Clough (e mais)
Ao Derby County chegou Brian Clough por meados de 1967 - e logo se lhe viu extravagância: despediu os melhores jogadores e o tratador da relva por não a ter em primor e mandou embora duas mulheres responsáveis pelas refeições controladas que ordenou que se dessem aos pupilos por as apanhar a rirem-se após a primeira derrota. Desbritanizou-lhe o seu jogo, dando-lhe mais posse e menos correria, mais passes e menos bola no ar. Fora de campo, não deixou de andar sempre embrulhado em bizarrias e polémicas - ganhando mais e mais. Eliminando o Benfica de Eusébio (e Hagan), foi por unha negra que a Juventus o tirou da final da Taça dos Campeões de 1973 - e, meses depois, demitiu-se para ir, aventureiro, treinar o Brighton na terceira divisão. Sem calar remoques ao futebol do Leeds, afirmando-o « feio e sujo», quando Don Revie foi para selecionador inglês o Leeds chamou-o para lá - e desconcertante foi o que disse aos jogadores no balneário, antes do primeiro treino:
- Podem atirar as vossas medalhas todas para o lixo porque com o senhor Revie não as ganharam de forma bonita nem de forma justa.
44 dias depois, guerra de egos levou a que o Leeds o despedisse. O Nottingham Forest foi buscá-lo e por entre a paródia que se soltava do seu vício pelo álcool, Clough ganhou por lá duas Taças dos Campeões (em 1979 e 1980).
Suspeito que não haja em Portugal quem mais saiba da história de Pedroto que Alcino Pedrosa - que um destes dias me surpreendeu, revelando-me:
- Em entrevista à BBC, Clough afirmou-o: existem treinadores que levam a invenção tão longe que até se iludem pelos seus atos, não conseguindo ver o que realmente fazem. Mr. Pedroto, não - Mr. Pedroto era capaz de fazer e refazer equipas, era um criador que estava sempre a construir sistemas de jogo e estruturas, a fazer crescer os seus jogadores…
E sim: foi esse Pedroto que eu vi, uma vez mais, sagaz e enleante, no Sérgio Conceição - no FC Porto-Olympiakos.