Aursnes do Bragança foi 'adotado' por José Neto
Francisco Estanga foi o primeiro dos três argentinos do Bragança [ver caixa abaixo] a chegar ao clube, em 2021/22, depois de também ter tido uma primeira (má) experiência no Mirandês, no ano de chegada a Portugal (2019/20), e de, na época seguinte, ter representado o Vilar de Perdizes.
«Cheguei ao Bragança para jogar a médio, a 6 e a 8. Depois, comecei a jogar a extremo. Nesta época, ainda fiz um jogo a lateral e acabei a ponta de lança», explica, recordando a saída daquele que era o único 9 de raiz do plantel, a meio da época. O craque assumiu, destemidamente, a função.
No fundo, «o que importa é jogar, independentemente da posição», diz o argentino. Aursnes do Bragança? «Sim, mais ou menos [risos]», reagiu o polivalente, que alinhou na dianteira até ao último duelo da época, em Leça, sempre na raça, até que… perto do final do encontro, numa «jogada esquisita», rompeu os ligamentos e o menisco lateral. «Foi frustrante», lembra, referindo-se não só ao seu joelho, como ao resultado final que não permitiu a subida de divisão do conjunto bragançano. Ainda assim, o jogador fala numa «época de sonho, em que nem os próprios jogadores acreditavam» que era possível chegar tão longe.
Um gesto que ficará para a vida
Além de jogar, Francisco Estanga trabalha no restaurante O Borralho, cujo proprietário é José Neto. Zé (como é, carinhosamente, tratado) é a «família» que o argentino, até então, não tinha em Portugal e proporcionou-lhe um momento para nunca mais esquecer.
«Na altura do Natal, o Estanga queria ter trazido a mãe a Portugal, mas confessou-me que não tinha dinheiro para lhe pagar a viagem. Notei que andava triste por causa disso e aquilo mexeu comigo…», conta o empresário da restauração, ao nosso jornal.
Passado uns tempos, já com a ideia de pagar o bilhete de avião à mãe do jogador, Zé quis arrebitá-lo, propondo-lhe um desafio: «Antes do jogo com o Vilaverdense [em que o Bragança garantiu a passagem à fase de subida], mandei-lhe mensagem a dizer que, se marcasse e o Bragança ganhasse, pagava o bilhete de avião à mãe.»
Estanga fez o gosto ao pé logo no primeiro remate que fez na vitória (3-0) dos canarinhos sobre os minhotos. «Marquei e a minha preocupação foi encontrar o Zé na bancada, para lhe dedicar o golo», conta. «Já não via a minha mãe há três anos, estava desesperado. Foi uma emoção muito grande quando nos reencontrámos no aeroporto. Ficámos abraçados durante meia-hora», acrescenta.
O atleta, de 27 anos, usufrui agora do colo da mamã para ajudar na recuperação da lesão, que o vai deixar afastado da cancha durante vários meses. Quando a progenitora for embora, uma coisa é garantida: Zé continuará em Bragança para o amparar em todos os momentos...