Dez bastaram: João Félix decide e Jesus estreia-se a vencer no Al Nassr
O futebol saudita abriu a nova temporada com um clássico de luxo. Al Nassr e Al Ittihad, duas das forças maiores do país, encontraram-se numa meia-final da Supertaça que, mais do que um jogo, foi um teste de identidade.
De um lado, Jorge Jesus, no regresso ao campeonato onde já sabe o caminho dos títulos, depois de duas passagens pelo Al Hilal; do outro, o campeão em título, orientado por Laurent Blanc, que viu a sua equipa ter de lidar com um Al Nassr reduzido a dez desde cedo, mas que nunca deixou de ser competitivo.
No fim, o triunfo por 2-1 premiou a coragem, a inteligência e a mão do treinador português, bem como a inspiração de João Félix, que se estreou a marcar ao lado de Cristiano Ronaldo.
Uma estreia marcada pela ousadia
O Al Nassr apresentou-se com um onze que já mostrava a intenção de Jorge Jesus. Um futebol de risco, ofensivo, a pedir protagonismo. Bento foi o guarda-redes escolhido, atrás de uma defesa com Simakan e Iñigo Martínez no eixo. No meio, Brozovic assumia a batuta, ladeado por Khaibari. Na frente, um quarteto de luxo. Ronaldo, João Félix, Mané e Kingsley Coman. O recado era claro: Jesus não vinha para gerir, vinha para atacar o campeão.
Do outro lado, o Al Ittihad juntava peso, experiência e físico. Benzema e Bergwijn formavam a dupla de ataque, suportados por Fabinho, Kanté e Aouar no meio-campo. Era uma equipa desenhada para controlar, para mandar no ritmo, e que tinha nos alas a velocidade de Diaby como trunfo. Na defesa, o português Danilo Pereira era o patrão.
O arranque confirmou a expectativa. Um jogo aberto, campo partido e ocasiões para ambos os lados. Bento quase ofereceu um golo a Benzema logo aos 4 minutos, mas a resposta foi letal. Aos 10’, Brozovic descobriu Mané, que com execução perfeita fez o 1-0.
Do sonho ao pesadelo: a expulsão de Mané
A vantagem parecia lançar o Al Nassr para uma noite tranquila, mas a história do jogo mudou em apenas 15 minutos. O empate de Bergwijn, aos 16’, devolveu equilíbrio ao marcador, e pouco depois Mané passou de herói a vilão. Um pisão imprudente sobre o guarda-redes adversário valeu-lhe vermelho direto e deixou a equipa de Jesus reduzida a dez.
A partir daí, esperava-se a avalanche do campeão. O Al Ittihad subiu no terreno, teve bola e parecia ter a oportunidade ideal para impor a sua lei, Mas encontrou resistência, pois o que parecia ser fragilidade tornou-se, afinal, força.
Jorge Jesus a mexer no tabuleiro
É aqui que se explica o triunfo. Jorge Jesus não se limitou a fechar linhas. Reorganizou o bloco em 4-4-1, pediu sacrifício a Ronaldo, João Félix e Coman, que recuavam constantemente para tapar corredores. A defesa, com Simakan em destaque, mostrou-se compacta, e Brozovic tornou-se peça essencial na transição.
A tática era clara, atrair o Al Ittihad, recuperar e lançar rápido nas costas. Ronaldo, mesmo sem marcar, foi peça nuclear, ao arrastar defesas e dar profundidade. João Félix, por sua vez, ganhou protagonismo a cada minuto: driblava, pedia bola, sofria faltas e desequilibrava.
Félix decide e foi peça fundamental
Foi inevitável que fosse ele a assinar o momento da noite. Aos 60 minutos, Ronaldo rompeu em diagonal, atraiu a defesa e serviu Félix, que com classe fez o 2-1.
CR7 assiste João Félix para o 2-1 do Al-Nassr 🇵🇹#sporttvportugal #FUTEBOLnaSPORTTV #SupertaçaSaudita #AlNassr #AlItthihad pic.twitter.com/ldDohOfYxu
— sport tv (@sporttvportugal) August 19, 2025
Mas Félix não se ficou por aí. Teve outro golo anulado, por pisão de Cristiano Ronaldo a um adversário, acertou no poste e foi, de longe, o jogador mais influente do Al Nassr na segunda parte. Nas suas arrancadas havia sempre perigo, na sua ousadia sempre centelha. Foi ele a dar ar à equipa reduzida a dez, foi ele quem manteve o adversário em alerta permanente.
Do lado do Al Ittihad, esperava-se mais. Benzema tentou assumir, recuando várias vezes para iniciar jogadas, mas faltou clarividência. Kanté correu quilómetros, Fabinho lutou, mas Aouar foi sombra. Diaby e Bergwijn ainda ameaçaram, mas esbarraram na boa organização defensiva do adversário.
Mesmo com mais um em campo durante uma hora, o campeão saudita não soube transformar domínio territorial em ocasiões claras. O mérito foi do plano tático de Jesus, que obrigou o rival a circular sem profundidade, sem espaço para criar o perigo que se esperava.
Jorge Jesus começou assim com vitória sobre o campeão e mostrou que, mesmo em inferioridade numérica, soube resistir. Foi uma vitória de banco, mas também de talento, porque no relvado, João Félix assinou uma grande exibição.