Chelsea em queda livre e Rosenior sob pressão, três meses depois da chegada
A derrota por 0-3 frente ao Everton agravou a crise de resultados do Chelsea, que entra agora numa pausa de duas semanas para as seleções nacionais a refletir sobre 10 dias particularmente negativos. A equipa sofreu quatro derrotas consecutivas para todas as competições pela primeira vez desde 1993 e a pressão sobre o treinador Liam Rosenior aumentou.
Este período negro incluiu uma pesada eliminação nos oitavos de final da UEFA Champions League, com uma derrota agregada de 2-8 contra o PSG, e duas derrotas consecutivas na Premier League. No sábado, no Estádio Hill Dickinson, os golos de Beto (2) e Ilman Ndiaye (1) selaram uma vitória confortável para o Everton, frente a um Chelsea permeável taticamente, propenso a erros e fisicamente inferior. Na jornada anterior, perderam por 0-1 em Stamford Bridge com o Newcastle, com golo de Anthony Gordon.
A situação levou a críticas internas, nomeadamente do vice-capitão Enzo Fernández. O médio argentino afirmou que a equipa perdeu «identidade, estrutura e direção» desde a saída do antigo treinador Enzo Maresca em janeiro, acrescentando que os jogadores não compreenderam a sua partida. Apesar de ter sido o jogador do Chelsea que esteve mais perto de marcar e de ter abraçado Rosenior no final do jogo, as suas palavras pintam um quadro preocupante.
Apesar da má fase, o Chelsea mantém o sexto lugar na Premier League, apenas um ponto atrás do Liverpool, que ocupa o quinto posto e a última vaga de acesso à UEFA Champions League. No entanto, a aproximação do Everton, agora em sétimo a apenas dois pontos de distância, ameaça a posição dos londrinos, com sete jornadas por disputar, sendo que há muitos outros clubes na disputa pelas competições europeias.
Liam Rosenior, por sua vez, tenta manter a calma. «Não me foco no ruído», disse à BBC. «Conheço a realidade de onde estou e de onde estamos como clube e o que ainda podemos alcançar, que são coisas fantásticas. Tem sido um período de grande provação para estes rapazes. Tivemos muitos contratempos e temos de nos recompor e garantir que voltamos a lutar», explicou.
Uma das principais críticas dirigidas a Rosenior é a excessiva rotação do plantel. O Chelsea é o clube com mais alterações de jogo para jogo na Premier League, um total de 99. O treinador de 41 anos admite não ter um guarda-redes titular definido, alternando entre Robert Sánchez e Filip Jorgensen. A forma do espanhol parece ter sido afetada, com o guardião a cometer erros contra o Everton, incluindo uma perda de bola para Beto e um remate do mesmo avançado que lhe escapou por entre os dedos.
A ineficácia ofensiva é outro problema gritante. O Chelsea não marca há três jogos consecutivos, apesar de ter efetuado 52 remates nesse período. A isto somam-se as fragilidades defensivas, tendo sofrido o primeiro golo em quatro jogos seguidos da Premier League pela primeira vez desde novembro de 2023.
O descontentamento dos adeptos é cada vez mais visível. Muitos dos que viajaram para ver o jogo contra o Everton abandonaram o estádio antes do apito final, entoando cânticos contra a direção do clube. Rosenior aproximou-se dos que ficaram para pedir desculpa. Está, inclusive, agendada uma marcha de protesto de adeptos do Chelsea e do Estrasburgo, ambos detidos por Todd Boehly e pela Clearlake Capital, para antes do jogo em casa contra o Manchester United, a 18 de abril.
O regresso à Liga dos Campeões continua a ser o principal objetivo do Chelsea, uma meta que se mantém crucial tanto pelo prestígio como pelo impacto financeiro, numa altura em que o treinador Liam Rosenior enfrenta um período de escrutínio. Wayne Rooney, que teve Rosenior como seu adjunto no Derby County entre 2021 e 2022, saiu em defesa do técnico, afirmando que as críticas são injustas. «Penso que sim [que está a receber críticas duras]. Tem sido assim desde o momento em que entrou», disse.
«O Liam sabe que será julgado pelos resultados. Começou muito bem, mas entraram numa má fase de forma nas últimas semanas e ele precisa de encontrar uma maneira de sair dela. Sei que ele é um treinador fantástico, mas vai levar tempo.» O próprio Rosenior reconhece a necessidade de uma recuperação rápida, afirmando: «Não estamos numa situação tão má como o ruído sugere, mas precisamos de sair dela muito rapidamente».