Rúben Amorim frustrado frente à Atalanta. Foto: Miguel Nunes/ASF

Crise ou oportunidade para Rúben Amorim?

Sporting com saldo negativo nos últimos dez clássicos e dérbis frente aos eternos rivais; leões com resultados aquém contra equipas de valia superior ou semelhante

O Sporting entra em campo na próxima segunda-feira, frente ao FC Porto, com (nova) possibilidade de se isolar na liderança da Liga Portugal Betclic. Depois da conquista do campeonato em 2020/2021, Rúben Amorim ousou brindar os adeptos leoninos com confiança em detrimento da dúvida: que o Sporting pode ser campeão — «E se corre bem?», e correu mesmo —, e que se pode bater de frente com todos os adversários. Bem… quase todos.

O saldo dos leões frente aos rivais diretos tem sido como um tendão de Aquiles desde que Amorim pisou o relvado de Alvalade pela primeira vez. É certo que os desempenhos permitem sonhar, com o Sporting a ter chegado, na era Amorim, aos oitavos de final da Liga dos Campeões pela segunda vez na sua história (desde que a prova tem a denominação de Champions League), e sendo atualmente o líder da Liga e com fortes possibilidades de levantar o troféu no final da época. No entanto, o cenário frente a Benfica e (principalmente) FC Porto é algo de dantesco.

Jogadores do Sporting celebram o título de campeões nacionais. Foto: ASF/SERGIO MIGUEL SANTOS

O adepto quer mais, sempre mais. Primeiro lugar no campeonato, qualificação para a liga milionária, tudo isso é (talvez o mais) importante. Mas é a vitória sobre os rivais diretos que eleva o quotidiano do adepto; que permite brincar com o colega quando se chega de manhã ao trabalho, ou chatear o companheiro que se senta na mesa ao lado na aula de português (se tiverem professor). Não raras vezes, é o pretexto para meter conversa com aquela pessoa… Enfim, qualquer adepto quer ganhar todos os jogos, e ainda mais os grandes, e qualquer sportinguista vos dirá: «Rapaziada, quer se possa ou se não possa/A vitória será nossa, viva ao Sporting».

Mas...

Dez jogos, zero vitórias

Rúben Amorim conforta Ugarte após derrota contra o FC Porto, para o campeonato, em fevereiro. Foto: RUI RAIMUNDO/ASF

Com zero vitórias nos últimos dez jogos contra os rivais diretos, Rúben Amorim tem demonstrado muitas dificuldades em contrariar o poderio de Benfica e FC Porto. São sete derrotas e três empates nas últimas dez partidas: duas derrotas e dois empates contra as águias, cinco derrotas e um empate contra os dragões. No mesmo período, Sporting marcou nove golos, e sofreu vinte. Dados que são desanimadores para os leões, mas Rúben Amorim sabe, com certeza, que estatísticas não chutam bolas.

Ainda assim, podem chutar crises; ou adensá-las. Se nos prestarmos a um olhar mais aprofundado, constatamos que as estatísticas não querem nada com o treinador do Sporting. Nos onze jogos em que Rúben Amorim enfrentou Sérgio Conceição nas equipas que representam atualmente, o treinador do FC Porto levou a melhor por seis vezes, tendo perdido apenas em uma ocasião (nas meias-finais da Taça da Liga em 2020/2021) e empatado nas restantes quatro partidas. Não obstante, antes de assinar pelo Sporting, Amorim enfrentou o clube da Invicta em duas ocasiões, ao comando do SC Braga, e derrotou Sérgio Conceição nos dois jogos. O que nos leva a questionar: porque é que tem tantas dificuldades em o fazer ao leme do Sporting? Será um problema tático, psicológico, ou uma questão de sorte e azar?

João Neves festeja com António Silva golo marcado ao Sporting. Foto: D.R.

Já frente ao Benfica, o registo é um pouco melhor. São três vitórias (uma delas valeu a Taça da Liga em 2021/2022), quatro derrotas e um empate nos nove jogos em que enfrentou o clube onde passou grande parte da carreira como jogador, com a última derrota ainda muito presente na mente dos sportinguistas, numa partida em que o Benfica virou o resultado com dois golos nos descontos.

Primeiro lugar amargo

Na liderança do campeonato com 31 pontos (os mesmos que FC Porto) e qualificados para os play-offs da Liga Europa, não se pode afirmar que a época esteja a correr mal para os leões. Há, todavia, um dado desapontante: Sporting ainda não venceu qualquer jogo esta época contra equipas de valia semelhante.

Matheus Pereira e Nuno Santos no jogo frente ao Vitória. Foto: ANDRE ALVES/GRAFISLAB

Na Liga Europa, a Atalanta — principal adversário no grupo do Sporting — venceu o jogo em Alvalade e empatou em Bérgamo, tendo assegurado o primeiro lugar. Já no campeonato, a equipa de Rúben Amorim empatou contra o SC Braga na quarta jornada, foi derrotada pelo Benfica na 11.ª jornada e, mais recentemente, perdeu inesperadamente contra o Vitória de Guimarães, que se senta neste momento no quinto lugar da Liga. No total, são seis golos marcados e nove sofridos nos cinco encontros.

Rúben Amorim terá a oportunidade, esta segunda-feira, de contrariar a tendência e dar, pela primeira vez esta época, uma alegria aos adeptos em jogos grandes.