Casa Pia: «O plantel está aberto, sem dúvida, mas não estamos com pressa»
O Casa Pia está a realizar um estágio em Guimarães e, esta quarta-feira, Filipe Coelho falou à Imprensa sobre as expectativas para a nova época e as metas já traçadas. As contratações dos avançados Henrique Araújo e Alassana Jatta, oficializadas nas últimas horas — já integraram o treino matinal desta quarta-feira —, também foram, naturalmente, abordadas, mas o treinador preferiu virar o foco para o plano coletivo.
«São dois reforços para o ataque, como já existiram outros reforços para a baliza e para outras posições do campo. Portanto, vamos atingindo posições que nós sentimos que são fundamentais para fazer crescer a nossa ideia de jogo. É óbvio que quem está lá na frente tem que finalizar as boas ações coletivas que vamos construindo e é para isso que o Henrique e o Alassana Jatta chegaram. Para competirem, para fazer crescer a competitividade no clube. Mas todas as posições são fundamentais, porque entendemos que o coletivo tem que ser forte. Depois, obviamente que saltará à vista um ou outro elemento. Não destacaria quem chegou para a frente, destacaria todos os que chegaram até agora e que se juntaram à qualidade que já cá estava», assinalou Filipe Coelho, garantindo que o Casa Pia mantém-se ativo no mercado.
«O plantel está aberto, disso não há dúvida. Sabemos que o mercado tem diferentes velocidades para diferentes equipas. E estamos pacientemente a aguardar. Não estamos com qualquer pressa. Estamos conscientes e todos alinhados na ideia de que, possivelmente, na primeira jornada [frente ao Marítimo] não teremos toda a gente que vai estar no final de agosto ou no início de setembro. Mas essa tranquilidade está a ser passada para todos. É com os jogadores que temos no momento que vamos trabalhar para atacar o início do campeonato. Quem se for juntando será sempre bem-vindo, mas será sempre alguém para acrescentar qualidade ao que já cá está», prosseguiu o técnico, que admitiu a necessidade de «mudar um ou outro perfil» na perseguição da ideia que quer implementar na equipa: «Acima de tudo queremos trazer jogadores com uma mentalidade forte, que saibam que precisam de trabalhar mais para a equipa primeiro, para depois a individualidade poder crescer. E até agora estamos muito satisfeitos com quem já cá estava e com quem vai chegando de novo.»
Depois de uma época que acabou em sobressalto, com o Casa Pia a conseguir manter-se no principal escalão ao vencer o play-off com o Torreense, o objetivo para 2026/27 é claro. «O objetivo é dar a todos a tranquilidade necessária para evitar chegar à última jornada ainda a fazer contas... É óbvio que isso se faz com pontos, mas, na nossa crença de equipa técnica, faz-se com a qualidade de trabalho diária e com a tentativa de passar tudo aquilo que fazemos em treino para o jogo, e que tudo isso se traduza em pontos», assinalou Filipe Coelho, apostado em construir uma equipa com personalidade: «Queremos construir uma identidade que dificulte ao adversário perceber como estamos no campo. E queremos construir uma identidade de maior controlo do jogo, de maior estabilidade na posse, nunca esquecendo o perigo que queremos causar à baliza adversária e nunca esquecendo a humildade necessária de perceber que os momentos defensivos são para respeitar com muita qualidade, para evitarmos que soframos golos.»
Aos 41 anos, Filipe Coelho abraçou o primeiro desafio ao leme de um clube português primodivisionário. No seu percurso, conta com vários anos na formação do Benfica, uma época nos sub-23 do Estoril, outra nos sub-21 do Chelsea e, mais recentemente, um ano no Estrasburgo, no papel de adjunto.
«Mais do que falar em mim, há que falar na equipa técnica que foi construída para atacar esta época. Em todas as minhas experiências, sinto que quando estamos rodeados de pessoas competentes e que têm capacidade de atacar várias frentes estamos muito mais capacitados para fazer um bom trabalho. E é sempre essa a nossa preocupação. O Alexandre [Santana, adjunto] está cá porque também conhece a casa e, além de ser um treinador muito competente, é boa gente, que conhece a cultura do clube. E todas as outras adições à equipa técnica trazem essa capacidade de atacarmos uma primeira experiência na primeira Liga para muitos. Mas eu não encaro como primeira experiência. Há uma continuidade de carreira que está a ser construída tranquilamente, com muito valor dado às pessoas que estão à nossa volta e que constituem a equipa técnica. Portanto, uma grande ambição de poder voltar a Portugal, poder competir na Liga e fazer do Casa Pia uma equipa melhor, uma equipa para a qual toda a gente consiga olhar e perceber que há uma identidade e que, mesmo nos jogos aparentemente mais difíceis, é uma equipa que se bate pelos três pontos», afiançou Filipe Coelho, confiante de que a vasta experiência acumulada a lidar com jovens jogadores pode ajudá-lo agora, até com os mais experientes.
«Todas essas valências que trouxemos são encontraram um espaço agora para poder aplicar. E acreditamos que mesmo jogadores mais velhos, acima de 30 anos, têm sempre coisas a aprender. E se nós trouxermos o detalhe que aplicámos em experiências anteriores à possibilidade de fazer evoluir estes jogadores mais velhos, que têm mostrado muita sede de continuar a evoluir, vamos conseguir fazê-los evoluir também da mesma maneira. Portanto, essa experiência cabe perfeitamente numa oportunidade destas, para fazer evoluir a equipa como um coletivo, mas também ir limando alguns detalhes individualmente», rematou o treinador português.