Obrador - SL Benfica
Obrador - SL Benfica

Conversa com Mourinho, saída do Benfica e apoio de Prestianni: Obrador abre o livro

Lateral espanhol fez uma retrospetiva de seis meses no «lindíssimo» Estádio da Luz, destacou profissionalismo dos encarnados e admitiu um arrependimento. Alvo do Sporting merece rasgados elogios

Rafael Obrador detalhou seis meses de pouca utilização no Benfica no podcast El After de Post United. O lateral esquerdo reforçou as águias no verão de 2025, após uma época feliz no Deportivo (33 jogos e uma assistência).

Obrador esperava regressar à Corunha, mas as águias trocaram-lhe as voltas: «No verão o Depor queria prolongar o empréstimo, mas só tinha mais um ano de contrato com o Real Madrid. Inicialmente queria voltar ao Depor, mas de repente tive ofertas em dois dias seguidos e uma delas era do Benfica

O passado espanhol no corredor esquerdo defensivo facilitou a decisão: «Os últimos laterais de topo que tinham saído do clube tinham sido o Grimaldo, espanhol formado no Barcelona, e Carreras, espanhol formado no Real Madrid. Chamou-me à atenção, podia ser uma oportunidade para crescer. Quando me falam do Benfica, não pensei mais.» Obrador rejeitou ainda que tenha sido incluído no negócio que levou Carreras para Madrid: «Disseram-me que não fazia parte, acho que não.»

O internacional sub-21 espanhol não escondeu o choque associado à mudança para um clube com o estatuto das águias por cinco milhões de euros. «Eu sabia o quão grande era o Benfica, mas uma vez lá dentro é inevitável surpreenderes-te. Para começar o estádio é incrível, enorme, lindíssimo. As instalações do Benfica são do nível do Real Madrid, os campos, os balneários, o ginásio, tudo incrível», admitiu.

Obrador também não poupou elogios aos adeptos «incríveis» cujo apoio se estendia a qualquer estádio. «Jogar fora de casa era como jogar em casa. Se ias a um estádio com capacidade para 5.000 espectadores, 4.000 eram do Benfica

A timidez inicial e a conversa com Mourinho

Os elogios de Obrador estenderam-se ao balneário, que o acolheu prontamente. O nervosismo, ainda assim, pontuou o processo de adaptação: «Passei de jogar na segunda divisão para um clube de Champions. Chego muito nervoso ao balneário e o meu lugar era ao lado do Otamendi. Sem me conhecer, no primeiro dia ele disse logo 'tiramos uma foto?' Receberam-me muito bem.»

Obrador elogiou o capitão «tranquilo», «atento» e «brincalhão» e admitiu o «arrependimento grande» de não lhe ter pedido uma camisola. Otamendi, Richard Ríos e Prestianni facilitaram a adaptação a Portugal.

O lateral esquerdo frisou que o extremo argentino de 20 anos «foi um apoio importante», numa altura em que «não estava a ter minutos» e «entendia português, mas não sabia falar muito bem». «O Gian apoiou-me sempre, ajudavam-se nos treinos. Como amigo é top. O que aconteceu depois [alegados insultos racistas a Vinicius Jr.], já vi de fora», explicou.

O tempo de jogo de Obrador no Benfica foi diminuto ao longo da primeira metade da época. O lateral esquerdo até somou 67 minutos na receção ao Tondela, a 23 de agosto de 2025, ainda com Bruno Lage como treinador, mas não voltou a jogar pela equipa principal das águias.

O defesa espanhol nunca somou qualquer minuto com José Mourinho ao leme. A ausência de tempo de jogo precipitou uma conversa franca entre os dois: «Uma vez pediu para falar comigo. Disse-me que confiava em mim, mas que o Dahl estava a fazer uma época muito boa e que era preciso entender que para ele era complicado tirar um jogador que estava a jogar tão bem.» Obrador frisou que o técnico luso é «muito próximo» do balneário.

A falta de minutos, ainda assim, precipitou a saída no inverno. A solução beneficiou todas as partes: «Não tinha oportunidades. Quando chega janeiro falámos com o clube, dou a minha opinião e para eles também não interessava que eu estivesse parado. Decidimos que a melhor opção era sair emprestado para ganhar ritmo e experiência noutro lado.»

Rafael Obrador foi emprestado ao Torino até ao final da época com uma cláusula de opção de compra de 9 milhões de euros. O lateral esquerdo soma uma assistência em nove jogos disputados pela turma italiana.

Obrador explicou a mudança para um campeonato mais «físico», com uma «mentalidade mais à antiga» mas «mais competitiva» quando comparado a Portugal. «Senti que podia crescer muito num campeonato tão competitivo. Estou contente, estou a ter oportunidades e sinto que vai ser muito positivo para mim», admitiu.

Os elogios a Yeremay

Rafael Obrador elegeu Yeremay como o melhor colega de equipa que já teve. A qualidade do extremo do Deportivo, amor antigo do Sporting, impressionou o lateral esquerdo quando os dois coexistiram na Corunha, em 2024/25: «É uma pessoa incrível, um grande desequilibrador e é muito do Depor. Teve opções para sair para clubes de outro campeonato e preferiu ficar várias vezes.»

«O Depor tem algo que faz-te sentir conectado. Pelo menos a mim aconteceu-me e ao Yeremay também. Se o Chelsea te liga, estás a jogar na segunda divisão e ficas... Demonstrou um sentimento brutal», frisou.