Felix Bacher esta a construir proeza rara: é o único de todos os jogadores de campo na Liga que soma todos os minutos em 25/26. Foto: Estoril Praia SAD
Felix Bacher esta a construir proeza rara: é o único de todos os jogadores de campo na Liga que soma todos os minutos em 25/26. Foto: Estoril Praia SAD

Bacher: «Gostava de terminar a época sem minutos por fazer»

No lote de totalistas da atual edição da Liga há um maratonista: Felix Bacher é, entre os jogadores que cumpriram todos os minutos do campeonato, o único que não é guarda-redes

Felix Bacher é um austríaco a jogar em Portugal (em particular no Estoril), algo pouco comum. Começamos a entrevista precisamente por aí...

Porque escolheu o nosso país para desenvolver a sua carreira?

Primeiro, porque tive essa oportunidade, e acho que a forma como o futebol é jogado aqui é muito melhor para a minha pessoa, para o meu estilo de jogo, é perfeito, e também algo que queria fazer. Fiquei muito feliz por esta oportunidade me ter sido dada.

Estabeleceu um estatuto próprio na Liga até agora - é o único jogador com todos os minutos neste campeonato até agora que não joga como guarda-redes. O que representa para si?

Deixa-me muito orgulhoso ter conseguido isso até agora e gostava de terminar a época sem deixar nenhum minuto por fazer. Também quero agradecer à minha equipa, à equipa técnica e todos os que me deram a confiança para o conseguir. Estou feliz por não ter perdido um único minuto com uma lesão ou algo assim e ter conseguido isto.

Mas surpreende-o? É algo que já tinha alcançado antes na sua carreira?

Não, não me surpreende ter feito isto, pois coloquei muito trabalho no meu corpo e no meu estilo de vida para o conseguir. É também uma questão de consistência, se olhar para as minhas temporadas anteriores a esta última eu jogava sempre todos os minutos possíveis. Então, sim, agradeço ao meu corpo por consegui-lo.

O seu caso torna-se ainda mais particular se lembrarmos que não começou imediatamente a jogar quando chegou ao Estoril, em 24/25 - apenas em novembro. Esperou três meses para se estrear e tinha um jogo realizado a 1 de dezembro de 2024 e, desde então, nunca parou de jogar. Que importância tiveram esses três meses, em que não estava a jogar?

Diria que foi um tempo mais difícil ou mais duro na minha carreira, mas foi uma das melhores coisas que me poderiam ter acontecido a longo prazo, também para o meu desenvolvimento enquanto pessoa, porque tive de passar por alguns obstáculos mais difíceis.

Aceitei-os como eram, continuei a trabalhar sobre mim mesmo todos os dias, tentando ajudar a equipa com o meu papel, ainda que sem estar a jogar, e contribuir o máximo possível. Sabia que se tivesse a oportunidade de jogar, mostraria a toda a gente o que posso fazer e, sim, felizmente isso aconteceu. Desde então, não fui substituído.

Não me surpreende ter conseguido isto, há muito trabalho no meu corpo e estilo de vida

No total, o Felix contabiliza 51 jogos até agora pelo Estoril, 32 de forma consecutiva e 28 deles na presente época. O que isto diz sobre si? Devemos compará-lo a um carro de confiança? Um 'utilitário' topo de gama?

Poderíamos dizer isso, sim. Comigo, não precisaria de um seguro mais caro (risos). Não, como disse, tento fazer tudo com o meu corpo pronto para competir semana após semana, acho que esse é o meu trabalho como futebolista.

É o mínimo que posso fazer, que posso tentar, ser capaz de estar lá para o treinador, para a equipa, para o clube, fazer os nossos adeptos orgulhosos e também por mim mesmo.

Ainda sonha com o Mundial pela Áustria: «Porque não?»

Tem sido apontado à sua seleção nacional, a Áustria. Acha que está perto de lá chegar? Acredita que a primeira chamada pode ser uma questão de tempo?

Acho que, a nível de qualidade, estou pronto face a toda a minha experiência que adquiri no futebol nos últimos anos e que agora tenho. Estaria pronto em termos de qualidade, mas talvez pelo que respeita ao nome, pelo clube, não estou ainda na seleção por alguns padrões e algumas pessoas não estarem preparadas [para os quebrar], não sei… mas esse também não é o meu foco, ou aquilo em que estou a pensar.

No final do dia, não podemos prever o futuro, temos coisas ativas para fazer e a única coisa que eu posso fazer é, semana por semana, mostrar-me no meu melhor e tentar dar o melhor pelo meu clube. Se isso levar a uma convocatória, então claro que seria mais do que feliz; se não levar, não ficarei triste.

Felix Bacher feliz no Estoril. Foto: Mariana Tenório

Até chegar ao Estoril, fez toda a sua carreira na Áustria e também na Alemanha. Acredito, por isso, que seja fácil de contactar pela federação austríaca e possa ter contacto com pessoas nessa instituição. Sente-se, de alguma forma, seguido pelo seu país?

Para lhe ser honesto, não tive nenhum contacto com a federação. Se algumas pessoas estão em contacto com eles, podem ser os meus agentes, mas não sei. Não gosto de me distrair por fatores externos que podem ou não acontecer pois gosto de ficar no meu espaço, no presente, e trabalhar apenas por mim mesmo.

A Áustria vai estar presente no Mundial 2026 e restam alguns meses para se disputar. Ainda acredita ter chances de lá estar?

Sim, eu acredito sempre que posso ter chances, que pode ser possível, embora ache que após esta pausa [jogos de preparação], ficou menos provável, diria, realisticamente falando. Mas sim, diria que ainda é possível. Porque não?