Rodrigo Paz decretou estado de emergência na Bolívia - Foto: IMAGO

O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, decretou o estado de emergência em todo o território nacional, na sequência de semanas de protestos antigovernamentais que mergulharam o país numa grave crise política. A medida visa, segundo o chefe de Estado, «restaurar» a normalidade e permite a intervenção das forças armadas e da polícia para repor a ordem.

A decisão surge após 50 dias de manifestações e bloqueios de estradas que paralisaram a economia e causaram escassez de alimentos, combustível e material médico em várias regiões. Os protestos, apoiados por sindicatos, agricultores e simpatizantes do ex-presidente Evo Morales, exigem a demissão de Rodrigo Paz.

Num discurso à nação, o presidente justificou a medida extrema com o fracasso das negociações. «Depois de esgotadas todas as vias de diálogo, de alcançados acordos com aqueles que tinham reivindicações legítimas e de identificados claramente aqueles que recorreram à violência para tentar desestabilizar a Bolívia, tomámos a decisão de decretar o estado de exceção», explicou Paz.

O presidente centrista, no poder há sete meses, sublinhou que a ação é necessária para lidar com «grupos organizados que continuam a recorrer à violência para paralisar o país». «Tomei medidas para a implementação do estado de exceção, a fim de desobstruir as estradas do país», afirmou, acrescentando que «os bolivianos não podem continuar a ser reféns de bloqueios que os impedem de trabalhar, estudar, receber cuidados médicos, abastecerem-se e levarem alimentos para as suas casas».

A agitação social teve início em maio, quando Paz eliminou os subsídios aos combustíveis para tentar reduzir o défice. A medida agravou uma situação económica já precária, marcada pela pior crise numa geração, com inflação recorde, escassez de divisas e uma queda drástica nas exportações de gás natural. Para além da saída do presidente, os manifestantes exigem aumentos salariais e o fim da escassez de combustível e de dólares.

A eleição de Paz representou uma viragem histórica, pondo fim a quase duas décadas de governo do Movimento ao Socialismo da Bolívia (MAS). Desde que assumiu o cargo, o presidente tem procurado reforçar os laços diplomáticos com Washington, tensos desde 2009, tendo anunciado em setembro um plano de cooperação económica de 1,5 mil milhões de dólares com os EUA para garantir o fornecimento de combustível.

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