sporting cheio de vontade, a querer trabalhar e treinar uma equipa, e depois não posso treinar. E tenho de ganhar! Sou obcecado pelo treino, na repetição para sermos melhores. Acredito que tudo chega através do treino e se não treinamos vamos perdendo hábitos. Numa fase inicial foi uma dificuldade enorme. As lesões, ter de me adaptar num sistema que não era muito o meu…», finalizou.
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