De um extremo ao outro: a seca de golos dos alas portistas
A capacidade do FC Porto para fazer campo largo e lançar os extremos em velocidade é ideia que habita na cabeça de Francesco Farioli e é parte importante da sua filosofia de jogo. Os adversários leram há muito o xadrez portista: os movimentos interiores dos dragões assentam na ligação entre os centrais — normalmente Bednarek — e os médios mais potentes, Froholdt e Gabri Veiga.
Quando essa saída de bola é bloqueada, normalmente por ajustamentos táticos do opositor, há a necessidade de diversificar, e o italiano tem soluções variadas para incendiar as alas. Problema: os extremos não têm correspondido com golos ou assistências e o perigo que criam é inconsequente ou facilmente controlado pelas defesas adversárias, falhando o impacto decisivo nos momentos de rutura.
Paradoxalmente, essa debilidade ficou evidente na entrada muito forte e determinada do FC Porto frente ao Casa Pia, quando no primeiro quarto de hora os dragões cercaram a área do conjunto de Álvaro Pacheco e os extremos ganharam liberdade e espaço para surgir no coração da área.
Borja Sainz apareceu onde devia, mas falhou na hora H, algo que tem sido recorrente no espanhol, ultimamente mais perdulário. No duelo com o Casa Pia, fez três remates, um enquadrado, dois bloqueados, zero golos — e caiu duas vezes na armadilha do fora de jogo, para felicidade dos gansos. É uma seca que se arrasta, em claro contraste com os arranques avassaladores do trio mais utilizado – Borja Sainz, Pepê e William Gomes —, que entraram na época com golos e exibições de luxo. Na crista da onda, como se costuma dizer. Os números recentes não mentem: Borja Sainz apontou dois golos nos últimos 14 jogos. William Gomes: um golo nos últimos nove. Pepê: apenas um nos últimos 26 desafios do FC Porto.
Francesco Farioli exige mais fogo nos corredores, e o Dragão clama por alas letais nesta fase decisiva da campanha, com o Sporting a ameaçar seriamente os planos de consagração dos portistas na Liga. Poderá Oskar Pietuszewski, a mais recente aquisição para as alas, ganhar mais protagonismo no clássico? Com William Gomes castigado, após ter sido expulso com cartão vermelho direto em Rio Maior por uma entrada dura sobre o central e compatriota David Sousa, o polaco surge como terceira via para pressionar os laterais leoninos e dar fôlego aos flancos.
Farioli já mostrou que dorme com um olho aberto. Se Borja Sainz e Pepê continuarem ‘adormecidos’ até ao clássico, o italiano não hesitará em lançar os reforços, como, aliás, o tem feito. Estatutos, com ele, não garantem lugar nem a titularidade. Aos dragões, resta aos extremos acordarem a tempo de fazer das alas a arma letal para voltar a deixar o Sporting a sete pontos de distância.