Rafael Leão não se está a ajudar a si próprio — Foto: IMAGO
Rafael Leão não se está a ajudar a si próprio — Foto: IMAGO

O Chile que não é a Colômbia e Portugal que ainda não se escreve com todas as letras

Portugal está ainda algo distante do seu potencial e da consistência que se exige a um campeão do mundo. O jogo com o Chile serviu para pouco, mas agora todos os próximos minutos contam.

Chega ao fim o Portugal-Chile. O embate de um candidato ao título mundial com o último classificado da zona sul-americana de apuramento, que já não vê uma fase final desde 2014 e atravessa uma crise geracional, provocada pela quebra de investimento na formação, pelo esticar para lá dos limites da geração de ouro e até pelas consequências de uma pandemia que não deu futuro a muitos de 17, 18 e 19 anos. Termina 2-1 diante da falsa-Colômbia, com uma erosão acelerada nas bancadas a partir dos 60', quando estas perceberam que Ronaldo não tinha voltado do intervalo e começaram a pesar na balança o tempo que ganhariam se saíssem mais cedo. Então, porque lá foram?

Para Martínez, a Seleção esteve bem. Mesmo que na primeira parte tenha criado apenas duas oportunidades, uma num canto, por Rúben Dias, e outra num lance rápido de Rafael Leão, que embateu no poste. Em que, por cúmulo, perto do fim, o mesmo Leão, aquele que mais precisava de moral, de aumentar níveis de confiança, depois de uma época a avançado-centro, a ser alvo de muitas críticas e a pensar em mudar de ares, tenha sido expulso. Perdeu a cabeça, confirmando o dificil momento que atravessa. Imagino que saiba que precisaremos dele.

Com 10 para 10, o jogo tornou-se caótico. A razão de ser perdeu-se. Com espaço, Portugal marcou dois golos, por Guedes e Bruno Fernandes, porém podia ter marcado mais. E ainda consentiu um. Também poderia ter sofrido mais. Mas a questão que fica é: será que teríamos vencido 11 para 11? Nunca iremos saber.

É apenas o primeiro ensaio e não há dramas. Faltavam ainda jogadores que serão ou terão de ser certamente nucleares, como João Neves e Vitinha. Logo, é certo que iremos melhorar. Até que ponto, não o sabemos. E o jogo do Jamor não mostrou que estamos no bom caminho. Ou nos desviámos para um mau. A partir do momento em que abriu o espaço, as duas equipas desataram a correr para a baliza adversária e a que conseguiu marcar mais vezes foi aquela que tinha mais talento.

Há relacionamentos que precisavam de ser continuamente trabalhados e não estão hoje melhores. Leão e Cancelo ainda esboçaram entendimentos, mas do outro lado Conceição e Semedo quase não ligaram um ao outro. O meio-campo foi demasiado heterogéneo e há que ver Bernardo com João Neves e Vitinha no meio, e Bruno mais à frente. Por isso, para que serviu realmente o jogo? E em que é que Colômbia e Chile são parecidos?