Filipe Mesquita, 41 anos, abraçou o desafio com todas as forças e logrou levar o emblema de Viana do Castelo ao terceiro escalão do futebol nacional - Foto: Vianense
Filipe Mesquita, 41 anos, abraçou o desafio com todas as forças e logrou levar o emblema de Viana do Castelo ao terceiro escalão do futebol nacional - Foto: Vianense

Filipe Mesquita: «O objetivo nunca foi a subida»

Técnico levou o Vianense do Campeonato de Portugal à Liga 3. Das dificuldades iniciais à crença no trabalho que redundou em... sucesso. Louros distribuídos por estrutura e jogadores

Ter algumas reservas e enfrentar o desafio... não é para todos. Mas Filipe Mesquita foi à luta e conseguiu algo que muitos acharam ser impensável, a promoção do Vianense à Liga 3. A hora é de festejar.

— A época não começou da melhor maneira. Por que razão?

— Começámos muito mais tarde do que as restantes equipas porque a SAD foi adquirida tardiamente, por um grupo de investidores e nós só fomos contratados a 13 de julho e começámos a trabalhar a 15. Quando começámos, só tínhamos 11 jogadores, muitos deles à experiência e a maioria não ficou. Depois também tivemos várias lesões. Partimos para as primeiras jornadas a jogar com muitos jogadores da equipa B e outros que ainda não estavam bem fisicamente. Acabámos por andar sempre a correr um bocadinho atrás do tempo. Só quando as coisas estabilizaram, no final do ano, é que começámos realmente a conseguir refletir o trabalho em resultados. A partir daí, começámos a engatar, ainda fomos a tempo.

— Como motivou os jogadores e lhes fez acreditar que era possível?

­— Acho que a parte da motivação parte de dois pontos. Em primeiro, temos um grupo de jogadores muito profissionais, muito sérios e que sabiam que tinham de trabalhar no duro. Da parte da equipa técnica, também sentiram que nós nunca largámos, fomos sempre muito sérios, muito organizados, a exigir o máximo deles e os jogadores perceberam que essa era a nossa batuta. Depois, as coisas acabaram por se acertar e eles acabaram por perceber que ainda era possível.

— Quando foi o momento de viragem para os bons resultados?

— Depois da derrota no final da primeira volta, contra o Limianos, em que ficámos abaixo da linha de água. Após esse jogo tivemos uma conversa muito séria entre jogadores e equipa técnica e percebemos que iríamos ter de ser a melhor equipa da segunda volta. O jogo seguinte foi contra o Chaves, que estava em segundo lugar, e ganhámos de forma meritória. Acho que aí a equipa começou a sentir que era possível atingir esse objetivo de fazer uma segunda volta muito melhor do que a primeira.

Técnico foi levado em ombros pelos jogadores - Foto: Vianense

— Por que motivo decidiu abraçar o projeto do Vianense?

— Porque estava disponível no mercado e à procura de um bom projeto. Mas, para ser sincero, quando surgiu a proposta do Vianense não estava inclinado para aceitar porque a pré-época já tinha começado e, normalmente, quando surgem projetos neste estado não é muito bom sinal. No entanto, depois de reunir com a estrutura, percebi que era algo com pernas para andar.

— O objetivo era a subida?

­— Não, o objetivo nunca foi a subida. Era impossível, depois de termos entrado tão tarde e só com 11 jogadores. O objetivo era consolidar o clube no primeiro ano e atacar a subida no segundo. Felizmente, conseguimos subir logo.

Pessoas do clube são sérias, trabalhadoras, competentes e têm uma visão clara para aquilo que querem.

— As equipas que treinou nas duas últimas épocas, Vianense e Leça, subiram à Liga 3. Teve dedo?

— O Leça teve todo o mérito em subir este ano com as pessoas que lá tem e com a equipa técnica, que é muito competente. Se ainda revejo comportamentos que nós deixámos, não posso mentir e tenho que dizer que sim. Mas tiveram todo o mérito em subir e deram o passo que tinham que dar em termos de contratações e organização.

O mister do Leça foi seu jogador... Isso pode ter tido alguma influência também? 

O Mika foi meu jogador dois anos. É normal, porque um treinador acaba por ir buscar muito daquilo que viveu enquanto jogador. Acredito que haja algumas coisas que ele tenha seguido e outras coisas que foi do seu cunho pessoal. O Mika é um treinador com muito potencial, foi dos melhores capitães que tive e sempre teve essa característica de liderança muito vincada. Além disso, é uma pessoa excelente, muito calma e merece todo o sucesso que está a ter. 

«Estávamos na zona de descida e propuseram-nos a renovação» 

Naquele período em que os resultados foram menos positivos, alguma vez teve o lugar em risco?

Nunca senti o lugar em risco, internamente. Sabemos que no futebol os treinadores estão sempre a prazo. Costuma-se dizer que só há dois tipos de treinadores: os que nunca foram despedidos e os que ainda estão para ser despedidos. Mas nunca sentimos o lugar em risco, tanto que em dezembro estávamos na zona de descida e propuseram-nos a renovação e eu acho que foi a maior prova de confiança que nos puderam dar nessa altura.

Sentiu os adeptos ligados à equipa?

Sempre. Os adeptos foram uma das grandes forças da equipa. Durante grande parte da época, foram o ponto positivo do clube já que a equipa, em termos de resultados, não estava a conseguir corresponder. Nunca sentimos descontentamento da parte deles. Também perceberam como é que a época começou e perceberam que ia ser complicado e que, se calhar, íamos estar a lutar para não descer. Mesmo assim, sempre nos acompanharam e nos tentaram motivar.  

Golos: apenas mais um dia no escritório

Sempre a faturar. Assim esteve o Vianense na época 2025/2026. Logo na primeira fase, na Série A, a equipa orientada por Filipe Mesquita apontou 49 golos em 26 jornadas, registo igual ao do Alverca B, na Série D, e apenas superado pelo Leça (50), na Série B.

Nesse período, Joel Silva esteve em plano de evidência, ao assinar 14 tentos. Já na fase de subida... mais do mesmo: um Vianense sempre de olhos nas balizas contrárias. Foi sem surpresa que os minhotos chegaram aos 11 golos em seis rondas, ficando (novamente) apenas atrás do Leça (12).

Falando no mais importante do futebol, é caso para dizer que golos para o Vianense é apenas mais um dia no escritório. Sempre em festa, portanto.

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