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Bielsa sem papas na língua sobre pausas para hidratação: «Não acrescentam nada»
Marcelo Bielsa manifestou-se contra as pausas para hidratação implementadas no Mundial 2026, afirmando que estas «destroem a essência cultural do futebol» sem trazerem quaisquer benefícios ao jogo.
Recorde-se que a FIFA introduziu paragens de três minutos a meio de cada parte devido às altas temperaturas sentidas nas cidades anfitriãs nos Estados Unidos, Canadá e México. A medida, no entanto, tem gerado opiniões divididas entre treinadores e jogadores, com os críticos a argumentarem que as pausas servem principalmente para acomodar intervalos comerciais para as transmissões televisivas, transformando o jogo em quatro partes distintas.
O selecionador do Uruguai, conhecido purista do desporto-rei, foi contundente na sua análise. «Jogar quatro vezes em vez de duas altera a conceção do que foi culturalmente construído para interpretar o futebol», declarou aos jornalistas. «Esta mudança de cultura não acrescenta nada e retira muito. Antes desta decisão, o futebol tinha uma característica, agora tem outra. As pessoas apaixonam-se pelo jogo devido às suas características», destacou, antes do duelo contra Cabo Verde, marcado para a noite (23h00) deste domingo.
O treinador argentino fez, no entanto, uma distinção em relação a outras inovações. «Claro que a tecnologia como o VAR, nós elogiamos e valorizamos. A tecnologia oferece mais oportunidades. Há outra intenção para as pausas e as conclusões que estou a tirar aqui não são apenas minhas. Também faço eco do que ouço», acrescentou.
No plano desportivo, os uruguaios prepara-se para defrontar os cabo-verdianos, num grupo muito equilibrado onde todas as quatro equipas somam um ponto. Bielsa referiu que a sua equipa aprendeu com as dificuldades sentidas no empate a uma bola contra a Arábia Saudita, que apresentou um bloco defensivo baixo.
«Tivemos muita posse de bola e criámos muito poucas oportunidades na primeira parte», explicou, garantindo que a equipa já sabe qual a formação a utilizar: «Na segunda parte, a posse foi ágil e ofensiva, de natureza dinâmica e com um alto nível de mobilidade.»
Num momento mais descontraído, Bielsa foi questionado sobre a possibilidade de os seus jogadores fazerem uma tatuagem sua em caso de vitória no Mundial, à semelhança da promessa de Marc Cucurella, de Espanha, em relação ao seu treinador, Luis de la Fuente. A resposta de Bielsa foi curta e provocou risos: «Isso não vai acontecer.»