César Peixoto: «Vamos olhar para estes dez jogos como se fossem dez finais»
O Gil Vicente prepara-se para visitar o Estrela da Amadora, num duelo que César Peixoto antecipa como particularmente exigente. O treinador, que se estreou ao comando dos gilistas na Reboleira, na época passada, num jogo que terminou empatado, assume a ambição de regressar a Barcelos com os três pontos.
«Queríamos ter ganho e agora vamos lá tentar trazer os três pontos no autocarro para cima», afirmou o técnico, lembrando as dificuldades tradicionais daquele terreno.
Para o técnico gilista, a deslocação à Amadora exige máxima concentração e agressividade competitiva. «É um estádio tipicamente difícil, com especificidades complicadas. Se formos lá jogar apenas de pezinhos de lã, acho que as coisas não vão correr bem», alertou. O treinador acredita que os duelos, as segundas bolas e a organização defensiva terão um peso decisivo no desenrolar da partida. «Temos de ser fortes com bola, mas também sem bola. Temos de ser agressivos e saber exatamente o que queremos fazer.»
Apesar das duas derrotas consecutivas nas últimas jornadas — algo que acontece pela primeira vez na época — o técnico não vê motivos para quebra de confiança. «Se olharmos para a primeira volta, temos apenas menos um ponto do que nessa altura. Estamos consistentes», sublinhou. O timoneiro gilista considera mesmo que a equipa esteve à altura frente ao Benfica, apesar da derrota por 2-1. «Dividimos o jogo olhos nos olhos com o Benfica. Coletivamente não foi superior a nós. Foi eficaz e resolveu o jogo individualmente.»
O treinador acredita que a equipa tem de responder já na próxima jornada, mantendo a identidade que tem apresentado ao longo da temporada. «Temos de ir com a mesma fome, ou ainda mais, do que o Estrela da Amadora. Com bola queremos manter o nosso ADN, mas para isso temos de ser muito fortes nos duelos, na agressividade e na intensidade.»
Com a época a entrar na reta decisiva, César Peixoto reconhece que a luta pelos pontos será cada vez mais intensa. «Quanto mais nos aproximamos da parte final do campeonato, mais difícil se torna. Há equipas a lutar pela manutenção, outras pela Europa e outras pelo título», explicou.
O treinador revelou que essa realidade já foi discutida com o plantel. «Já falámos sobre isso esta semana. Vamos olhar para estes dez jogos como se fossem dez finais até ao final da época.»
Ainda assim, o técnico mantém o discurso prudente em relação à possibilidade de qualificação europeia. «O meu discurso é sempre o de fazer melhor. Se fizermos melhor do que na primeira volta, esse resultado pode acontecer, mas tem de ser sempre jogo a jogo», frisou.
Questionado sobre a especificidade do terreno da Reboleira, o treinador rejeitou que isso implique mudanças estruturais na equipa. «Não é tanto uma questão de jogadores, é uma questão de mentalidade», explicou.
Peixoto recordou, por exemplo, o jogo com o Estoril (1-3), há duas jornadas atrás, em que a equipa sentiu dificuldades nos duelos e nas segundas bolas. «Quando estamos com a mentalidade certa somos competitivos, ganhamos primeiras e segundas bolas e conseguimos controlar o jogo», afirmou.
César Peixoto destacou ainda o trabalho da direção na mobilização dos adeptos e apelou à presença dos gilistas na Amadora. «É muito importante sentir esse apoio. Quando olhamos para a bancada e vemos os nossos adeptos, percebemos o esforço que fazem para nos ver jogar. Cria-se uma simbiose muito forte. Cada vez mais sentimos interação com o jogo e isso é muito importante.»
Com dez jornadas por disputar, César Peixoto pede que o apoio se mantenha. «Precisamos desse calor e desse empurrão nestas dez finais que temos até ao final da época», concluiu.