Benfica: 'Rei dos Frangos' fixa preço para vender ações e diz ter «dois ou três» interessados
José António dos Santos, o segundo maior acionista da Benfica SAD, revelou à Bloomberg que tem «dois ou três investidores» interessados na sua participação de mais de 16% e que não aceitará menos de 15 euros por ação para a vender. O empresário do grupo Valouro negou ainda a existência de quaisquer negociações com o clube.
«Existem dois ou três investidores interessados na minha participação», afirmou José António dos Santos em entrevista telefónica à agência noticiosa, sem, contudo, revelar a identidade dos potenciais compradores. O empresário, conhecido como «Rei dos Frangos», estabeleceu um valor firme para a transação: «Tenho o meu preço alvo, que é de 15 euros por ação».
Este valor contrasta significativamente com a cotação atual dos títulos da SAD encarnada, que na sessão de quarta-feira recuaram 0,62%, fixando-se nos 6,52 euros.
Recorde-se que, em entrevista ao ECO, o vice-presidente e administrador financeiro do Benfica, Nuno Catarino, tinha admitido a possibilidade de o clube adquirir a posição de José António dos Santos, mas sublinhou que tal teria de ser feito a preços de mercado.
«A perspetiva do acionista é diferente», reconheceu Nuno Catarino, acrescentando: «Tem uma valorização que eu respeito e até posso concordar com ela. O Benfica vale muito mais do que o que está hoje na bolsa». No entanto, o dirigente explicou as limitações de uma tal operação. «Envolverá o sócio maioritário, tem esta limitação que não pode oferecer a um acionista condições privilegiadas. A implicação seria óbvia: teria de lançar uma OPA e, pelos valores de que se fala, teríamos de arranjar 100 milhões de euros».
No passado, José António dos Santos chegou a ter um acordo para a venda das suas ações por 12 euros ao grupo Entrepreneurial Equity Partners de Tim Lieweke. O negócio, porém, não se concretizou devido à oposição do Benfica, que considerou que a operação violava os estatutos do clube.
Sobre o fracasso desse negócio, Nuno Catarino explicou ao ECO que os investidores avaliaram a situação e concluíram que seria difícil cumprir as regras. «No limite, não conseguiam arranjar mitigantes suficientes para dizer que podiam cumprir as regras», detalhou o responsável das águias.