Tiago Antunes disparou para a vitória na 1.ª etapa do GP Anicolor
Tiago Antunes venceu a primeira etapa da 10.ª edição do Grande Prémio Anicolor, confirmando o excelente momento de forma na temporada. O ciclista da Efapel impôs-se ao sprint, num grupo restrito, no topo de uma ligeira subida que desembocava na meta em Oliveira do Bairro, após um percurso exigente e ondulante de 178 quilómetros, com partida em Porto de Mós.
Aos 29 anos, o trepador natural do Bombarral – vencedor da Volta ao Alentejo e segundo classificado no recente Grande Prémio O Jogo – voltou a mostrar a sua capacidade, deixando sem resposta os adversários de um grupo de 25 unidades que se destacou a cerca de 40 quilómetros da chegada.
A seleção fez-se na subida de São Mamede, cuja inclinação fragmentou definitivamente o pelotão. Até então, o grupo principal ainda perseguia os fugitivos – Juan Barboza (China Anta-Mentech), Diogo Pinto (Credibom-LA Alumínios), Juan Alba (TNC), Daniel Dias (Tavfer-Mortágua), Carlos Salgueiro (Aviludo-Louletano) e Danier Dias (Tavira) – que haviam perdido pelo caminho Stian Landsberg (Óbidos), incapaz de acompanhar o ritmo. A partir daí, a estrada tratou de separar os mais fortes, deixando na frente apenas os candidatos mais consistentes à camisola amarela.
O terreno não deu tréguas. Depois da última contagem de montanha, em Sernelha, a cerca de 30 quilómetros da meta, Javier Jamaica lançou-se para a frente, num movimento decidido que rapidamente lhe valeu mais de meio minuto de vantagem. O colombiano da NU Colombia obrigou as equipas rivais a reagir, num esforço de perseguição mais complexo do que o perfil descendente da fase final poderia sugerir – afinal, tratava-se de um trepador leve, capaz de sustentar o esforço.
Anicolor, Efapel e Euskaltel-Euskadi assumiram a responsabilidade, organizando a resposta no grupo perseguidor. Ainda assim, a resistência de Jamaica prolongou a incerteza até muito perto do fim: só a cerca de 400 metros da meta foi alcançado, já exausto, mas sem nunca abdicar. Corria também por um motivo maior – a memória do compatriota e colega Cristian Muñoz, recentemente falecido.
«Se não se tentar, nunca se saberá se poderemos vencer. Foi o que fiz: ataquei e fui a fundo, no limite das minhas forças. Queremos muito ganhar para dedicar ao Cristian. Hoje não foi possível, mas teremos mais duas oportunidades», explicou o ciclista de Bogotá, quinto classificado nos Nacionais de fundo da Colômbia, apenas atrás de nomes como Egan Bernal, Iván Ramiro Sosa e Santiago Buitrago.
Quando o grupo principal finalmente neutralizou a fuga, já nas imediações da meta, abriu-se o espaço para o gesto decisivo. Tiago Antunes arrancou com precisão, no início da subida final, e ninguém conseguiu acompanhar a sua aceleração. Leve e incisivo (1,71 m/60 kg), cruzou a meta em Oliveira do Bairro isolado, somando a segunda vitória da temporada. Depois de um início atribulado na Volta ao Algarve, o líder da Efapel atravessa agora uma fase de afirmação clara.
«Estou muito satisfeito por ter vencido. A minha equipa posicionou-me perfeitamente e eu correspondi com a aceleração final. Vamos defender a liderança da prova, sabendo que não será fácil, com a última etapa tão dura e em que tudo pode acontecer», afirmou, revisitando também os momentos-chave da jornada.
«O início foi bastante rápido. A equipa Euskaltel não quis dar muito tempo à fuga e o ritmo foi alto. Depois, na montanha (2.ª categoria), o pelotão partiu-se e fez-se a seleção definitiva. Ainda houve corrida quando o ciclista colombiano se isolou, mas sabíamos que, com o vento forte que se fazia sentir, teria poucas hipóteses de fazer a fuga vingar até à meta. Quando o apanhámos, já antes desta última subida, ataquei e vi que tinha aberto alguns metros, suficientes para vencer», contou.
No final, houve ainda tempo para partilhar o triunfo com quem o acompanha sempre: «Estão sempre comigo, nas vitórias e nas derrotas. São um enorme incentivo e uma inspiração».
Tiago Antunes parte assim de camisola amarela para a segunda etapa, no sábado – uma ligação mais suave entre Oiã (Anicolor) e a Costa Nova, ao longo de 170 quilómetros, que deverá favorecer os velocistas e, em princípio, não provocar alterações significativas na classificação geral.
Classificação da etapa
1.º Tiago Antunes (Efapel) 4:37.50 horas
2.º Xavier Berasategi (Euskatel) m.t.
3. Diogo Gonçalves (Efapel) m.t.
4.º Alexis Guerin (Anicolor) m.t.
5.ª Juan Bou (Caja Rural) m.t.
6.º Pedro Silva (Boavista) m.t.
7.º Sergio Henao (NU Colombia) m.t.
8.º Jorge Gálvez (Aviludo) m.t.
9.º Gonçalo Carvalho (Tavfer m.t.
10.º Hugo Nunes (Credibom) m.t.
Classificação geral
1.º Tiago Antunes (Efapel) 4:37.50 horas
2.º Xavier Berasategi (Euskatel) +4 s
3. Diogo Gonçalves (Efapel) +6 s
4.º Gotzon Martín (Euskatel +8 s
5.ª Gonçalo Carvalho (Tavfer) +9s
6.º Alexis Guerin (Anicolor) +10 s
7.ª Juan Bou (Caja Rural) m.t
8.º Pedro Silva (Boavista) m.t.
9.º Sergio Henao (NU Colombia) m.t.
10.º Jorge Gálvez (Aviludo) m.t.
A BOLA viajou a convite de GP Anicolor