Pavlidis já ultrapassou o número de golos que marcou na temporada transata na Liga

Com salada grega assim nem o frango causa indigestão (as notas do Benfica)

Pavlidis brilhou na primeira parte e impediu que o erro de Trubin na segunda tivesse consequências maiores
Melhor em campo: Pavlidis (7)
Um golo, uma assistência, uma primeira parte de luxo do grego, um dos que conseguiram adaptar-se melhor ao relvado pesado, onde mudar de direção requeria um pequeno bailado para não se escorregar — o que torna a brilhante jogada que deu origem ao segundo golo ainda mais impressionante. Pavlidis conseguiu deixar Pedro Ferreira para trás, ganhar a linha e cruzar no momento certo para Prestianni (mesmo que tenha sido Paulo Victor a metê-la lá dentro...). Antes, já tinha inaugurado o marcador na pequena área, finalizando no sítio certo cruzamento perfeito de Tomás Araújo, e depois (43') esteve perto do segundo golo, mas o centro de Schjelderup foi menos perfeito. Depois, na segunda parte, desapareceu, mas o principal trabalho estava feito: a salada grega evitou que o frango de Trubin causasse indigestão.
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Trubin (3) — Primeira parte tranquila, sem remates à sua baliza, mas revelando atenção em centro venenoso de Klismahn aos 11' e, logo a seguir, a sair da baliza para evitar que a bola chegasse a Vinícius. Na segunda parte... borrou a pintura. No primeiro remate do Santa Clara à baliza — de Gonçalo Paciência, de cabeça, após canto —, Trubin abordou mal o lance, contou que a bola saltasse mais do que saltou, foi para agarrá-la... e ela passou-lhe por entre as pernas. Aos 54' não facilitou, encaixando remate de longe de Lucas Soares, mas aquele tremendo frango podia ter custado bem caro, e sobretudo deixou o Benfica no arame toda a segunda parte, quando de outra forma até podia ter pensado num descanso ativo.

Tomás Araújo (7) — Voltou à lateral direita, onde tanto jogou com Bruno Lage mas onde ainda não tinha sido utilizado por José Mourinho. E em boa hora o fez. Entrou atrevido, envolvendo-se bem no ataque, com combinações com Prestianni, e arrancou o cruzamento perfeito para Pavlidis inaugurar o marcador. Depois, mesmo com queixas no joelho direito, ainda lançou Rafa para uma das melhores oportunidades da primeira parte. Seguro a defender.

António Silva (5) — Foi quem mais caiu em cima de Gonçalo Paciência e ganhou e perdeu lances, mas contestou-os o suficiente para reduzir a influência do ponta de lança do Santa Clara — até no lance do golo: saltou com Paciência, impediu que o cabeceamento saísse com força, mas não contava que Trubin falhasse uma recolha que parecia fácil.

Otamendi (6) — Mais solto que o parceiro do lado, mas também teve alguns choques com Gonçalo Paciência, levando quase sempre a melhor. Limpou muitos lances e várias vezes surgiu no caminho da bola, travando remates do Santa Clara antes que eles chegassem à baliza.

Dahl (6) — O Benfica procurou mais a direita a atacar e por isso o sueco não se viu muito no ataque, mas quando apareceu fê-lo com critério e qualidade. A defender, não deu hipóteses.

Leandro Barreiro (6) — Algo trapalhão — deixou escapar duas boas situações na área, na reta final do encontro, uma por mau domínio de bola, outra com remate disparatado —, mas emprestou tremenda dinâmica à equipa, conseguindo ganhar metros no ataque e fazer todas as compensações necessárias a defender.

Enzo Barrenechea (5) — De regresso ao onze, pouco ou nada mostrou para fazer esquecer Aursnes. Sim, esteve seguro a defender, sem grandes erros — mas Klismahn, no seu raio de ação, foi o açoriano mais perigoso. Sim, esteve certinho a atacar — mas cada passe a mais de 15 metros era uma aventura.

Prestianni (7) — Foi o principal desequilibrador do início do jogo, muito ativo pelo corredor direito, e acabou por estar na jogada que abriu o marcador — tentou primeiro centro antes da bola chegar a Tomás Araújo. Esteve também no segundo — foi Paulo Victor quem marcou na própria baliza, mas foi a diagonal do argentino, da direita para o meio, para tentar finalizar a jogada de Pavlidis, que arrastou o lateral do Santa Clara para a zona perigosa.

Rafa (6) — Não foi decisivo (bom remate aos 25', mas Gabriel Batista defendeu), mas foi muito importante, sobretudo na segunda parte, pela forma como conseguiu receber rodeado de adversários e ganhar faltas ou soltar-se para desequilibrar. E não foi decisivo, na verdade, porque Schjelderup e Leandro Barreiro, aos 52' e 53', desperdiçaram na área passes cantados do 27.

Schjelderup (5) — Se Pavlidis foi quem melhor se adaptou ao relvado, o norueguês foi quem mais dificuldades sentiu, escorregando várias vezes. Pouco influente, mas trabalhou muito na defesa.

Sidny Lopes Cabral (6) — Entrou aos 68' e dois minutos depois já tinha arrancado um belo centro para Tomás Araújo, que Romão impediu que chegasse ao destino, e um remate ameaçador ao primeiro poste. Jogou de olhos na baliza e esteve perto do 3-1 na compensação.

Sudakov (5) — Lançado aos 79' para o lugar de Rafa, teve boa ocasião de livre direto mas escorregou e acertou na barreira. Acabou na direita do meio-campo, para ajudar a segurar Romão.

Manu Silva (—) — Entrou para a compensação, para ajudar a segurar a vantagem. Não teve tempo para muito, mas contribuiu com falta inteligente sobre Djé Tavares para parar contra-ataque.