«Falta de tempo para treinar é falsa questão»
— O Leonardo traz a experiência do clube anterior, mas como é que se trabalha com um calendário tão exigente como este, em que praticamente não se treina conceitos, treina-se para recuperar e há um ou outro treino em termos mais estratégicos?
— Isso é uma falsa questão. Quando a gente diz “não se treina”, a gente treina mais do que realmente uma vez por semana…
— Pelo menos é uma queixa recorrente, não é?
— O que é que acontece? Temos de ter a capacidade de associar conceitos, isto é, muitas vezes estamos a fazer o trabalho de recuperação, mas, ao momento, já fazemos um trabalho estratégico de planeamento do próximo jogo. Temos é que encontrar ali os ingredientes que nós precisamos. Com certeza que, se falarmos da vertente física, trabalho físico de três em três dias, às vezes não tem muito enquadramento principalmente para os jogadores que jogam, mas para os que não jogaram tem algum enquadramento em relação aos outros. Temos de trabalhar dentro do trabalho de recuperação, já temos que fazer um trabalho de ativação mental e também um outro de desenvolvimento da estratégia futura. Por exemplo, temos na sexta-feira 72 horas para recuperar, mas não vamos estar dentro do ginásio a recuperar. Vamos para o campo, vamos já trabalhar no plano de jogo. Algumas intensidades baixas, claro, porque os jogadores jogaram a menos de 48 horas. Mas é esta capacidade que o treinador tem de ter de colocar todos os ingredientes necessários de forma a não cansar os jogadores, com certeza, a respeitar os períodos de recuperação, mas ao mesmo tempo a preparar aquilo que será o desafio seguinte.
*A BOLA viajou a convite da Betano