Milik com a camisola da Juventus
Milik com a camisola da Juventus

«Cheguei ao fundo do poço, ia para a casa de banho chorar»

Milik, avançado polaco, recordou os últimos dois anos marcados por lesões, um período que o levou a procurar ajuda psicológica e a confessar que o dinheiro não traz felicidade. Elogios a Di María

Arkadiusz Milik quebrou o silêncio sobre o calvário que viveu na Juventus. Numa entrevista sem filtros ao podcast polaco Kanal Sportowi, o avançado descreveu os últimos dois anos como um período de enorme desgaste, dominado por lesões musculares que o afastaram dos relvados e o levaram ao limite emocional.

O jogador apontou a razão da sua ausência mediática. «Que sentido faria? Nos últimos dois anos, a única coisa de que poderia falar eram as minhas lesões», afirmou. Milik confessou ter vivido um período que o desgastou «literalmente» e que o fez querer «desligar de tudo». Agora, sente-se «sorridente, descansado e pronto para jogar», lamentando apenas que a época com a Juventus tenha terminado.

A frustração de ver os colegas em campo era imensa: «Sentia-me como uma pessoa faminta a caminhar por uma rua cheia de ótimos restaurantes. Era assim que me sentia enquanto os meus colegas jogavam na Liga dos Campeões, por exemplo, contra o Real Madrid no Bernabéu.»

A luta mental e as lágrimas no balneário

O avançado admitiu que, inicialmente, tentou lidar com a situação sozinho, mas acabou por ceder e procurar ajuda profissional. «Refleti muito sobre se deveria recorrer a um psicólogo. Não foram momentos agradáveis, mas não diria que foi uma depressão. No entanto, no que me diz respeito, tinha realmente chegado ao fundo do poço», revelou. Milik partilhou momentos de grande vulnerabilidade: «De repente, acontecia-me ir ao ginásio, treinar e... desatar a chorar. Foi a primeira vez na minha vida que algo assim me aconteceu. Várias vezes tive de interromper o treino bruscamente e ir desabafar para a casa de banho a chorar.»

O regresso aos relvados trouxe «lágrimas de alegria». A experiência deixou-lhe uma lição: «Aprendi uma coisa: o dinheiro não dá felicidade. Pelo menos no meu caso. Tinha os rendimentos mais altos de toda a minha carreira e, no entanto, nunca tinha sido tão infeliz desde que comecei a jogar futebol.»

Futuro longe de Turim e o sonho da seleção

O futuro de Milik não deverá passar pela Juventus, dadas as incertezas sobre a sua condição física. Um regresso ao Gornik Zabrze, clube onde iniciou a carreira e onde o seu irmão Lukasz é diretor desportivo, é uma das hipóteses: «Tenho uma grande simpatia por este clube. Se me vou mudar para lá? Falo todos os dias com o meu irmão, mas por questões familiares. É claro que surgem vários assuntos, mas por agora acho que é um pouco cedo para falar sobre isso.»

O regresso à seleção polaca continua a ser um objetivo, mas Milik mostra-se cauteloso. «Farei de tudo para voltar ao nível em que estava. É demasiado cedo para falar sobre isso, porque primeiro é preciso conquistar minutos no clube», explicou, admitindo que lhe «dói terrivelmente não poder jogar» e que sente «ciúmes» ao pensar em assistir a um jogo da seleção.

No final, Milik deixou elogios a Robert Lewandowski, considerando-o «o melhor de todos pela sua longevidade e consistência», e não esqueceu antigos colegas como Di María e Pogba. Sobre o francês, fez uma revelação: «Na Juventus, jogava com uma perna só. Tinha o joelho constantemente inchado e, mesmo assim, nunca vi nada igual.»

Numa reflexão sobre talento e profissionalismo, Arkadiusz Milik destacou a qualidade de Ángel Di María e partilhou uma revelação de Paul Pogba sobre a dedicação de Cristiano Ronaldo.

O avançado polaco elogiou o talento inato do argentino, descrevendo-o como um jogador de qualidades excecionais. «Ele tinha uma fluidez, uma técnica e uma visão de jogo incríveis. Era uma loucura», afirmou Milik, acrescentando que, apesar de alguns erros, Di María era decisivo: «Em seis bolas, talvez errasse duas ou três, mas as outras? Deixava-te cara a cara com o guarda-redes. Isto não se pode aprender. Nascemos com certas características.»

Milik abordou também a importância da dedicação, recorrendo a uma conversa que teve com Pogba sobre Cristiano Ronaldo. «Uma vez falei precisamente com o Pogba, que conheceu o Cristiano Ronaldo. O Paul disse-me: ‘Arek, somos todos profissionais, mas o Cristiano está mesmo noutra categoria’.»

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