Konaté com a camisola do Liverpool
Konaté com a camisola do Liverpool

Konaté confessa depressão após mortes de Diogo Jota e do pai: «Fiquei devastado»

Defesa-central francês, que vai trocar o Liverpool pelo Real Madrid, abriu o livro e admitiu temporada dura a nível pessoal

Numa entrevista emotiva à rádio France Inter, Ibrahima Konaté falou abertamente sobre a sua saúde mental e a depressão que enfrentou durante a difícil temporada de 2025/26, marcada pelas mortes do seu pai e do seu amigo e colega de equipa no Liverpool, Diogo Jota.

O internacional francês, que está em final de contrato com o Liverpool e se prepara para rumar ao Real Madrid, espera virar uma página dolorosa da sua vida. Antes de iniciar um novo capítulo na sua carreira, Konaté irá disputar o Campeonato do Mundo de 2026 pela seleção francesa.

A época 2025/26 foi particularmente dura para o jogador, que teve de lidar com dois lutos devastadores. O primeiro foi a morte do avançado português Diogo Jota, num trágico acidente de viação a 3 de julho. «Mesmo hoje é difícil de acreditar», confessou o defesa de 27 anos. «Para ser honesto, o cacifo dele ainda está no balneário [do Liverpool]. Todos os dias, no treino, ele acompanha-nos sempre. Foi brutal», disse. Konaté recordou ter recebido a notícia em Los Angeles.

A perda do amigo, de quem era muito próximo e vizinho, teve um impacto profundo no jogador. «Fiquei devastado, perdi o interesse em tudo», admitiu o atleta formado no Sochaux, descrevendo Jota como uma pessoa excecional: «A fama não lhe interessava. Francamente, era um tipo excecional. Podia falar com toda a gente, do mais novo ao mais velho, era incrível tê-lo na equipa. Eu também era vizinho dele, por isso partilhava mais momentos com ele.»

O início de época de Konaté no clube inglês foi afetado por este drama pessoal. A situação agravou-se no início de 2026 com a morte do seu pai, que já se encontrava hospitalizado há várias semanas. «Nunca falei sobre isto, mas é verdade que, durante o início da época, o meu pai esteve no hospital durante várias semanas. E, na minha situação, eu não sabia o que fazer», revelou, explicando o dilema entre regressar a casa ou continuar a jogar pela equipa.

Konaté confessou ter guardado tudo para si, um erro que agora desaconselha. «É um conselho que dou a todas as pessoas que me ouvirem: quando se sentem mal ou algo está a acontecer, falem com quem vos rodeia. Pode ajudar e fazer-vos bem. Eu não falei e guardei para mim». Apesar de a família ter sido avisada de que o seu pai não teria muito tempo de vida, a morte foi um choque: «Nunca estamos preparados e não sabíamos que ia acontecer tão rapidamente.»

O regresso à competição foi difícil, com o jogador a admitir sentir-se «um pouco ausente» ou «lá sem estar lá». Contudo, motivado pelo que o seu pai desejaria, Konaté procurou ajuda profissional para lidar com a depressão, o que o ajudou a superar os lutos consecutivos.

O defesa francês fez questão de desmistificar o tema da depressão no futebol. «Há altos e baixos, há depressão. E penso que a depressão é algo muito mais profundo e uma doença que as pessoas vivem no dia a dia. Também se pode ter uma depressão no futebol, não se deve ter vergonha de o dizer», afirmou, criticando a ideia de que os jogadores não podem sofrer por ganharem muito dinheiro: «Isso são tretas e não se deve dizer isso. A depressão é algo íntimo. Quando se tem uma depressão, começa no coração, sobe até ao cérebro e toma conta de todo o corpo. Para mim, é isso que é difícil e é preciso falar sobre o assunto.»

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