Wilguens Paugain, lateral-direito de 24 anos, tem seis internacionalizações pelo Haiti
Wilguens Paugain, lateral-direito de 24 anos, tem seis internacionalizações pelo Haiti - Foto: IMAGO

Da pobreza extrema ao Mundial: foi adotado, entregou pizzas e fintou a sorte

A história de Wilguens Paugain dava um filme: resiliência e superação são os principais ingredientes da vida do lateral que quer colocar o Haiti no mapa sem ser pelos piores motivos

Há histórias de vida difíceis e a de Wilguens Paugain é uma delas. O lateral-direito de 24 anos, que integra os convocados do Haiti para o Mundial 2026, não teve um passado fácil, mas superou cada pedra encontrada no caminho para sonhar num dos principais palcos do futebol.

Longe vão os tempos em que era uma criança entregue à sua sorte em Thomazeau, no Haiti, num contexto de pobreza extrema, antes de ser adotado, aos cinco anos, por uma família francesa, mudando-se para Épinal. O gosto pelo desporto até teve início no ténis, mas cedo começou o sonho pelo futebol e aos 12 anos foi recrutado pelo Nancy-Lorraine. Mas o sonho terminaria em pesadelo: aos 18 anos, uma lesão grave suspendeu-lhe a carreira, afastando-o do desejado contrato profissional.

Oito meses foi quanto durou o calvário do defesa, que regressou a Épinal e teve de procurar solução fora das quatro linhas. Não se vergou e foi como entregador de pizzas que se manteve no ativo. Não se rendeu a essa ocupação e a resiliência devolveu-o ao desporto rei. Depois de esquecido na liga regional, ganhou fôlego em 2022, assinando o primeiro contrato profissional no Chipre. Passou por balneários espalhados por Letónia e Áustria, antes de, em fevereiro de 2025, ter como destino a Bélgica, onde ajudou o Zulte Waregem a subir de divisão.

Chamado à seleção do Haiti em março de 2025, integra os eleitos para o Campeonato do Mundo com ganas de dar tudo no corredor direito: rápido e dotado tecnicamente, é daqueles laterais que sprinta primeiro e pensa depois, mas por norma acerta. E são essas as armas para honrar o Haiti... e exigir respeito.

«Esta é uma oportunidade para o mundo deixar de negligenciar o Haiti. Quando as pessoas falam do país, é sobre desastres naturais, instabilidade política e gangues, raramente sobre algo positivo. Espero que o Mundial traga o respeito de volta à nossa equipa e ao nosso país», declarou.

Este artigo partiu do perfil de Wilguens Paugain que A BOLA publicou no âmbito da Guardian Experts’ Network, uma rede de troca de conteúdos liderada pelo conceituado jornal inglês, e que inclui meios de comunicação social de vários países representados no torneio.

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