Manuel Machado no duelo em Alvalade que os vitorianos venceram por 3-2 - Foto: A BOLA
Manuel Machado no duelo em Alvalade que os vitorianos venceram por 3-2 - Foto: A BOLA

Manuel Machado recua 16 anos a Alvalade para recordar aquilo que foi uma primeira parte «tipicamente portuguesa»

O experiente treinador lembra uma remontada construída graças à revolta provocada por dois golos que não deveriam ter valido. Aponta «a consistência defensiva e o ataque rápido» como ingredientes ideais

Em semana de Sporting-Vitória de Guimarães, A BOLA esteve à conversa com o último treinador vitoriano a vencer em Alvalade. Aconteceu a 8 de novembro de 2010, em embate da jornada 10 do  campeonato 2010/11.

Manuel Machado lembra os golos dos leões — que, com a tecnologia que já existe no futebol, hoje teriam sido considerados irregulares — e a revolta que ajudou a virar o encontro de 0-2 para 3-2: «Esse jogo teve uma primeira parte tipicamente portuguesa, em que o Sporting consegue dois golos: um em nítido fora de jogo — mas não daqueles de um corpo... foi de cinco metros — e faz o 1-0. O segundo golo é na sequência de um pontapé de canto em que, como justificou o árbitro a posteriori, confundiu a luva do guarda-redes [Nilson] com a bola. A bola não entrou.»

Porém, «as circunstâncias hoje são outras», salienta o técnico, lembrando ainda que tais lances provocaram um «espírito de revolta na equipa que levou a que um resultado de 0-2 passasse a 3-2» a favor dos vitorianos.

«Havia da nossa parte um grande estado de revolta. Foi com esse espírito que se entrou no segundo tempo, com um sentido de justiça por aquilo que nos tinham feito no primeiro tempo», sublinha.

 «Os jogadores foram para o campo e deram tudo e mais alguma coisa», evoca. Aos 75’, o jogo ainda estava 2-0 (Hélder Postiga e Vukcevic tinham marcado para os verdes e brancos), mas Tiago Targino, saído do banco e no primeiro jogo após lesão, bisou na partida (aos 77’ e 78’) e Bruno Teles consumou depois a reviravolta, a dois minutos dos 90’.

No duelo desta sexta-feira (marcado para as 20h15), o contexto é outro. Frente a frente, estarão duas equipas com necessidade de reagir positivamente aos desaires da primeira jornada: «Ambas arrancaram mal o campeonato: o Vitória perdeu em casa frente ao Arouca [0-1]; o Sporting, depois de ter alcançado uma vantagem de dois golos, acabou por empatar com o Estrela da Amadora [2-2] e deixou fugir dois pontos. Por isso, quer uma quer outra tiveram um mau início de campeonato, o que leva à necessidade absoluta de que se corrija isso e se consiga um triunfo.» 

Manuel Machado considera que «o Sporting tem tudo a seu favor»: «Tem outro estatuto, tem outros objetivos e tem, fundamentalmente, o fator casa. Por isso, a tarefa é enorme e de grande dificuldade para o Vitória.»

Questionado de que forma os conquistadores poderão fazer mossa aos leões, o treinador de 70 anos dá duas pistas: «Muita consistência defensiva e eficácia no ataque rápido, porque em termos de ataque organizado e em posse, julgo que terão muita dificuldade. O Sporting deverá ter, no final do jogo, uma percentagem bem mais elevada de posse, o que, por sua vez, traduz futebol organizado e não de ataque rápido.»

Esperança em Margarido

Sobre a nova Direção (liderada por Rui Rodrigues) ter escolhido de Tiago Margarido para assumir o leme vimaranense, o experiente treinador começou por reconhecer o «trabalho equilibrado feito no Nacional», em que «o grande mérito foi conseguir quebrar um ciclo de sobe e desce do clube, mantendo a equipa dois anos na Liga, depois de algumas temporadas a flutuar entre a primeira e a segunda divisões».

Insulares e minhotos são, precisamente, dois emblemas que ligam o percurso de ambos os timoneiros. 

Quanto à nova (e sempre muito exigente) aventura de Tiago Margarido no Vitória de Guimarães, Manuel Machado espera que «consiga agora um upgrade para ele» em termos de resultados, recordando a luta «mesmo até ao fim» para manter os madeirenses na Liga nos últimos dois anos. 

Agora, esperam-se no Castelo resultados tão bons para o jovem técnico que se possam «traduzir também em resultados mais favoráveis do que aqueles que a equipa vitoriana conseguiu na última época». Manuel Machado não esquece o «nono lugar, um dos piores do clube».

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