Vinícius Jr. e Prestianni, avançados de Real Madrid e Benfica — Foto: IMAGO
Vinícius Jr. e Prestianni, avançados de Real Madrid e Benfica — Foto: IMAGO

«Caso Prestianni? É importante apoiar quem comete estes atos»

Joaquim Evangelista, presidente do Sindicato dos Jogadores, aborda polémica entre jogador do Benfica e Vinícius Júnior. «Às vezes, as pessoas recuperam-se», explica

Joaquim Evangelista marcou na apresentação conjunta do Sindicato dos Jogadores (SJ) e da Liga Portugal da iniciativa Projeto Golo – Futebol pela Comunidade, esta quinta-feira, no Auditório João Lucas, em Odivelas, onde acabou por comentar o caso de alegado racismo entre Prestianni e Vinícius Júnior, no encontro entre Benfica e Real Madrid, a 17 de fevereiro.

Joaquim Evangelista, presidente do Sindicato de Jogadores Profissionais de Futebol. Foto Miguel Nunes
Joaquim Evangelista, presidente do Sindicato de Jogadores Profissionais de Futebol. Foto Miguel Nunes

O dirigente começou por explicar por que defende os dois jogadores neste caso. «Tive o cuidado, atendendo que estavam em causa dois jogadores, de olhar para aquilo que eram as evidências e respeitar o Vini, nas manifestações pessoais de golo e da sua liberdade de expressão, que é legítima e aceito, mas ao mesmo tempo também respeitava a presunção de inocência do Prestianni. E a verdade é que ainda estamos à espera das conclusões.»

Não deixando de salientar que deve existir «tolerância zero» para casos de racismo, «seja para jogador, árbitro, treinador ou dirigente», Joaquim Evangelista também explicou a posição que tem para com os jogadores que possam cometer atos repreensíveis.

«Isso não significa que eu, enquanto presidente do Sindicato, não esteja a estar ao lado dos jogadores e apoiá-los naquele momento em concreto. Todos merecem ter ajuda e já tivemos vários casos em que nós criticámos o fenómeno, mas tivemos de apoiar o jogador naquela circunstância concreta. E é importante apoiar as pessoas que cometem estes atos. Às vezes recuperam-se. É possível recuperar pessoas que têm episódios desta natureza.»

Revelando que não falou com Prestianni sobre o caso, Joaquim Evangelista também não acredita que medidas punitivas para jogadores que tapem a boca para se dirigirem a adversários possa erradicar os problemas existentes.

«Não sei se isso resolve. Eu acho que há automatismos no futebol que nós não podemos…  se não, às duas por três, são robôs, se os obrigarmos a fazerem determinados gestos. O futebol é uma expressão artística. Portanto, tentar obrigar os jogadores a determinados gestos eu acho que é difícil, mas se isso for útil, não me custa a aceitar», concluiu.