Camacho: «As derrotas são o grande inimigo dos treinadores»
— O futebol mudou muito desde os seus tempos de treinador?
— As regras foram a maior mudança no futebol, agora os treinadores têm a possibilidade de fazer cinco substituições e isso dá ao técnico a possibilidade de mudar meia equipa e adaptá-la a outro sistema de jogo. O VAR também é útil, com o grande inconveniente de ser muito lento nas decisões. Não faz muito sentido que, com as novas tecnologias que existem, tenhamos de esperar vários minutos até saber se podemos festejar um golo ou não.
— Controlar e ter bom ambiente no balneário é a tarefa mais difícil dos treinadores?
— Não, o problema não é o balneário. O grande inimigo dos treinadores são as derrotas. Se um chega a balneário que anda há três ou quatro anos sem ganhar nada e com ele começa a conseguir títulos, é um Deus adorado por todos, mas se chega a um balneário habituado a vencer e perde dois jogos seguidos está liquidado e acabou-se a aventura. As vitórias e as derrotas, sobretudo nos grandes clubes, condicionam tudo de forma exagerada. Deveria haver um pouco mais de paciência.
— Isso viu-se no Real Madrid de Julen Lopetegui e Rafa Benítez, despedidos antes de tempo. Corre Xabi Alonso o mesmo perigo se os resultados não forem os esperados?
— O Real Madrid é muito exigente, a equipa tem sempre de ganhar e estar no primeiro lugar. Espero que, com Xabi, as coisas corram bem, tem tudo para poder triunfar, mas se a bola não entra e a equipa não ganha pode haver problemas. Oxalá não.
O grande inimigo dos treinadores são as derrotas. Se um chega a balneário que anda há três ou quatro anos sem ganhar nada e com ele começa a conseguir títulos, é um Deus adorado por todos, mas se chega a um balneário habituado a vencer e perde dois jogos seguidos está liquidado e acabou-se a aventura. As vitórias e as derrotas, sobretudo nos grandes clubes, condicionam tudo de forma exagerada
— Arrepende-se da sua inesperada e voluntária saída do Real Madrid quando era o treinador?
— Não me arrependo de nada. Tomei a decisão que, naquele momento, devia tomar, pelo bem do Real Madrid, não do meu. Pensei que não conseguiria fazer com que a equipa tivesse bom rendimento. Infelizmente, com os que vieram depois, as coisas não melhoraram, confirmando que era eu quem tinha razão.
— Porque há tantos treinadores portugueses e espanhóis espalhados, com sucesso, por todo o mundo?
— Certamente pelo bom trabalho de base que se tem vindo a fazer nos dois países e isso acontece não só com os técnicos como com os jogadores e agora até com os diretores desportivos. Praticamente todos têm êxito no estrangeiro, a começar pelo exigente futebol inglês, no qual não é nada fácil triunfar. Podemos estar orgulhosos pela forma como representam o futebol dos nossos dois países.
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