Famalicenses dominaram a maior parte do desafio, mas não conseguiram chegar ao triunfo — Foto: José Coelho/LUSA
Famalicenses dominaram a maior parte do desafio, mas não conseguiram chegar ao triunfo — Foto: José Coelho/LUSA

Com este tipo de vizinhos ninguém vê o 'pôr do sol' (crónica)

Belíssimo espetáculo no dérbi minhoto que abriu a jornada. Rodrigo Alonso deu vantagem aos cónegos, Pedro Santos selou o empate. André Ferreira foi gigante

«Amor eu já pensei, ir ver o pôr do sol, se achas Lisboa grande, o Minho ainda é maior...». Tomámos a liberdade de, devido às circunstâncias geográficas que se enquadram nesta crónica, alterar ligeiramente parte do refrão da música dos Vizinhos, que tanto sucesso tem feito nos últimos tempos, para, em bom rigor, chegarmos à conclusão que, afinal, com vizinhos destes ninguém vê... o pôr do sol.

A pequena distância existente entre Vila Nova de Famalicão e Moreira de Cónegos, mas, e acima de tudo, as extraordinárias campanhas que ambos os contendores têm vindo a fazer — os cónegos, mesmo estando na pior fase da época (sétimo jogo consecutivo sem vencer) e com vários jogadores lesionados, não deixam de ser uma equipa bastante interessante, algo que não é alheio ao futebol positivo que Vasco Botelho da Costa privilegia —, deixavam antever um bom espetáculo a abrir a 29.ª jornada da Liga.

E por falar em abrir, o que dizer da entrada mortífera do Moreirense? Logo aos 4 minutos, e na sequência de uma transição rapidíssima, Nile John isolou Rodrigo Alonso, com o médio espanhol, já na área e depois de contornar Lazar Carevic, a inaugurar o marcador.

O golo fez bem... ao Famalicão. O conjunto de Hugo Oliveira — que tem deixado um lastro de grande qualidade em todos os estádios — foi para cima do adversário e somou ocasiões bastantes para empatar ainda antes do intervalo. Porém, Tom van de Looi (10'), Justin de Haas (23'), Mathias de Amorim (31') — que tiro ao poste! —, Ibrahima Ba (40' e 45+1') e Simon Elisor (45+1') não conseguiram acertar no alvo. E André Ferreira começa, já nesta altura, a sobressair...

Previa-se que a etapa complementar contivesse ainda mais ares de Vila Nova e foi o que aconteceu. Os da casa, sempre catapultados pela força de um estádio praticamente lotado, carregaram e percebia-se que não era apenas com o empate no horizonte: os famalicenses tinham em mente a reviravolta.

Pedro Santos escreveu metade da história, ao ter cabeça para corresponder ao cruzamento de Rafa Soares (71'), mas Simon Elisor (76'), Romeo Beney (77'), Rodrigo Pinheiro (88') e Umar Abubakar (90+6') viram André Ferreira defender... tudo. Pelo meio, um penálti (bem) revertido pelo árbitro: Francisco Domingues não cometera falta.

Menção honrosa para Óscar Aranda, que recuperou de uma grave lesão e estreou-se esta época.

O Famalicão pode perder o 5.º lugar para o Gil Vicente, o Moreirense pode ser ultrapassado pelo Vitória de Guimarães no 8.º posto. Do Alentejo ao... Minho: com vizinhos destes não há pôr do sol.

O melhor em campo: André Ferreira (8)
Se na primeira parte começou a dar nas vistas e a ameaçar figurar nos destaques do dérbi, na etapa complementar não deixou margem para dúvidas. Porque só não conseguiu mesmo suster o cabeceamento certeiro de Pedro Santos, que selou o empate. Porque antes e depois desse momento, realizou um punhado de intervenções de alto quilate que garantiram o ponto conquistado.
A figura: Mathias de Amorim (7)
O carregador de piano habitual. Faz uma dupla perfeita com Tom van de Looi na sala de máquinas do emblema de Vila Nova, sendo que as funções mais defensivas do neerlandês permitem ao internacional sub-21 português aventurar-se em terrenos mais adiantados e integrar vários lances ofensivos do coletivo. Pintou uma obra de arte (31'), mas o poste esquerdo parecia... um frasco de lixívia.

As notas dos jogadores do Famalicão:

As notas dos jogadores do Moreirense:

Hugo Oliveira (treinador do Famalicão):

Estou orgulhoso, diante de uma equipa boa e que tem um bom treinador. Mas nós fomos melhores. Começámos a perder, mas fomos ao jogo com personalidade e empatámos. Estes rapazes têm feito um campeonato fantástico, o caminho é este.

Vasco Botelho da Costa (treinador do Moreirense):

Palavra ao Hugo [Oliveira] e ao Famalicão. Outra aos nossos incansáveis adeptos. De forma honesta, tenho de dizer que o resultado acaba por ser injusto, o Famalicão criou o suficiente para ganhar. Mas os nossos jogadores tiveram grande atitude.

Notícia atualizada às 00h02 do dia 11 de abril