Treinador português do Flamengo responde, em entrevista ao jornal A BOLA.

«Bernardo é fantástico, parecido comigo», garante Jardim

Elogios a um jogador que muito trabalhou e que se despede como realeza do Manchester City. Recordações ainda de um Mbappé, que aos 16 anos, já tinha muito do que tem hoje

— O Pep Guardiola já lhe agradeceu ter trabalhado o Bernardo Silva para ele?

— Não, não, não, não agradeceu. Teve o Bernardo quando teve o [Benjamin Mendy]. Foi depois da nossa eliminação do City. Ele foi buscar dois jogadores ao Mónaco, nessa altura em que ele verificou o talento que estava nessa equipa.

— E como é que olha para esta despedida emocional do Bernardo Silva como jogador consagrado na Premier League, como é que vê este sucesso de um jogador que tem muito de si, de todos os anos em que trabalhou com ele?

— O Bernardo é um jogador fantástico e um jogador de que gosto muito. Pelas suas qualidades futebolísticas, mas principalmente pelas suas qualidades humanas, não é? É um jogador que também não precisa também dos media, não precisa de se expor. É um jogador que faz o seu trabalho. Não precisa de ser o mais bem vestido da rua. E ele, depois do futebol, vive os seus momentos com muita tranquilidade e, por isso, até em termos de perfil, temos algumas semelhanças. Por isso é que, além de futebolista, é fantástico. Como pessoa, gosto muito.

Eu sou daqueles que ajudo e já ajudei dezenas de jogadores a chegar a alto nível, mas não sou o responsável. Os responsáveis são os próprios jogadores, eles é que são capazes de chegar lá, eles é que trabalham, eles é que têm os seus dons e as suas características, que lhes permitem alavancar para um alto nível

— Este Mbappé já se via no seu tempo?

— Todas as características que ele está a mostrar já as tinha aos 16 anos, quando começou a jogar pela equipa principal do Mónaco. Claro que ganhou maturidade em termos estratégicos. Foi esse o grande trabalho que tivemos com ele no primeiro ano e meio em que ele esteve connosco, porque era um jovem que vinha da formação. Nós jogávamos com dois avançados, ele e o Falcao. Ou ele e o Valère [Germain]. E para jogar com dois avançados é preciso haver alguma disciplina tática. E ele evoluiu muito a esse nível em termos de organização de jogo e de entender o jogo, porque a seguir todas as características que ele tem hoje em dia já as tinha nessa altura, que era a explosividade, a capacidade de finalização, de um para um. Ele era muito bom. Eu sou daqueles que ajudo e já ajudei dezenas de jogadores a chegar a alto nível, mas não sou o responsável. Os responsáveis são os próprios jogadores, eles é que são capazes de chegar lá, eles é que trabalham, eles é que têm os seus dons e as suas características que lhes permitem alavancar para um alto nível. Não sou daqueles a dizer que estão lá graças a mim. Não, eu fui simplesmente uma pessoa que passou no seu caminho e os ajudei a expor aquelas que são as suas melhores qualidades.

Mesmo quando treinei equipas pequenas era para ganhar: a Camacha para jogar na frente, o Chaves e o Beira-Mar para subir de divisão, e o SC Braga para jogar para o pódio. Claro que eram organizadas e defensivamente robustas, mas em termos ofensivos também eram dinâmicas

— O seu Mónaco era uma equipa ofensiva, mas muito bem organizada, como sempre. Acha que o futebol ofensivo é um futebol defensivo bem executado?

— O futebol ofensivo é um futebol que cria situações ofensivas, situações de finalização, situações de situações de golo…

Leonardo Jardim prepara-se para lançar Kylian Mbappé diante do CSKA Moscovo na Liga dos Campeões
Leonardo Jardim prepara-se para lançar Kylian Mbappé diante do CSKA Moscovo na Liga dos Campeões

— Mas que parte de uma grande estabilidade…

— Claro que se tu te expores pouco no jogo, talvez vais defender melhor, mas vais atacar menos. E, muitas vezes, quanto mais te expores, mais vais atacar. Mas também o adversário vai ter alguns espaços para atacar. Por isso, eu penso que tem de haver sempre um equilíbrio. Eu muitas vezes exponho-me para criar mais, mas sofro alguns ataques dos adversários, faz parte do futebol. Acho que somos assim… Contra equipas todas atrás da linha da bola, que não atacam, que estão à procura de uma bola parada para resolver o jogo ou de uma bola na frente. As minhas equipas nunca jogaram assim, mesmo aquelas quando eu comecei a minha carreira, porque tive equipas pequenas, mas eram equipas para ganhar. A Camacha era para jogar na frente, o Chaves foi para subir de divisão, o Beira-Mar foi para subir de divisão. O SC Braga para jogar para o pódio. Todas essas equipas tinham um volume ofensivo grande. Claro que eram organizadas e defensivamente eram robustas, mas em termos ofensivos também eram dinâmicas.

*A BOLA viajou a convite da Betano

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