Pedro Godinho, 35 anos ao serviço do desporto, condecorado por Presidente angolano, João Lourenço
Pedro Godinho, 35 anos ao serviço do desporto, condecorado por Presidente angolano, João Lourenço

COA traça objetivo: medalha olímpica em 2032

Pedro Godinho, histórico dirigente angolano, não quer deixar Comité Olímpico sem um feito histórico do desporto do país

O Presidente do Comité Olímpico Angolano (COA), Pedro Godinho, revelou que o seu mandato actual será o «último ato» de uma longa carreira dedicada ao dirigismo desportivo. Com 35 anos de experiência na gestão e 14 como atleta, o dirigente foca agora todas as baterias na criação de alicerces para que Angola conquiste a tão sonhada medalha olímpica nos ciclos de 2030-2032.

Godinho é claro sobre o seu futuro: acredita que a idade o levará a focar-se em objetivos pessoais após o término deste mandato. «Idealizei fazer o meu último ato de prestador ao País como dirigente desportivo», afirmou, sublinhando que dedicou mais de dois terços da sua vida ao desporto.

Embora reconheça que o objetivo pode não ser plenamente exequível já para os Jogos de 2028, o foco está na preparação estrutural. Pedro Godinho destaca o potencial em modalidades como o judo, mencionando a evolução de Edmilson Pedro, conhecido como Bicho Papão, que apesar de desqualificações pontuais em provas anteriores demonstrou nível para competir com os melhores do mundo.

O dirigente elogiou os resultados de atletas da esgrima na Europa (como Luís Macedo, medalhista de bronze em Taças do Mundo) e a potência crescente no Remo e na Canoagem. Para fabricar campeões, Pedro Godinho propõe uma fórmula de cooperação estreita, que apelidou de triângulo estratégico. Federações Nacionais, Governo de Angola e Comité Olímpico Angolano.

«Fabricar campeões exige um projeto. A Maria de Lurdes Mutola, quando ganhou a sua primeira medalha por Moçambique, já vivia e treinava há anos nos Estados Unidos», recordou Pedro Godinho, enfatizando que o sucesso olímpico exige exposição internacional e infraestruturas de elite.

Na visão do dirigente, Angola deve olhar para os exemplos de sucesso da Etiópia e do Quénia no atletismo para replicar modelos de excelência nas modalidades onde o país já demonstra potencial natural.