Belmiro Pinto dos Santos aborda o futuro do atual técnico dos conquistadores e explica por que razão não vê necessidade de ter um diretor desportivo

Belmiro Pinto dos Santos: «Não precisamos de diretor desportivo, é absolutamente inútil»

O candidato da Lista A afirma ter alternativas a Gil Lameiras e considera que «há algum analfabetismo funcional» em certas Direções dos conquistadores. Manuel Machado faz parte da equipa do advogado

Em entrevista a A BOLA, o antigo presidente da Mesa da Assembleia Geral do Vitória de Guimarães admite que conhecer bem a realidade do clube pode ser benéfico. Ainda assim, acha que o fundamental é ter o conhecimento adequado sobre os adeptos vitorianos.

- Consigo qual será o futuro do técnico Gil Lameiras?

- O Gil Lameiras tem contrato. Eu não sei exatamente qual é a posição dele, não sei se ele tem algum interesse em manter-se, se tem outros convites. Eu não sei exatamente o que é que ele pretende e, assim sendo, tenho de ter alternativas, porque estamos num momento complicado: eleições a 13 de junho, tomada de posse eventualmente a 19... Portanto, teremos logo de começar a trabalhar no sentido de preparar a época, o que será fundamental, para agilizar o trabalho com o treinador, uma vez que terá de ajudar a construir a equipa.Temos muita gente referenciada, temos estado a trabalhar, juntamente com o professor Manuel Machado - uma pessoa que conhece muito bem o futebol nacional, é vitoriano e vimaranense - e também com aquele que será o vice-presidente para o departamento de futebol. Nós não teremos diretor desportivo — isto é ponto assente. Mas, entre nós os três, já estamos a temos muitos jogadores referenciados.

- Quem irá assumir as funções de diretor desportivo, não havendo diretamente esse cargo?

- Não necessitamos. É tão simples como isto. Um diretor desportivo tem um determinado tipo de funções. Para essas funções, este grupo consegue exercê-las com facilidade. Eu não tenho nada contra os diretores desportivos, nem qualquer tipo de estigma, até porque podem ser importantes em determinadas estruturas que tenham pouco conhecimento sobre futebol, mercado e poucos contactos para trabalharem na área. No entanto, com o grupo que tenho isso não acontece e, portanto, não vale a pena estar a desperdiçar fundos com um cargo que é absolutamente inútil.

Há algum analfabetismo funcional nas Direções do Vitória.

- Acha que o facto de conhecer bem a realidade recente do clube joga a seu favor?

- Essa questão da experiência é importante - o ter a noção daquilo que é, da dimensão e das exigências do Vitória é fundamental -, mas a apreensão destas características não se adquire apenas estando a exercer funções. Não deixa de ser importante ter mais ou menos a noção de como é que funciona uma SAD de um clube da dimensão do Vitória, mas mais importante eu acho que é ter conhecimento sobre aquilo que são as características do vitoriano. E uma das grandes dificuldades de muitas direções é não saber interpretá-los. Há aqui algum analfabetismo funcional, sem ser depreciativo, mas não conseguem perceber que o Vitória é um clube grande. É fácil teorizar sobre a dimensão do clube, mas depois na prática é difícil compreendê-lo. Se as pessoas tiverem uma perspetiva histórica dos últimos tempos, salvo uma exceção ou duas, quase todos os presidentes tiveram que se demitir - e não apenas pela situação interna, mas muito devido àquilo que é a relação entre a direção e a massa associativa.

- Que ideias destaca do seu programa eleitoral?

- O fundamental é a alteração do paradigma de gestão. O Vitória tem que apostar muito no futebol para ter resultados desportivos e, com os resultados desportivos, teremos resultados financeiros. Terá de haver um corte radical naquilo que é esta estrutura de gastos excessivos que anda à volta do futebol.

- Acha que então o grande problema está aí atualmente?

- O grande problema está aí. O grande problema está no facto de não se entender que a situação financeira do Vitória implica uma gestão de muito rigor. Temos de dar a imagem desde cima até baixo que tem que haver muito rigor na gestão. Terá de haver um corte substancial naquilo que são as despesas e tentar potenciar aquilo que existe nas receitas. Se calhar, fazer uma exploração daquilo que é a parte comercial do estádio, potenciada por uma empresa da especialidade — com quem já estamos a negociar. Tentar aumentar ao máximo as receitas por aí e depois fazer aquilo que deve ser feito em termos desportivos no futebol: gestão rigorosa em contratações, em termos de despesas, nos salários e naquilo que é a estrutura que anda à volta do futebol.

Não dependemos minimamente da V Sports.

- O que o distingue dos outros candidatos?

- Em termos de projeto, sem desrespeitar o dos restantes candidatos, acho que é o único que é concreto, exequível e fácil de entender: há um investidor - que vem investir no Vitória, quer uma política de gestão muito rigorosa, tem uma estratégia delineada a médio-longo prazo e, portanto, quer ter o devido retorno - e isto não existe nas outras candidaturas. Um dos objetivos do investidor é, no futuro, excluir por completo qualquer tipo de empréstimo, seja ele qual for. Portanto, isto distingue-se daquilo que são os programas das outras candidaturas. Dir-me-á: mas há aqui uma possibilidade da V Sports. Bem, mas essa possibilidade é uma possibilidade secundária, não é? Não estamos minimamente dependentes daquilo que poderá ser a posição da V Sports, o que parece que, em algumas candidaturas, há essa dependência sem saber exatamente o que é que a V Sports diz sobre o assunto. Não dependemos minimamente de alguém que nada diz em relação ao assunto.

- Quer traçar alguma meta para o plano desportivo?

- O Vitória tem sempre que lutar pelos cinco primeiros lugares. Não tem alternativa. Para além da dimensão histórica e social que tem, o objetivo do Vitória, desde que eu me lembro de ser sócio e adepto, é tentar atingir um lugar que permita ir às competições europeias. E isto, do ponto de vista financeiro, é a única solução. É a única hipótese do jogador do Vitória estar num palco que permita transferências de valores elevados, para resolver parte daquilo que são os problemas das despesas correntes. Aliás, nestes últimos quatro anos, o Vitória conseguiu o maior número de valor em termos de transferência exatamente quando teve uma performance muito boa na Liga Conferência. Se o Vitória se coloca em determinado palco, depois é relativamente mais fácil fazer as transferências de que necessita. No fundo, é inverter o modelo atual.

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