'Spurs' ainda não venceram com Igor Tudor e estão em zona muito perigosa, apenas com mais quatro pontos que a primeira equipa abaixo da linha de água. #DAZNPremier

Da final da Champions ao risco da queda ao Championship: o pesadelo do Tottenham

'Spurs' lutam para não descer ao segundo escalão. Muitos treinadores passaram pelo banco - Mourinho e Nuno Espírito Santo são exemplos -, mas os problemas persistem. Conquista da Liga Europa fazia parecer que as coisas iam mudar, mas não...

Quatro derrotas seguidas. 10 jogos sem vencer. É este o registo do Tottenham na Premier League. Embora tenha passado diretamente aos oitavos de final da UEFA Champions League, a nível interno, o emblema londrino, que já viu Igor Tudor chegar para o lugar de Thomas Frank, está a lutar pela manutenção, com o risco de uma queda a assombrar os adeptos.   

Há muito que o Tottenham não celebra a conquista de um título de campeão inglês. 1950/51 e 1960/61 foram as duas últimas (e únicas) vezes em que os spurs se sagraram campeões. Contudo, a época passada, apesar da desilusão no campeonato, trouxe motivos para sorrir: a conquista da Liga Europa frente ao Manchester United, na altura em Ruben Amorim, encerrando uma seca de títulos europeus de 40 anos.  

Embora arredado dos títulos, o Tottenham habituou os seus adeptos a ficar no top-8 ou top-5 da Premier League, algo que aconteceu com José Mourinho (2019/20) e Mauricio Pochettino em várias ocasiões. 

Em 2016/17, os spurs fecharam o campeonato com 86 pontos, no segundo posto, a sete do campeão Chelsea. Em 2019, comandados por Pochettino, o Tottenham chegou à final da UEFA Champions League, batendo o Ajax num jogo de loucos em Amesterdão, na segunda mão das meias-finais. Na final, os londrinos perderam para o Liverpool de Klopp.  

Mauricio Pochettino deixou o Tottenham em novembro de 2019

Fim da era de Pochettino e chegada de Mourinho 

A era de Mauricio Pochettino chegou ao fim em 2019 e o escolhido para levar o clube a bom porto foi nada mais nada menos do que José Mourinho.  

José Mourinho treinou o Tottenham entre 2019 e 2021 (IMAGO / PA Images)

«Tenho de lhe dar os parabéns a Pochettino pelo trabalho que fez e tenho de partilhar convosco o que já partilhámos entre nós. Este clube será sempre a casa dele, este campo de treinos será sempre o campo de treinos dele. Pode vir quando quiser, quando tiver saudades dos jogadores, das pessoas com quem trabalhou. Não posso pensar que posso chegar e mudar as coisas em dois ou quatro dias. Não tenho grande experiência de agarrar equipas a meio da época, é apenas a segunda vez», foram as palavras do Special One

A passagem do português pelo Tottenham não durou sequer dois anos. Mourinho saiu sem títulos, mas podia ter sido diferente. O luso foi despedido pelos responsáveis dos spurs a menos de uma semana da final da Taça da Liga inglesa contra o Manchester City.  

«Não preciso de descanso nem de carregar baterias», limitou-se a dizer o técnico português no momento da despedida. 

Seguiu-se Nuno Espírito Santo 

Depois de se destacar no Wolverhampton, Nuno Espírito Santo mereceu a confiança do Tottenham e assumiu o comando técnico do clube no verão de 2021. A aventura foi curta e durou apenas quatro meses e 17 jogos.

Desde aí, já passaram pelo banco nomes como Antonio Conte, Ange Postecoglou e, mais recentemente, Thomas Frank. Os treinadores e jogadores vão passando, mas nem por isso os problemas se resolvem, pelo contrário. Os adeptos já organizaram vários protestos contra a direção e a forma como o clube tem sido gerido.  

Saída de Daniel Levy 

Em setembro, Daniel Levy deixou a presidência do clube após 25 anos. As mudanças no arranque da época passada indiciavam que o Tottenham poderia estar perto de engrenar. Chegou Thomas Frank para o comando técnico, depois de, na época anterior, Ange Postecoglou ter levado os londrinos à conquista da Liga Europa, e Vinai Venkatesham para diretor executivo.    

Ainda assim, o destino de Thomas Frank foi o mesmo de outros treinadores que passaram pelo Tottenham. O desfecho foi inevitável para o antigo treinador do Brentford, cujo registo de oito meses no Tottenham se resumiu a um balanço desolador: em 26 jogos para o campeonato, somou apenas sete vitórias e averbou 11 derrotas.  

Solução interina e o fantasma da descida 

Sem conseguir arranjar uma solução definitiva, o Tottenham apostou em Igor Tudor para levar João Palhinha e companhia até ao fim da época. O arranque não tem sido fácil e os spurs ainda não venceram com o novo treinador, estando cada vez mais afundados na tabela. Wolverhampton e Burnley pareceu condenados à queda ao Championship, mas sobra um lugar, que nesta fase é ocupado pelo West Ham de Nuno Espírito Santo.  

Contudo, uma eventual recuperação de West Ham e Nottingham Forest, de Vítor Pereira, não augura nada de bom para os spurs, que estão logo a seguir, com 29 pontos em 28 jornadas, a apenas quatro pontos da zona de descida. Os londrinos não descem ao segundo escalão desde a temporada de 1977/78. 

Não bastasse, a situação desportiva reflete-se diretamente nas finanças, com vários contratos de patrocínio em risco. Segundo o The Telegraph, pelo menos uma das parcerias do clube acaba no final da presente época, existindo dúvidas sobre a sua renovação e em que termos. Além disso, muitos dos acordos existentes incluem bónus lucrativos associados à qualificação europeia e cláusulas que permitem a renegociação ou mesmo a rescisão em caso de despromoção. 

Investimento elevado e Pochettino no ar 

Não foi por falta de investimento que o Tottenham está a ter uma época dececionante. Os spurs investiram mais de 200 milhões de euros, com destaque para a chegada de nomes como Xavi Simons ou Mathys Tel. Xavi Simons, que brilhou no Leipzig, não tem mostrado a sua melhor versão. Dois golos e cinco assistências são os números do internacional neerlandês pelos londrinos.  

Com Igor Tudor no comando até ao fim da época, e com muitas dúvidas no ar, o nome de Pochettino – treinador que mais sucesso teve em Londres –, é sempre falado. O argentino é atualmente selecionador dos Estados Unidos. 

«Desde a minha saída em 2019, sempre que fiquei livre e o cargo de treinador do Tottenham estava vago, o meu nome aparecia na lista. Se repararam nessas especulações, acho que havia uns 100 treinadores nessa lista», disse, em junho de 2025. Também o nome de Ruben Amorim foi apontado ao Tottenham, embora pela boca de Sol Campbell, antigo internacional inglês. 

A próxima época é uma incógnita e muito (ou tudo) dependerá do escalão em que o Tottenham jogará. Na reta final da época, os spurs não podem desligar (ainda mais) a ficha. A queda ao Championship poderá mesmo ser uma realidade. 

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