Mundial
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CR7 e mais 10!
Começou o Mundial de Futebol e, com ele, o passatempo favorito de boa parte dos portugueses: culpar Cristiano Ronaldo (CR7) por todo e qualquer insucesso da Seleção Nacional.
Eu também acho que CR7 é responsável e culpado, sim. Mas é por andar com a nossa Seleção às costas há 23 anos; por termos sido campeões europeus em 2016; vices no Euro 2004 (a sua primeira participação em grande competições internacionais); 4.º classificado no Mundial 2006; e vencedores da Liga das Nações em 2019 e 2025. Ou acham que sem CR7 tudo isto tinha vindo parar a Portugal?!...
Não, meus amigos, não tinha. Ronaldo, aos 41 anos, não é, evidentemente, o Ronaldo de há 10 anos, quando fomos campeões europeus. Mas continua a ser imprescindível na nossa equipa. É a minha opinião, como adepto de futebol e treinador de bancada, como cada um de nós.
Como refere, e bem, José Mourinho, o mais bem-sucedido treinador português de todos os tempos, a presença de Ronaldo em campo impõe muito respeito aos adversários. Sem ele, a equipa fica quase banal. Em geral, não tem menos de 2 ou 3 adversários à sua volta, abrindo espaços que os outros nossos fantásticos jogadores — os tais que só não jogam melhor, segundo variadíssimos doutorados em futebol que temos, por causa... da presença de CR7 na equipa — possam demonstrar toda a sua arte!
Mas... viram essa arte contra a RD Congo? Eu, confesso que, tirando uma ou outra exceção (João Neves, por exemplo), a nossa exibição foi muito pobre, tendo CR7 estado ao (baixo) nível a que a Seleção jogou — mas também, como poderia ser diferente se ele foi pouquíssimas vezes servido em condições? (Teve duas meias-oportunidades na segunda parte, não concretizadas, é certo, mas foi isso).
Isto para além da forma como a equipa foi construída e o timing das substituições (colocar Gonçalo Ramos a menos de 10 minutos do fim para, enfim, jogarmos com 2 pontas de lança, brada aos Céus!) — ou seja, Roberto Martínez, que já tinha conseguido desaproveitar muito o potencial da Bélgica enquanto foi selecionador daquele país, parece querer fazer o mesmo com Portugal.
Por isso, deixem-se da maledicência, da mesquinhez e da inveja, que são, infelizmente, tão características por aqui — e não se culpe quem não é culpado!
Temos em Portugal um dos jogadores mais bem-sucedidos da história do futebol mundial; que se tornou muito maior do que o país que orgulhosamente representa; que subiu a pulso na vida, fruto do seu talento, dedicação e profissionalismo; que nos deu o que nunca pensámos alcançar em termos de sucesso no futebol; que é um cartão de visita extraordinário em qualquer canto do mundo, um exemplo para todos em termos de atitude, trabalho, valores, dentro e fora do relvado; e que, ao longo da sua carreira, sempre respondeu às críticas e às adversidades da única forma que sabe: com golos e títulos — e uma boa parte de nós, portugueses, só o sabe criticar e culpar?!...
Pelo amor de Deus! Não gostamos de quem tem sucesso?!... Em qualquer outro país do mundo nem haveria discussão: seria CR7 e mais 10. Mesmo aos 41 anos, continua a ser muitíssimo útil — desde que, sempre que possível, a equipa aproveite, da melhor forma, a sua presença em campo! É isto que penso — e por isso aqui o deixo escrito.