Dakar «seguro» em Portugal: «O que aconteceu em 2007 não se repetirá»
Vinte anos após a última partida de Portugal, o Rali Dakar vai voltar a arrancar em território nacional em 2027. Na apresentação oficial da 49.ª edição da mítica prova de todo-o-terreno, realizada na sede do Automóvel Clube de Portugal (ACP), em Lisboa, o líder da instituição, Carlos Barbosa, garantiu que todos os aspetos de segurança estão assegurados.
«Connosco não haverá problema nenhum, será tudo evitado. Haverá parques de estacionamento e forças policiais em todo o percurso para que não haja qualquer espécie de problema», assegurou Carlos Barbosa, afastando receios relativos a incidentes do passado, nomeadamente na Comporta, em 2007: «É uma pergunta desnecessária, porque nas organizações do ACP a primeira questão que temos é a segurança e, portanto, o que se passou em 2007 na Comporta, que, infelizmente, correu mal - porque passar naquela zona era lindíssimo, apesar dos troncos no chão - não se repetirá. É evidente que não haverá problema nenhum.»
A cerimónia reuniu cerca de meia centena de convidados, entre os quais David Castera, diretor do Dakar, Armando Marques, presidente da Federação de Motociclismo de Portugal (FMP), e Ni Amorim, presidente da Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting (FPAK).
Os detalhes do percurso e a mudança de cenário
O evento está agendado para decorrer entre 9 e 23 de janeiro de 2027 - com as datas ainda dependentes do aval do Conselho Mundial do Desporto Automóvel da FIA -, ligando Loulé-Faro a Marraquexe. O Estádio Algarve funcionará como centro nevrálgico das verificações técnicas e administrativas durante três dias e será o palco da partida.
A ação cronometrada em solo luso contempla um prólogo de 10 quilómetros a 9 de janeiro e a primeira etapa (com 100 quilómetros) no dia seguinte. Segue-se a travessia marítima rumo a Nador, em Marrocos, país que acolherá as restantes 11 etapas e a jornada de descanso, em Agadir. No total, a caravana enfrentará 7824 quilómetros, dos quais 4341 serão disputados ao cronómetro.
Carlos Barbosa explicou o processo que culminou no regresso da competição: «Quando os houthis começaram a meter bombas na Arábia Saudita, perguntámos se queriam partir de Portugal e pediram-nos fazer uma etapa de 100 quilómetros e um prólogo de 10 quilómetros, a partir também do Algarve. A partir do momento em que eles tiveram confiança, até porque já trabalham connosco em rally-raid há muito, nós preparámo-nos para o fazer.»
David Castera expressou igualmente o seu entusiasmo pela solução encontrada: «A opção inicial não foi possível, fazer o rali na Arábia Saudita, o que voltará a acontecer em 2028. Agora, estamos muito felizes e vamos fazer o máximo que pudermos para o público português.» O responsável sublinhou ainda a elevada adesão dos pilotos: «Temos efetivamente a certeza de que tudo será bem feito e as inscrições estão muito avançadas, em motos já tinham encerrado há muito, desde o mês de julho, altura em que já haviam 140 motociclistas inscritos, o máximo que podemos acolher no Dakar.»
A prova arrancou de Lisboa em 2007 e no ano seguinte o arranque também estava previsto da capital rumo a Dakar, mas foi cancelado à última hora devido a questões de segurança em África. Razões que levaram a organização a transferir o rali para a América do Sul e desde 2020 para a Arábia Saudita. Sete anos volvidos, regressa a Portugal antes de seguir para África, onde se desenrolará exclusivamente em Marrocos.