Casa Pia: Filipe Martins explica como se pára o FC Porto... com 10 jogadores
Filipe Martins foi o obreiro por trás da subida do Casa Pia à primeira divisão em 2022. Já na época de 2022/23, que marcou o regresso do emblema ao convívio com os grandes após 83 anos, a equipa só tirou pontos a um dos três grandes por uma vez, num jogo marcante para os gansos nessa temporada. Tratou-se de um nulo no Estádio Nacional do Jamor frente ao FC Porto, na 15.ª jornada, marcado pelo facto de o Casa Pia ter atuado com menos um jogador durante toda a segunda parte, devido à expulsão de Lucas Soares em cima do intervalo.
«Lembro-me perfeitamente do que fizemos após a expulsão», recorda Filipe Martins, numa conversa com A BOLA: «Passámos a defender num 5x3x1, onde o nosso meio-campo fez um trabalho muito bom e conseguimos manter a baliza a zeros. Seria muito difícil contra-atacarmos, tentámos algumas vezes sair, mas valeu a organização defensiva para conseguirmos o empate.»
Foi um jogo mediático, pelo facto de termos conseguido parar o FC Porto, com apenas 10 jogadores.
Dadas as circunstâncias, Filipe Martins considera que este «foi provavelmente o resultado mais imprevisível da época». «No ano seguinte conseguimos tirar pontos ao Benfica na Luz (1-1), mas nessa época, [o jogo com o FC Porto] foi o único em que conseguimos tirar pontos aos três grandes. Foi um jogo mediático, pelo facto de termos conseguido parar o FC Porto, com apenas 10 jogadores», afirma.
Os dados estatísticos contam muita da história do encontro: o FC Porto fez 26 remates contra apenas dois do Casa Pia e Ricardo Batista foi obrigado a realizar nove defesas. Mas o nulo final também deixou bem patente a solidez defensiva da equipa, uma imagem de marca de Filipe Martins. «Mesmo na Segunda Liga já fomos uma equipa muito coesa defensivamente», afirma, antes de recordar outra importante valência dessa formação: «Éramos um grupo muito solidário, com um espírito muito bom.» Tal ajudou a equipa a resistir a todas as investidas portistas.
«Nesse jogo soubemos sofrer. Também contámos com mais uma boa exibição do Ricardo Batista, que fez uma época extraordinária. A equipa soube sofrer, ainda para mais a jogar com 10 jogadores.»
O Casa Pia acabou a época num tranquilo 10.º lugar. Já o FC Porto ficou em segundo, a apenas dois pontos do Benfica — se ambos terminassem em igualdade pontual, os dragões seriam campeões por terem vantagem no confronto direto. Além de «imprevisível», o resultado alcançado pelo Casa Pia fez história, que, agora, poderá inspirar os comandados de Filipe Coelho a alcançarem um resultado semelhante este sábado, em Rio Maior.
«Podem fazer uma surpresa»
Após uma passagem de três anos e meio pelo Casa Pia, Filipe Martins ganhou um afeto natural pelo clube, que continua a acompanhar. «Tenho um sentimento muito especial pelo Casa Pia e espero que atinja os seus objetivos», afirma, mas considera que a equipa «tem de continuar a melhorar os índices defensivos, como fez agora com o Vitória de Guimarães [empate a zeros], onde não sofreu golos».
Se a solidez defensiva for alcançada, «depois é tentar marcar», diz Filipe Martins, ciente da dificuldade da tarefa. «O FC Porto ainda não desperdiçou pontos, mas terá toda a responsabilidade do seu lado. Com uma pontinha de sorte, que é sempre preciso ter nestes jogos, o Casa Pia pode fazer uma surpresa», atira.
O Casa Pia que terá uma baixa confirmada para esse duelo: o defesa Felipe Silva, por estar emprestado, precisamente, pelos dragões. Deste modo, o jogador brasileiro de 24 anos ainda tem de aguardar mais um pouco até fazer a estreia oficial pelos gansos.