Belmiro Pinto dos Santos: «António Miguel Cardoso até começou bem, mas depois…»
Em entrevista a A BOLA, o concorrente pela Lista A à presidência do Vitória de Guimarães explica o que o moveu a voltar a candidatar-se a um cargo nos órgãos sociais do emblema vimaranense.
- Qual foi o momento exato em que decidiu avançar e porquê?
- Foi mais do que um momento. Foi a reunião daquilo que acho que são os três pressupostos fundamentais para avançar com uma candidatura para um clube como o Vitória: o facto de ter condições pessoais para o efeito — familiares e profissionais; o facto de haver uma necessidade - e, aí, houve uma demissão dos órgãos sociais do Vitória e, portanto, eleições antecipadas; e depois o facto de ter uma visão e um programa para o Vitória e ter tido também a felicidade de reunir pessoas à minha volta para executar esse mesmo projeto. Além disso, houve um potencial investidor no Vitória, que me motivou a avançar. Nesta conjuntura, em que também são de conhecimento público as dificuldades de natureza económico-financeira do Vitória, é fundamental ter este tipo de apoio.
- Quando é que esse investidor entrou em contacto consigo?
- Em finais de 2025. Portanto, a ideia inicial seria criar um projeto para haver uma candidatura em 2028, mas, como houve esta demissão, antecipámos o projeto e acelerámos a candidatura.
- Antes de explorarmos a questão do investidor, pergunto-lhe como viu a gestão de António Miguel Cardoso?
- Foram dois tipos de gestão um bocadinho diferentes. Eu acho que o primeiro mandato foi razoável. Aliás, começou muito bem, o passivo até foi reduzido no primeiro ano e depois a coisa começou a resvalar um bocadinho. Mas o que eu acho que correu efetivamente mal foi neste último mandato, em que mudou completamente de paradigma de gestão, nomeadamente aquilo que é a gestão desportiva e a ligação com a gestão financeira. Começou a dar-se primazia àquilo que era a resolução dos problemas financeiros do que fazer uma coordenação entre aquilo que é o projeto desportivo e o projeto financeiro. Acho que, ao ter uma estratégia em que a primazia é dada à resolução dos custos, é óbvio que se tem dificuldade em sustentar o projeto desportivo.
Houve algum desagrado da minha parte.
- Foi presidente da Mesa da Assembleia Geral nesse primeiro mandato de António Miguel Cardoso [2022-2025]. Houve alguma cisão entre os dois?
- Esta ideia de que a parte desportiva deve sustentar a estrutura financeira. Eu acho que deve ser exatamente ao contrário. O Vitória tem de ser um clube disponível para vender, mas nós não podemos criar uma equipa exclusivamente para vender, porque, se assim for, corremos o risco de não ter resultados desportivos e, aí sim, não conseguimos vender. Portanto, na minha opinião o projeto para o Vitória tem que ser ao contrário e só pode ser ao contrário se a estratégia financeira tiver como objetivo reduzir muito naquilo que é a estrutura paralela ao futebol. O Vitória tem custos à volta de 30 milhões, que estão divididos em 15 milhões para o futebol e os outros são custos paralelos. São custos de estrutura, de gabinetes, de administração, de pessoal, de logística… Todos estes custos têm de diminuir substancialmente. O nosso projeto é diminuí-los a médio prazo entre os 30 e os 40%, que é o ideal. Portanto, os meus objetivos são fazer uma aposta muito mais forte naquilo que é a equipa, porque o projeto do Vitória é um projeto exclusivamente desportivo e serve para dar alegrias à massa associativa, e ainda diminuir muito os custos dessa estrutura paralela.
- O que achou que estava mal?
- Esta ideia de que a parte desportiva deve sustentar a estrutura financeira. Eu acho que deve ser exatamente ao contrário. O Vitória tem de ser um clube disponível para vender, mas nós não podemos criar uma equipa exclusivamente para vender, porque, se assim for, corremos o risco de não ter resultados desportivos e, aí sim, não conseguimos vender. Portanto, na minha opinião o projeto para o Vitória tem que ser ao contrário e só pode ser ao contrário se a estratégia financeira tiver como objetivo reduzir muito naquilo que é a estrutura paralela ao futebol. O Vitória tem custos à volta de 30 milhões, que estão divididos em 15 milhões para o futebol e os outros custos são custos paralelos. São custos de estrutura, de gabinetes, de administração, de pessoal, de logística… Todos estes custos têm de diminuir substancialmente. O nosso projeto é diminuí-los a médio prazo entre os 30 e os 40%, que é o ideal. Portanto, os meus objetivos são fazer uma aposta muito mais forte naquilo que é a equipa, porque o projeto do Vitória é um projeto exclusivamente desportivo e para dar alegrias à massa associativa, e diminuir muito os custos dessa estrutura paralela.
Se for eleito, uma das primeiras medidas será vender três viaturas.
- Como se propõe a fazer isso objetivamente?
- Reduzir os custos. Eu posso dar um exemplo: o Vitória, a dada altura, só ia para hotéis de cinco estrelas. Eu acho que não há necessidade de ter um gasto tão elevado com hotéis. Outro exemplo paradigmático daquilo que é, na minha humilde opinião, o despesismo: mesmo numa situação difícil do ponto de vista económico-financeiro, há cerca de um ano a administração entendeu adquirir três viaturas de luxo para a administração e gastar dezenas de milhares de euros. Podemos entender que isto é um preciosismo e que não tem impacto, mas é um sinal. E eu quero dar o sinal exatamente contrário e, por isso, reafirmo que, se for eleito, uma das primeiras medidas será vender ou devolver essas três viaturas — eu não preciso de um carro, eu tenho o meu próprio carro. Mas isto é apenas um sinal. Se há dificuldades e se tem de haver rigor, essa noção do rigor tem de vir de cima.
- Como vai funcionar a parceria com a holding norte-americana, que referiu no início?
- Iniciar-se-á com a aquisição de uma parte do capital social do Vitória, que serão os 17% que foram devolvidos pela V Sports ao Vitória.
- E recuperar o diálogo com a V Sports é uma opção?
- Dependerá da V Sports. Nós temos este potencial parceiro, mas eu tenho dito isto de forma repetida: a V Sports já cá está. Se a V Sports fizer uma proposta melhor do que a do investidor, eu não tenho especial interesse em nenhum dos dois. Tenho interesse na melhor proposta para defesa dos interesses do Vitória. Pode, eventualmente, acontecer com a V Sports — coisa que não aconteceu nos últimos três anos. Muita gente fala na V Sports, mas o certo é que a V Sports está completamente suspensa, pelo menos até hoje, nem temos posição nenhuma por parte deles. Mas, se eu ganhar as eleições e estiver em negociações com a holding e depois a V Sports se aproximar e tiver uma proposta melhor, não tenho problema nenhum.
- E a V Sports não pode impor algum entrave à entrada desse investidor?
- Pelo conhecimento que eu tenho da documentação que existe, não. Se existir alguma coisa oculta, só saberei mais à frente, mas as pessoas que estão a dirigir hoje o Vitória nunca nos disseram nada em contrário. Eu não sei exatamente aquilo que eles, entretanto, fizeram. Se há alguma coisa oculta que possa aparecer no futuro que seja um obstáculo a esta alienação das ações ou outra coisa qualquer, teremos que ver na altura, mas acredito que não exista, caso contrário eles já o teriam dito.