Benfica: Mourinho como se calhar não o conhecia
José Mourinho, treinador do Benfica, esteve recentemente em Itália para participar numa iniciativa publicitária. Numa entrevista publicada pela Gazzetta dello Sport, o técnico abordou vários temas mais pessoais, curiosos, sem deixar de fora do futebol.
SER O SPECIAL ONE
«Por vezes é cansativo e até embaraçoso. Não gosto quando entro num restaurante onde não reservei e, magicamente, aparece uma mesa para mim. Penso que se não fosse quem sou, isso não aconteceria. É por isso que não gosto.»
LOCAIS PREFERIDOS EM MILÃO
«Digo San Siro, porque foi a minha casa e me deu muitas alegrias. Depois, o hotel Principe di Savoia, porque foi onde fiquei quando cheguei para assinar com o Inter, e, por fim, o Duomo, porque é o local da festa após uma vitória.»
A PESSOA
«Se tivesse de me contar como homem, começaria por um episódio do qual, obviamente, não me lembro. Nasci em casa e, nesse dia, o meu pai, que era futebolista, tinha um jogo. No momento do parto, ele regressou com todos os colegas de equipa, viu-me e depois foi jogar. Quem sabe, talvez seja por isso que decidi ser treinador.»
O TREINADOR
«Quando o meu chefe decidiu deixar o clube para dirigir a seleção holandesa [Van Gaal], tive de decidir se procurava outro chefe ou se arriscava, entre aspas, assumir uma equipa. Decidi que era o momento de arriscar.»
VITÓRIA QUE MAIS O ORGULHA
«A próxima.»
DECISÃO MAIS DIFÍCIL
«Deixar o Inter. Tinha acabado de vencer a Champions, depois do campeonato e da Taça de Itália na mesma época, e tinha sido muito duro. E porque depois fui para o Real Madrid.»
JOGO QUE GOSTARIA DE REPETIR
«Fomos eliminados por um golo-não-golo de Luis Garcia [meia-final da Champions de 2005, pelo Chelsea, frente ao Liverpool], com a bola a não entrar. Se houvesse a Tecnologia da Linha de Golo, teríamos vencido e ido à final.»
INTER
«Gosto de muitos jogadores deste Inter, mas nenhum teria jogado na equipa do Triplete. Amo o Lautaro, mas amo o Milito três vezes mais porque estou a falar de um dos homens do Triplete. O Milito foi um dos que mais me deu.»
RELAÇÃO COM AS CRÍTICAS
«Sou impermeável. O mais importante é saber o que se é, independentemente dos julgamentos alheios.»
JOGO BONITO OU RESULTADISTA?
«Gosto do jogista que ganha, não gosto do jogista que perde. A qualidade dos jogadores é mais importante que as ideias do treinador.»
ELEGÂNCIA
«Não gosto do treinador palhacinho, quando o treinador parece acabado de sair da escola, da discoteca ou do bar com os amigos. No relvado? Vem-me logo à mente Zidane. O Marco Materazzi vai zangar-se comigo, mas ver o Zizou jogar era uma beleza.»
CIDADE
«A coisa mais importante é estar onde estão as pessoas que amo, pode ser até no deserto do Saara. Mas, para mim, a cidade mais bonita do mundo é Roma.»