Paolo Maldini
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Maldini: «Guardiola chegou a esboçar convocatórias de Itália…»

Antigo astro italiano revela detalhes do processo de escolha do novo selecionador e explica demissão do cargo de diretor técnico da federação italiana

Cerca de duas semanas depois da demissão do cargo de diretor técnico da federação italiana, Paolo Maldini falou pela primeira vez publicamente sobre as razões que o levaram a pedir a demissão dias antes de ter sequer assinado contrato. 

O antigo defesa e astro italiano revelou o sonho que tinha de mudar o calcio, com uma revolução necessária depois de Itália ter falhado o apuramento para o Mundial pela terceira vez consecutiva, e que terminou de forma abrupta após um autêntico terramoto a envolver a escolha do selecionador. 

Maldini afirmou que quando foi convidado por Giovanni Malagò para o cargo, o acordo com o homem que viria a ser eleito presidente em relação ao novo selecionador era claro: Maldini escolhia e o presidente avaliava e aprovava. E foi o facto de Malagò ter voltado com a palavra atrás que o fez bater com a porta.

«A nossa ideia passava por promover uma mudança, um jogo mais técnico e ofensivo. Porque em Itália ficámos para trás em muitas coisas. Queríamos que o treino se baseasse não em tática até à exaustão, mas em técnica, jogo individual e mentalidade ofensiva. E queríamos um treinador jovem com experiência na seleção. Tínhamos três nomes: Pirlo, Daniele de Rossi e Fabio Grosso. Três campeões mundiais», explicou.

«O presidente disse-nos que, com base nos acordos que fez com os clubes para ser eleito, não poderíamos recrutar treinadores de clubes da Serie A, por isso De Rossi [Génova] e Grosso [Fiorentina] estavam descartados»

Mantinha-se em cima da mesa a possibilidade de avançar para a contratação de Pirlo, treinador do Dubai United, ainda que Maldini assuma ter sondado dois nomes fortes do mercado internacional: Carlo Ancelotti e Pep Guardiola.

«Liguei ao Carlo, de quem sou muito amigo, e ele respondeu-me que a CBF tinha reafirmado total confiança nele, por isso desejou-nos boa sorte na procura», revela.

Já a opção pelo antigo treinador do Manchester City avançou mais do que com Ancelotti.

«Quanto a Guardiola, é alguém que personifica melhor do que ninguém o jogo técnico e ofensivo. Almoçámos com ele em Barcelona, passámos um dia inteiro com ele, ficou muito tentado e até chegou a desenhar possíveis convocatórias. Estudámos plantéis até aos sub-17!», desvenda, negando ter sido a vertente financeira a impedir o acordo.

«Pediu 20 milhões? De maneira alguma! Pep disse-nos claramente: ‘Dão-me menos um euro do que recebia o último selecionador e está ótimo’. Só que ele sente-se muito cansado, depois de 10 anos muito intensos na Premier League, acabou de ser operado às costas e precisa de descansar. Por tudo isso é que optámos por Pirlo».

Confrontado com o currículo do antigo médio internacional italiano desde que assumiu a função de treinador, sem conseguir sucesso em nenhum dos clubes que treinou, Maldini deu o exemplo… dos últimos dois selecionadores campeões do Mundo.

«Que tipo de currículo tinham Scaloni e De la Fuente? Tecnicamente, quando converso com Pirlo, acho-o extremamente bem preparado. Acompanhado e apoiado por um diretor técnico, ele teria sido o treinador ideal», resume.

Maldini confessa ainda que desconhecia a ligação de Pirlo com a casa de apostas russa, a razão alegada para ter caído a contratação, mas defende que esse foi apenas um pretexto para o presidente puxar para ele a responsabilidade de escolher o selecionador.

«Não sabíamos dessa ligação e ela teve impacto. A opinião pública fez a sua parte, mas legalmente nada existia para impedir a contratação. Se houvesse uma vontade genuína de avançar, as coisas tinham andado. Mas Malagò falou comigo e com Leonardo e disse: ‘Não pode ser o Pirlo, a partir de agora, eu é que escolho’», relata.

«24 horas depois entregámos as nossas cartas de demissão. Se me dão um emprego e uma responsabilidade, eu pretendo cumpri-la. E aquela decisão era inaceitável», aponta, lembrando que lhe tinha sido oferecida autonomia na escolha do selecionador.

Quando a Roberto Mancini, que acabou por ser indicado para o cargo, Maldini diz que apenas não se enquadrava no projeto que tinham delineado para a futuro do futebol italiano.

«Mal seria se eu não gostasse de Mancini! Simplesmente, tínhamos uma ideia diferente. Claro que Mancini e Conte são excelentes treinadores. Mas queríamos um selecionador jovem», finalizou.

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