José Mourinho admitiu que ficou «desiludido» com o treinador-adjunto e antigo jogador dos azuis e brancos

Bicicletas, motas, Ferraris, McLarens e... música: tudo o que disse Mourinho

Treinador do Benfica reagiu ao empate com o FC Porto

— Que opinião tem do jogo e do último lance (protestos de penálti)?

— Não vi. Já não estava no banco, não tive ocasião de ver na televisão e não quero cometer o erro que cometi na semana passada, pedir penálti e depois não era. Mas gostava de falar da minha expulsão. O árbitro diz que me expulsou porque eu rematei uma bola para o banco do FC Porto, o que é completamente falso. Não sei se foram três, quatro ou cinco, mas já fiz muitas vezes no Estádio da Luz: golo nosso, bola para a bancada. Uma maneira de celebrar e dar uma bola ao sortudo adepto. Eu sei que tecnicamente não sou muito bom, mas não... era para a bancada. E um elemento do banco do FC Porto [Lucho González], que também foi expulso, no túnel chamou-me 50 vezes traidor. Eu gostava que ele me explicasse: traidor de quê? Estive no FC Porto, dei a minha alma. Fui para o Chelsea, dei a minha alma ao Chelsea. Dei a volta ao mundo e dei a minha alma, a minha vida, 24 horas todos os dias. A isto se chama profissionalismo. Uma coisa são os insultos dos adeptos, é futebol. São os mesmos que há anos se ajoelhavam aos meus pés, agora insultam-me, não há problema nenhum. Mas um colega de profissão chamar-me traidor? Não gostei. E fui mal expulso. O 4.º árbitro fez um trabalho péssimo durante todo o jogo e quando diz ao árbitro que eu tinha rematado uma bola na direção do banco do FC Porto. Quanto ao jogo, estiveram mais perto de ganhar do que nós. Pode gostar-se muito, menos ou detestar, mas construíram equipa com uma ideia: o perfil de jogador é para aquele modelo de jogo, é equipa de uma fisicalidade tremenda. Tem quatro alas, qual deles o mais rápido. E são muito superiores a nós na intensidade do jogo. O melhor jogo que fizemos contra o FC Porto foi o da Taça de Portugal, porque jogámos com Aursnes e Barreiro, tivemos muita bola e perdemos muito pouca bola. Quando perdes muita bola, vais correr atrás deles, só que eles vão de mota e tu vais de bicicleta. O perigo esteve sempre ali. No 2-0 podia ter aparecido o 3-0, no 2-1 podia ter aparecido o 3-1. Eles fizeram o jogo que queriam fazer e levam um resultado bom para eles, mas eu acho que eles vieram para ganhar. Apanharam-se em vantagem e são peritos na gestão do jogo, dos tempos, faltas, cartões, no protesto. E depois levam o João Pinheiro atrás. Fizemos péssima primeira parte. Senti-me muito limitado: uma coisa é jogar com Aursnes e Barreiro e outra com Enzo e Ríos. Perfil é diferente. Estando limitado com as minhas substituições, porque o Barreiro não podia jogar mais do que 10/15 minutos — e foi ele próprio que definiu timings: 'Mister, 10/15 numa situação limite, não mais do que isto'. Sudakov igual ao Barreiro. E o Lukebakio ainda sem condições para eu o meter ao intervalo. Não quis que a equipa pensasse 'agora vamos chegar ali e vamos partir o jogo e vamos rebentar com eles'. Não vamos rebentar nada com eles. Eles é que rebentavam connosco se nós não fôssemos equilibrados. E eles trocam os dois alas e tiram dois Ferraris para meterem dois McLarens. Se fizéssemos o 2-1 o jogo poderia mudar, como mudou. Foi coração, foi orgulho, desejo de ganhar. Mas eles foram mais fortes do que nós.

— Está na luta pelo título? E falou com Rui Costa sobre renovação?

— Não tive nenhuma conversa nesse sentido. A classificação não se altera, mas já não jogamos com o FC Porto, já não podemos recuperar diretamente pontos. Considero difícil a recuperação de sete pontos. É muito fácil identificar como o FC Porto joga, é muito difícil jogar contra eles. E perderem pontos não me parece que seja fácil. Enquanto matemática é matemática, tudo pode acontecer.

— Quem lhe chamou traidor?

— Lucho [González]. Chamou-me 20 ou 30. Traidor de quê? Ele quando foi para o Marselha traiu o FC Porto? Podia ter-me insultado de outra maneira, talvez aceitasse melhor, mas é ataque ao meu profissionalismo que prezo tanto. Fiquei um bocadinho desiludido, é profissional como eu.

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— Porquê a má primeira parte?

— Conseguiram marcar uma superioridade, muita bola perdida.Se não tens grande controlo do jogo e se entras na parada e resposta não tens hipótese, fizemos isso na primeira parte. O segundo golo que nós sofremos é absolutamente ridículo. É o ala esquerdo do FC Porto num um contra um com o central esquerdo do Benfica. Onde é que estava o lateral direito, o central do lado direito e o médio do duplo pivot? O médio do lado direito? Tem que vir o central do lado oposto fazer uma diagonal para fazer um contra um dentro da área com um jogador criativo, rápido. Cometemos erros. Eu estava a ver a flash do Farioli e ele disse 'tivemos quatro ou cinco situações em campo aberto'. É verdade. Não foram situações de golo porque não conseguiram ser eficazes como o miúdo Pietuszewski. Não gosto nada de o fazer, mas a coisa é tão óbvia que tenho de o fazer: sem Aursnes a nossa música é diferente.