Dragões destacou exibição rubricada pelos azuis e brancos no Estádio da Luz, mas admitiu que ganhar «era o cenário ideal»

A falta de eficácia, expulsão de Mourinho e nada decidido: o que disse Farioli

Declarações do treinador do FC Porto na sala de Imprensa do Estádio da Luz

— Este não era, com certeza, o resultado que procurava...

— A 1.ª parte foi muito boa. Acho que tivemos um bom domínio da bola e conseguimos gerir bem todas as situações. Viemos para ganhar e a abordagem foi bastante clara. Mas a falta de eficácia levou a que não conseguíssemos o resultado que queríamos. As coisas são como são. Foi claramente uma melhoria. Viemos com uma equipa muito jovem, acho que a média era de 23 anos. Os golos foram marcados pela próxima geração de jogadores. Muitas coisas boas por um lado, o resultado não. Agora é importante preparar o próximo jogo.

A falta de eficácia levou a que não conseguíssemos o resultado que queríamos. As coisas são como são.

— O que faltou ao FC Porto, maior experiência, raça ou mais vontade de ganhar?

— Começámos com uma equipa muito jovem, mas a exibição foi muito boa. Não nos podemos esquecer que o nosso adversário já marcou quatro golos ao Real Madrid. Estar a ganhar 2-0 ao intervalo é algo de realçar, frente a uma equipa que ainda não perdeu na Liga esta época. Quase que vencemos. Há uma grande desilusão por não termos conseguido o resultado, até porque houve oportunidades mais do que suficientes para decidir o jogo.

Estar a ganhar 2-0 ao intervalo é algo de realçar, frente a uma equipa que ainda não perdeu na Liga esta época

— Para si, o lance no final entre Diogo Costa e Pavlidis é penálti?

— Pelas imagens que vi, para mim é claro que a decisão do árbitro é correta.

O FC Porto não explorou o empate do Sporting em Braga e, mais uma vez, deixou-se empatar nos últimos minutos. Isto faz com que tema o cenário que viveu na época passada, no Ajax?

— São cenários completamente diferentes. Claro que é triste perder pontos como perdemos frente a Sporting e Benfica, mas uma vitória hoje não ia fazer com que o trabalho ficasse resolvido. Ainda há 27 pontos para disputar e isso vai exigir atenção num campeonato muito competitivo, frente a adversários muito motivados. Vamos passo a passo, jogo a jogo, com o foco certo, tal como tivemos até agora. Não devemos subestimar o facto de, nos jogos com os nossos rivais diretos, não termos perdido. Isso é também algo de realçar. Vamos seguir em frente e a nossa mente tem de estar no jogo com o Estugarda.

[Expulsão de Mourinho] Honestamente não percebi muito bem o que aconteceu. Estava muito desiludido pelo golo sofrido e não percebi bem o que se passou nas minhas costas

Tem a melhor defesa da Liga. Como explica que hoje o FC Porto tenha sofrido dois golos a vencer por 2-0? O que percebeu da expulsão de Mourinho?

— Em relação aos cartões vermelhos, honestamente não percebi muito bem o que aconteceu. Estava muito desiludido pelo golo sofrido e não percebi bem o que se passou nas minhas costas. Quanto à primeira parte da pergunta, claro que não queríamos sofrer golos. Acho que defendemos bastante bem, tendo em conta a qualidade dos jogadores do Benfica, mas é normal que consigam fazer algo. O Lukebakio é um grande jogador, com grande impacto, tal como o Ivanovic. Entraram com a energia certa e isso fez-nos sofrer um pouco. Depois tivemos a oportunidade de manter o resultado, mas às vezes temos de aceitar o que acontece dentro de campo e hoje é um desses exemplos.

Faltam 27 pontos para disputar e ainda muita coisa pode acontecer. Claro que ter mais dois pontos, ganhando o jogo hoje, era o cenário ideal, mas também é verdade que temos de assumir a responsabilidade. Quando tens sete, oito oportunidades para matar o jogo, dois contra um, três para dois, na área adversária e não marcas...

É mais preocupante ter perdido dois golos de vantagem frente a um candidato, ou a oportunidade de quase o eliminar da luta pelo título?

— Eliminar, não. Sem dúvida que não. Faltam 27 pontos para disputar e ainda muita coisa pode acontecer. Claro que ter mais dois pontos, ganhando o jogo hoje, era o cenário ideal, mas também é verdade que temos de assumir a responsabilidade. Quando tens sete, oito oportunidades para matar o jogo, dois contra um, três para dois, na área adversária e não marcas... é o futebol. Falhas as oportunidades e pagas o preço, e foi isso que aconteceu hoje. Fora isso, a exibição foi fantástica, na primeira parte dominámos a bola, o primeiro golo é uma ação muito boa, com não sei quantos passes, e acabam dois médios em frente ao guarda-redes, não é fácil fazer isto contra um adversário destes, que marcou quatro golos ao Real Madrid há dias e no play-off levaram-los ao limite. É preciso respeitar o nosso adversário. Não era o resultado que queríamos, mas vamos aceitar e seguir em frente.

Sentiu a falta do Pepê na 2.ª parte?

Queria terminar o jogo com onze. Foi isso que me levou a fazer as duas substituições [no intervalo].

— Com o Pepê, tínhamos de o fazer, por causa do cartão amarelo e especialmente por causa da gestão física. Há uns dias jogou mais de 100 minutos em duas posições diferentes, com um sprint de 80 metros para trás no último lance do jogo, portanto chegou ao jogo de hoje no limite. Quando o William [Gomes] entra costuma trazer energia e tem jogado muito bem, portanto tenho muita confiança em todos os jogadores que tenho à disposição. O Gabri [Veiga] também saiu por causa do cartão amarelo, um jogo em campo aberto podia exigir uma intervenção de amarelo e queria terminar o jogo com onze. Foi isso que me levou a fazer as duas substituições.