Iúri Leitão (Caja Rural) venceu a 2.ª etapa do GP Anicolor 2026 (foto GP Anicolor)

Costa Nova foi uma pista para Iúri Leitão

O corredor da Caja Rural, campeão olímpico de madison, impôs-se ao sprint na segunda etapa do Grande Prémio Anicolor, que terminou na conhecida praia de Ílhavo. Tiago Antunes mantém a camisola amarela presa por poucos segundos para a etapa-rainha final

A planura da segunda metade do percurso fazia prever que a vitória na segunda etapa da 10.ª edição do Grande Prémio Anicolor, este sábado, fosse disputada ao sprint por um pelotão compacto. E depois de algumas tentativas pouco consistentes de contrariar o destino, quando se esgotaram os 170 quilómetros desde Oiã e a Costa Nova, os velocistas impuseram a potência muscular na longa marginal à Ria de Aveiro, onde o mais rápido foi a estrela, Iúri Leitão. O campeão olímpico de madison apontou ao triunfo nesta etapa - que o próprio antecipou, na partida, como mesmo a seu «jeito» - e não falhou. Quando arrancou nos últimos 300 metros, perfeitamente lançado por um companheiro da Caja Rural, Iúri não foi mais alcançado até à meta, batendo quem também se previa ser o principal adversário nesta jornada para corredores velozes, o venezuelano Leangel Liñarez, segundo na etapa.

«O sprint foi caótico. Toda a gente tinha muita força, porque o dia foi bastante tranquilo, com muito vento de costas. A estrada relativamente boa e larga, sem muitas curvas e rotundas, fez com que a aproximação à meta fosse relativamente segura, mas também bastante louca dentro do pelotão, porque toda a gente teve força para estar à frente. No entanto, a minha equipa esteve excelente. Um colega deixou-me a 500 metros, depois o meu lançador arrancou no timing certo, marquei a roda do Leangel [Liñarez], que achava que seria o adversário mais forte, e medi o sprint no timing correto, creio, para passar no momento certo, e o resultado está à vista», declarou o vianense, de 27 anos, que conquistou a segunda vitória na temporada, depois do êxito na Clássica Loire Atlântico, França, em finais de março. 

Camisola amarela 'economiza' para a etapa-rainha

Mais tranquilo durante toda a etapa esteve o camisola amarela, Tiago Antunes, cuja equipa, Efapel, controlou a corrida, protegendo o líder, que vai enfrentar o exigente último dia de prova com não mais de dez segundos de vantagem sobre mais de uma vintena de rivais, dispostos a arrebatar-lhe do trono.

«Sabíamos que, em princípio, seria uma etapa com chegada ao sprint. Houve várias equipas a controlar a corrida devido às diversas metas volantes e pontos quentes e trouxeram basicamente a corrida até ao final, em que assumimos um pouco o ritmo, mas também não havia fuga, portanto foi tranquilo até à chegada», começou por afirmar o corredor do Bombarral, de 29 anos, otimista sobre a defesa da amarela na etapa-rainha final. «Será um dia bastante duro, um dia decisivo. Penso que a equipa está numa boa condição física e esperamos conseguir manter a camisola».

A primeira hora e meia correu-se em pelotão compacto, a velocidade alta para o relevo irregular, com algumas tentativas de fuga sem sucesso, de que a mais duradoura (pouco mais…) foi a boavisteiro David Dominguez, sempre controlada pelo grande grupo liderado pela equipa do camisola amarela, Tiago Antunes, a Efapel. 

Teve de se esperar pelo km 75, a passagem por Lourosa, para se assistir, enfim, a uma iniciativa mais forte e profícua, porque mais numerosa. Sete ciclistas saltaram do pelotão: Rafael Sousa (Boavista), Guilherme Mesquita e Abner Gonzalez (Feirense), José Moreira (GSU), Joshua Lebo (Meridian), Carlos Gutierrez (Nu Colombia) e Hugo Nunes (Credibom), os dois últimos, os mais bem classificados, a apenas dez segundos da liderança de Antunes. 

Apesar da ténue ameaça com tanto por percorrer na etapa, a formação Efapel não intensificou a perseguição e foi rendida na tarefa pelas congéneres com velocistas, mais interessadas numa chegada ao sprint. Desde logo a Tavfer-Mortágua de Leangel Liñarez e a Caja Rural de Iúri Leitão meteram-se ao trabalho, mas nem sequer tiveram de se esforçar muito mais tempo. Face à presença do duo de elementos indesejáveis (Nunes e Gutierrez), a fuga perdia solidariedade e com isso fulgor, acabando por ser anulada a 60 quilómetros da chegada, deixando a frente da corrida novamente ao pelotão. Perante o regresso à primeira forma, a Efapel voltou tranquilamente a assumir o comando da etapa a partir de Estarreja (km 127), onde se iniciou a última hora de pedalada, cumprida a eleva ritmo imprimido por formações como a espanhola Euskatel e a Tavfer.

A terceira e decisiva etapa promete animação desde a partida em Mortágua, constante sobe e desce pela região da Bairrada (170 km), com passagem pela Serra do Caramulo e final em Águeda. Seis contagens de montanha no cardápio (duas de 1.ª categoria e duas de 2.ª, estas últimas nos derradeiros 45 km).  

Classificação da 2.ª etapa

1.º Iúri Leitão (Caja Rural) 4:00.00 horas

2.º Lean Liñarez (Tavfer) m.t.

3. César Martingil (Tavfer) m.t.

4.º Alexander Konyshev (China Anta) m.t.

5.ª Xavier Berasategi (Euskatel) m.t.

6.º Carlos Salgueiro (Tavira) m.t.

7.º André Carvalho (Aviludo) m.t.

8.º Ruben Sanchez (Óbidos) m.t.

9.º Diogo Narciso (Credibom) m.t.

10.º Sergi Darder (Caja Rural) m.t.

Classificação geral

1.º Tiago Antunes (Efapel) 8:37.40 horas

2.º Xavier Berasategi (Euskatel) +4 s

3.º Joan Bou (Caja Rural) +5 s

4.º Gotzon Martín (Euskatel) m.t.

5. Diogo Gonçalves (Efapel) +6 s

6.ª Gonçalo Carvalho (Tavfer) +7s

7.º Hugo Nunes (Credibom) m.t.

8.º Alexis Guerin (Anicolor) +10 s

9.ª Jonathan Lastra (Euskatel) m.t.

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