Cinco anos depois McGregor está de volta aos combates e ameaça parar Las Vegas
O regresso de Conor McGregor ao octógono, após uma ausência de cinco anos, está a gerar uma enorme expectativa e promete transformar o UFC 329 num evento recordista em receitas para a organização. O combate contra Max Holloway, agendado para 11 de julho em Las Vegas, já é visto como um catalisador para superar o sucesso de audiências do histórico UFC Freedom 250.
A procura por bilhetes para o evento foi tão avassaladora que estes esgotaram instantaneamente no final de maio. A elevada procura fez disparar os preços no mercado de revenda, com o bilhete mais barato, para um lugar na última fila da arena, a custar cerca de 1800 dólares, antes de taxas, segundo o MMA Fighting. Para os melhores lugares, os valores ascendiam a 24 600 dólares. A própria UFC disponibilizou pacotes VIP com preços entre 8000 e 13 500 dólares, demonstrando a disposição dos fãs em pagar quantias avultadas para assistir ao vivo ao regresso do lutador irlandês.
Dana White, CEO da UFC, está confiante de que o UFC 329 irá estabelecer um novo recorde de bilheteira. A marca atual pertence ao UFC 306, realizado na Sphere em setembro de 2024, que gerou quase 22 milhões de dólares. A expectativa é que a ânsia dos fãs por ver McGregor lutar novamente impulsione as vendas e as receitas do evento para um novo patamar.
Esta projeção é partilhada por Nakisa Bidarian, cofundador da Most Valuable Promotions (MVP) e antigo Diretor Financeiro da UFC. Bidarian acredita que o combate poderá gerar uma receita de bilheteira de 26 milhões de euros e que o próprio McGregor poderá arrecadar, no mínimo, 52.5 milhões de euros com a sua participação.
«Acredito também que Conor McGregor alcançará números semelhantes, se não maiores, nos EUA, em comparação com o UFC Freedom 250. Ele deverá ganhar pelo menos 52.5 milhões de euros se conseguir isso», explicou o diretor da UFC.
O poder de atração de McGregor não é novidade. O UFC 205, realizado a 12 de novembro de 2016 no Madison Square Garden, em Nova Iorque, gerou cerca de 15,5 milhões de euros em bilheteira, tornando-se na altura o evento mais lucrativo da história da UFC, impulsionado pelo seu combate contra Eddie Alvarez.
Este será o primeiro combate de McGregor desde que sofreu uma fratura na perna durante a derrota por TKO contra Dustin Poirier em 2021. O seu registo profissional em MMA é de 22 vitórias e 6 derrotas, com um historial de 10-4 na UFC. Por sua vez, Max Holloway apresenta um registo de 27-9 em MMA e 23-9 na UFC.
O poder de atração de McGregor não é novidade. O UFC 205, realizado a 12 de novembro de 2016 no Madison Square Garden, em Nova Iorque, gerou cerca de 15,5 milhões de euros em bilheteira, tornando-se na altura o evento mais lucrativo da história da UFC, impulsionado pelo seu combate contra Eddie Alvarez.
Conor McGregor has arrived for UFC 329 fight week 👀
— Championship Rounds (@ChampRDS) July 8, 2026
(via @ufcontnt) pic.twitter.com/vGk8sFuC0A
Em contraste com a estratégia de monetização do UFC 329, o UFC Freedom 250 foi um evento de cariz simbólico. Realizado na Casa Branca para celebrar o 80.º aniversário do Presidente Donald Trump e os 250 anos da Declaração da Independência, o evento teve uma audiência exclusiva por convite e não gerou qualquer receita de bilheteira. Dos 4300 lugares disponíveis, 1200 foram destinados a militares no ativo, e os restantes distribuídos pela Casa Branca, TKO Group e UFC, que também ofereceu bilhetes gratuitos.
Apesar de um custo de produção de quase 52.5 milhões de euros, o evento gerou apenas 26 milhões em patrocínios. O objetivo principal, segundo os executivos da TKO, não era o lucro, mas sim a promoção da marca UFC e a captação de uma vasta audiência televisiva. O UFC Freedom 250 alcançou uma média de 8,2 milhões de espectadores nos Estados Unidos e na América Latina, com mais de 17 milhões de pessoas a assistirem a pelo menos uma parte do evento na Paramount+, consolidando-se como um dos espetáculos de desportos de combate mais vistos dos últimos anos.
🗣️ "Je veux montrer mes progrès"
— RMC Sport Combat (@RMCSportCombat) July 8, 2026
Conor McGregor a hâte de retourner dans la cage ! 👀
🚨 L’UFC 329 avec LE RETOUR de Conor McGregor et Benoît Saint Denis 🇫🇷, c’est dans la nuit du 11 au 12 juillet à partir de 00H, en direct sur RMC Sport 1#UFC329 pic.twitter.com/8laP8lsCJw
O regresso de Conor McGregor é o principal trunfo da UFC para que o evento UFC 329, a realizar-se na T-Mobile Arena, quebre o recorde de bilheteira da organização. A expectativa é superar a marca de quase 19.2 milhões de euros, estabelecida em setembro de 2024 pelo UFC 306, na Sphere, em Las Vegas.
A estratégia da UFC passa por capitalizar ao máximo a popularidade do lutador irlandês. Em vez de o incluir em eventos já por si mediáticos, como o UFC Freedom 250 na Casa Branca, a organização optou por reservar o seu regresso para um evento separado, maximizando assim as receitas. O próprio McGregor já tinha referido em março que a UFC segue um plano de negócios inteligente para os seus combates, evitando sobrepor a sua capacidade de atração a eventos que já têm garantido um grande interesse.
A lógica é simples: o evento na Casa Branca já iria gerar enorme atenção devido à sua localização única. A presença de McGregor não traria um benefício adicional significativo. Apesar do desejo manifestado tanto por McGregor como pelo antigo campeão de pesos-pesados Jon Jones de participarem nesse evento, a UFC decidiu não incluir nenhum dos dois no cartaz.
Em vez disso, o regresso de McGregor foi agendado para o UFC 329, onde será a figura principal do combate contra Max Holloway. Esta decisão permite à UFC criar dois eventos de grande sucesso em vez de concentrar todas as suas estrelas num só.
A aposta em McGregor ganha ainda mais relevância depois de Dana White ter confirmado que não haverá mais eventos na Casa Branca. Apesar do sucesso do UFC Freedom 250, White explicou que foi uma iniciativa única, citando a complexidade logística, os desafios climáticos, a construção da arena no local e um custo de cerca de 60 milhões de dólares.
O poder financeiro de McGregor
Os números do passado sustentam a confiança da organização. O UFC 264, em 2021, que contou com o combate entre McGregor e Dustin Poirier na T-Mobile Arena, esgotou a lotação com 20.000 espetadores. Espera-se que o UFC 329 replique este sucesso.
O impacto económico do lutador é inegável. O UFC 229, em outubro de 2018, com o combate McGregor vs. Khabib Nurmagomedov, gerou 414 empregos na área de Las Vegas e 3 milhões de euros em receitas fiscais. Já o UFC 264 terá vendido entre 1,7 e 1,8 milhões de PPV (pay-per-views), resultando em receitas estimadas entre 104 e 110 milhões de euros.
Com este historial, a UFC espera que o UFC 329, impulsionado pelo regresso da sua maior estrela, não só compense o avultado investimento no evento da Casa Branca, mas também reforce a realidade de que McGregor continua a ser uma garantia de sucesso financeiro. Se o evento ultrapassar a barreira dos 26 milhões de euros em bilheteira, confirmará, mais uma vez, o seu estatuto.