Presidente do Belenenses não se demite, mas quer convocar eleições
Patrick Morais de Carvalho, presidente do Belenenses, quebrou o silêncio, em declarações à Belém TV, depois de falhado o objetivo da subida à Liga 2. Os azuis do Restelo caíram no play-off pelo segundo ano seguido: Paços de Ferreira (2024/25) e Farense (2025/26).
«Assumo integralmente a responsabilidade por não termos conseguido a subida de divisão. Não divido essa responsabilidade com ninguém e não procuro desculpas. Agradeço aos sócios e adeptos que andaram por todo o lado a acompanhar a nossa equipa. Mereciam a alegria da subida. Tínhamos um objetivo claro: sermos campeões da Liga 3 e subirmos à Liga 2. Quando não se atinge o objetivo definido tem de haver consequência. A consequência é ouvir os sócios», referiu, revelando a intenção de marcar eleições para a data mais próxima possível.
«Falei com o presidente da Assembleia Geral e pedi-lhe que, respeitando os estatutos, procure convocar eleições para a data mais próxima possível. Não se trata de um pedido de demissão. Não seria positivo, o Belenenses não vive um período de instabilidade. Trata-se de reconhecer que os sócios devem ter oportunidade de se pronunciar», afirmou o dirigente, não confirmando se será candidato.
«Ao dia de hoje não estão reunidas as condições para tomar ou anunciar uma decisão. O estado de espírito não é o melhor, a desilusão foi muito grande. Há uma sensação de se ter trabalhado muito esta época e não termos conseguido os frutos que queríamos. Tenho conseguido levantar-me rápido nos momentos difíceis, sempre dei provas de ser um lutador no Belenenses. Desta vez está mais difícil. Falhámos um objetivo que era muito importante. Tenho o direito de ser ou não candidato», atirou, abrindo a porta a parceiros na estrutura acionista.
«Esta não subida de divisão marca o fim de um ciclo no Belenenses no futebol profissional e na estruturação acionista da nossa sociedade desportiva que foi criada em 2023/24. Fizemos um caminho épico entre a última distrital e a Liga 2. Optámos por uma votação quase unânime pelo modelo de SDUQ. Fizemos o que tínhamos de fazer naquele momento. O clube não estava preparado. Nestes três anos o modelo SDUQ era o que interessava, mas temos de reconhecer que o futebol tem vindo a mudar. O Belenenses tem de se preparar para uma nova etapa da sua história. Quer na Liga 3 ou na Liga 2, as receitas ordinárias de uma sociedade desportiva estão longe para conseguir competir com o mínimo de capacidade», começou por explicar, deixando uma garantia.
«Chegou o momento de entrarmos numa nova fase da nossa história. A próxima direção deve ter uma solução que permita a transformação da SDUQ numa SAD, integralmente controlada pelo clube, mas procurando um parceiro credível e estratégico, que aceite uma participação minoritária na nossa sociedade que nunca possa ser transformada numa posição maioritária com aumentos de capital. Um acionista, não para retirar poder ao Belenenses, mas para lhe dar uma capacidade de competir», completou.