Calcanhar e um passo atrás do City na corrida ao título (crónica)
O Manchester City empatou a duas bolas em casa do Tottenham, em jogo a contar para a 24.ª jornada da Premier League. A equipa dirigida por Pep Guardiola saiu para o intervalo a vencer por 2-0, mas uma extraordinária reação dos londrinos no segundo tempo redundou em dois golos apontados por Solanke.
Com Matheus Nunes e Bernardo Silva no onze (Rúben Dias continua lesionado), os citizens dominaram nos primeiros 45 minutos aproveitando os erros de construção do Tottenham e saindo em transições rápidas, explorando a velocidade de execução dos seus homens da frente.
O primeiro golo surgiu aos 11', num lance iniciado por Bernardo Silva, ao roubar a bola na zona central e entregando-a a Cherki, que se limitou a fazer o que tão bem sabe: progredindo em drible e deixando o defesa na dúvida sobre para que lado iria rematar e qual o pé que a utilizar: o francês optou por atirar cruzado de pé direito, sem hipótese para Vicario.
Com o português Palhinha numa posição diferente ao habitual (central do lado direito numa linha de cinco defesas), o Tottenham não apresentava músculo suficiente a meio-campo e permitia que os citizens aproveitassem a falta de referências. Em mais um momento de pressão alta, Rodri intercetou a bola a meio do meio do meio-campo, entregou-a a Bernardo Silva, que de primeira deixou Semenyo isolado na cara de Vicario para assinar o 2-0.
Não era um jogo asfixiante, mas o Manchester City ia para os balneários com controlo absoluto das ações. Algo que mudaria após o intervalo: Thomas Frank identificou lacunas, colocou Matar Sarr, o Tottenham começou a pressionar alto. As primeiras ameaças apareceram nos primeiros minutos e o golo surgiu aos 53': Xavi Simons, muito discreto no primeiro tempo, abriu o livro e descobriu Solanke em posição legal para receber, driblar Khusanov e a meias com Guehi fazer o 1-2. Um lance discutível, porque parece que o avançado pontapeou na perna do central contrário, mas o VAR assim não o considerou e a Premier League deu o golo ao inglês.
O golo embalou o Tottenham e deixou o City em sentido. O fator físico começou a sentir-se: os criativos de Manchester perderam fulgor e as bancadas ajudavam a empurrar a equipa londrina, que à entrada da jornada estava em 15.º na tabela. O grande momento apareceu aos 70': cruzamento da direita e Solanke, adiantado em relação à bola, encontrou um recurso ao alcance de poucos: toque de calcanhar, fazendo a bola sobrevoar o enorme Donnarumma, que já antes havia salvado a equipa num par de ocasiões.
Até ao fim do jogo não houve mais golos, apesar de duas boas oportunidades para ambas as equipas: o guarda-redes do City evitou o 3-2 a remate de Xavi Simons e Reijnders cabeceou ao lado a cruzamento de Bernardo Silva. O medo de perder foi tomando conta da partida e o apito final chegou com má notícia para as duas equipas: sexto jogo seguido sem vencer do Tottenham para a Premier League e novo atraso do Manchester City para o Arsenal, que viu assim aumentar para seis os pontos de vantagem para o segundo classificado... os mesmos pontos que o Man. United tem a menos que o rival.