Benfica: poucos minutos para muitos miúdos
O Benfica registou na temporada de 2025/2026 uma das mais baixas taxas de utilização dos últimos dez anos no que toca a jogadores formados no clube.
Este cenário surge apesar de Bruno Lage e José Mourinho terem promovido e utilizado, ao longo dos 55 jogos oficiais da época, nada menos do que 16 atletas lapidados no Seixal.
Feitas as contas ao tempo de jogo global, conclui-se que apenas em 13,4 por cento dos 54.450 minutos totais da equipa (resultado da multiplicação de 55 jogos por 90 minutos e por 11 jogadores) estiveram em campo futebolistas da formação encarnada.
Houve 16 jogadores utilizados, é um facto, mas a verdade é que apenas dois se conseguiram afirmar como apostas seguras e indiscutíveis: os centrais António Silva e Tomás Araújo, que somaram, respetivamente, 3118 e 2750 minutos de competição. O terceiro elemento deste ranking, o guarda-redes Samuel Soares, não foi além dos 495 minutos, verificando-se ainda que metade desses 16 jogadores (oito, concretamente) nem sequer ultrapassou a barreira modesta dos 70 minutos em toda a campanha.
Estes dados contrastam visivelmente com o panorama registado nas quatro épocas anteriores, períodos em que múltiplos valores do Seixal superaram com regularidade a fasquia dos 1000 minutos em campo. Foi assim com António Silva, Tomás Araújo e Florentino Luís em 2024/2025; com António Silva, João Neves, Morato e Florentino Luís em 2023/2024; com António Silva, Florentino Luís, Gonçalo Ramos e Morato em 2022/2023; e, recuando um pouco mais, com Gonçalo Ramos, Morato e Diogo Gonçalves na já distante temporada de 2021/2022.
Por outro lado, seja por imperativos de ordem financeira e de tesouraria — que ditaram as vendas inevitáveis de ativos como João Félix, Rúben Dias, Gonçalo Ramos ou João Neves —, seja por flutuações no rendimento desportivo, tem sido raro encontrar atletas que permaneçam mais de três épocas consecutivas no plantel principal do Benfica. Nesse capítulo, as exceções recentes dão pelos nomes de Morato, com cinco temporadas consecutivas, e do quarteto Gonçalo Ramos, Rúben Dias, António Silva e Samuel Soares, todos com quatro épocas seguidas na equipa A.
Numa análise alargada ao ciclo compreendido entre os anos de 2017 e 2026, constata-se que apenas dez jogadores formados no Seixal ultrapassaram a barreira dos 2.500 minutos acumulados na equipa principal, somando todas as frentes de competição. O topo desta lista de longevidade pertence a António Silva (15526 minutos), Florentino Luís (12456) e Rúben Dias (12294). Seguem-se Tomás Araújo (7313), Morato (6431), Gonçalo Ramos (6314) e Ferro (5458), todos confortavelmente acima dos 5000 minutos, restando João Neves (4934), Diogo Gonçalves (4234) e João Félix (2864) para completar este lote restrito.
Olhando agora para o plantel que encerrou a temporada de 2025/2026, o grande ponto de interrogação prende-se com o espaço e o futuro que o clube irá reservar a jovens promessas como Daniel Banjaqui, José Neto ou Anísio Cabral. Trata-se de jogadores que já deram provas do seu enorme potencial nas seleções jovens nacionais, tendo-se sagrado campeões do Mundo no escalão de sub-17, aguardando agora por uma oportunidade firme de afirmação no palco principal da Luz.