José Gandarez, vice-presidente do Benfica, fala do projeto que será discutido em AG marcada para este sábado

Benfica District: sócios votam o futuro

Este sábado, em Assembleia Geral

Os vice-presidentes Nuno Catarino, José Gandarez e Manuel Brito estiveram sexta-feira em conferência de imprensa para antecipar este sábado, dia em que os sócios do Benfica vão discutir e votar, em Assembleia Geral Extraordinária que decorrerá no pavilhão número 2, o projeto Benfica District. Trata-se de uma proposta apresentada pela Direção do clube para a requalificação do Estádio da Luz e da zona envolvente, pensada para criar uma nova centralidade de desporto, cultura, lazer e serviços.

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Votação eletrónica
A Assembleia Geral do Benfica tem a primeira chamada marcada para as 9h00 deste sábado. Após a apresentação do projeto Benfica District pela Direção, terá início a votação, que traz como grande novidade a opção eletrónica. A votação à distância encerra às 17h30, enquanto a votação presencial — no pavilhão número 2 — continuará caso tal se justifique.

Nuno Catarino, também CFO do Benfica, afirma que o feedback recebido de sócios e adeptos «é bastante positivo». O dirigente reforçou os pilares do projeto Benfica District, centrado num project finance autossustentável, com receita bruta anual potencial estimada em 37 milhões de euros, dos quais cerca de 24 milhões correspondem à margem de contribuição, já deduzidos os custos diretos de operação. O plano prevê manter todo o património na posse do clube, garantindo contratos de arrendamento e concessões antecipadas para reduzir o risco do investimento.

Investimento
O pacote financeiro do Benfica District prevê um investimento total de €75 milhões destinado às obras no interior do Estádio da Luz, aumentando a capacidade para 80 mil lugares, alguns deles em pé, e com rebaixamento do relvado para criar novo espaço útil. A requalificação da zona envolvente representará investimento adicional previsto de €220 milhões. O plano aponta para que o Benfica District esteja concluído até 2030 e que seja um projeto autossustentável, pago num prazo de 15 anos.

O dirigente destacou ainda que o Benfica District foi planeado para que, até à sua conclusão — prevista para 2030, ano do Mundial —, o clube possa continuar a investir no plantel de futebol e noutros setores, «sem peso na atividade corrente» do Benfica.

José Gandarez acrescenta que o financiamento do projeto está pensado para ser pago em 15 anos, ao contrário de outros clubes que o fizeram em prazos de 27 ou 30 anos. Explicou que o orçamento inclui contingência e que o Benfica «tem capacidade para gerir» o prazo e evitar recorrer a financiamento onde «não deve». Destacou ainda que o Benfica District «não vem para distrair, mas para construir o futuro», dotando o clube de ferramentas para competir, gerar receita e manter-se na vanguarda.

Transmissão 'streaming'
Os sócios poderão assistir em direto à AG através do site oficial do clube (na área reservada aos sócios) ou na aplicação móvel do Benfica. O acompanhamento em streaming garante transparência e proximidade entre o clube e os associados.

Segundo Gandarez, o Benfica District «vai mudar radicalmente a experiência dos adeptos e sócios», potenciando a capacidade desportiva e comercial do clube. A experiência do adepto será «diária, e não apenas em dia de jogo», com uma oferta diversificada «não apenas desportiva, mas também cultural e comercial».

O plano inclui a criação de novos pavilhões, espaços comerciais e restaurantes na zona envolvente do Estádio da Luz.

Equipamentos
Para a zona envolvente da Luz estão previstos um pavilhão multiusos com capacidade para 10 mil pessoas, dois pavilhões interiores de última geração, nova piscina, um teatro e espaço de eventos com capacidade para 500 pessoas, uma nova praça em frente à fachada principal do estádio inspirada nas praças cívicas de Lisboa, lojas e restaurantes com esplanadas, reposicionamento da estátua de Eusébio para a entrada principal da nova praça, zona de escritórios e vários outros equipamentos.

A requalificação do estádio também está contemplada, prevendo-se o aumento da capacidade para 80 mil espectadores. José Gandarez comparou o momento atual ao da construção do novo estádio, recordando as dúvidas da época, mas sublinhando que «se o Benfica hoje fatura 300 milhões sem vendas de jogadores, é também pelo impacto do estádio».

Estádio não vai parar
O Benfica District foi desenhado para garantir o funcionamento contínuo da Luz, assegurando que a equipa não necessite de jogar fora durante as obras. Não é projeto fechado, mas está pronto para que seja entregue na Câmara o pedido de alteração de loteamento.

O dirigente conclui que, «daqui a alguns anos, os benfiquistas reconhecerão o Benfica District como uma necessidade que vai aumentar a receita e projetar o clube para o futuro».

Melhorar Lisboa
Além do objetivo desportivo e financeiro, o Benfica District visa também gerar benefícios sociais e ambientais duradouros para Lisboa e para a comunidade envolvente. Inclui melhorias nos acessos rodoviários e nos transportes públicos, bem como novas vias para bicicletas.

Nuno Catarino reforça: «É importante analisar o projeto à luz do seu mérito e compreender o que ele representa para o futuro do Benfica