Aursnes travou muitos duelos com Trincão (Foto IMAGO) - Foto: IMAGO

Aursnes abriu as portas, Trubin fechou-as e Rafa escancarou-as (as notas do Benfica)

José Mourinho diz que com o norueguês a música é outra e tem toda a razão. Ucraniano com um momento para mais tarde recordar ao defender o penálti e a entrada do internacional português mesmo ali na fase final do encontro foi crucial para a vitória
O melhor em campo: Aursnes (8)

O norueguês sabe tudo e mais alguma coisa do jogo em termos estratégicos e comprovou-o de novo, como se ainda existissem dúvidas. Mourinho lamentou a ausência do 8 e chegou a dizer que com ele a música é outra e tal deve-se ao facto do escandinavo ter os compassos, saber tocar todos os instrumentos e ainda ter fôlego suficiente para compensar quando algum dos companheiros falha uma 'nota'. Só ficou com a pequena falha de ter cometido penálti sobre Trincão, mas como Trubin defendeu o remate de Luis Suárez acabou por ser um mal menor. E o esquerdino dos leões até se pode 'queixar' do que lhe fez a partir daí, nunca permitindo que se libertasse em demasia. De resto, se para se chegar a uma vitória tem de se abrir várias portas, foi isso mesmo que Aursnes fez. Ah, e desbloqueou na jogada para o segundo golo.

Trubin (8) — Ainda o jogo tinha acabado de despertar e já o ucraniano, embora de forma pouco ortodoxa, tinha feito uma defesa dificuldade a remate de Geny depois da bola ter desviado num companheiro. Ainda titubeou um pouco pelo meio até que teve «aquele momento para mais tarde recordar» quando travou o remate de Luis Suárez no penálti. Momento gigante para qualquer guarda-redes ainda para mais num dérbi que é sempre eterno. Portanto, se Aursnes abriu várias portas, Trubin fechou-as.

Dedic (5) — Não teve a propensão ofensiva de outros encontros o que se percebe porque Mourinho tentou ao máximo bloquear o lado esquerdo do ataque leonino, uma vez que se Pote tem estado desinspirado, Maxi Araújo é sempre uma mota de alta cilindrada. No lance do golo do Sporting, distraiu-se com Morita e o japonês marcou.

 Tomás Araújo (6) — Para quem esteve algum tempo parado devido a lesão muscular não se notou por aí além e até teve um corte fantástico a uma incursão de Luis Suárez (66’). É, de longe, o central mais rápido dos encarnados e o jeito que isso dá frente a uma equipa que aposta muito nas diagonais curtas para ganhar amplitude em espaço reduzido.4

Otamendi (7) — Foi o primeiro a deixar os adeptos do Benfica com o grito de golo prestes a sair das gargantas (8’) quando num remate de cabeça muito bem colocado obrigou Rui Silva a uma enormíssima defesa. Isto foi no ataque, e cá atrás foi gigante. Por esta hora, Luis Suárez ainda estará a tentar sair-lhe do bolso. E convém não esquecer que é dele o cabeceamento que levou Morita a cometer penálti.4

Dahl (6) Geny Catamo decidiu na fase inicial da partida deixar a cabeça do sueco em água mas até ao intervalo foi-se recompondo. Sem nunca atingir uma bitola muito elevada, fez um jogo de menos a mais.

Richard Ríos (6) — Muito rotativo a meio-campo mas continua a denotar dificuldades quando os jogos estão mais fechados. Quando este se abriu, já na fase final, foi como se tivesse recebido um cheque de milhões. Com o campo com as  vistas mais alargadas, participou na jogada do segundo golo.

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Prestianni (6) — Muito dinâmico, sobretudo na primeira parte, começando na direita mas em algumas ocasiões derivando ao flanco contrário para desbloquear a defesa contrária. E no processo defensivo deu uma boa ajuda.

Leandro Barreiro (6) — Importante na primeira fase de pressão à construção do adversário, obrigando sobretudo Gonçalo Inácio a falhar muitos passes. Parece ter quatro pulmões mas a avaliação fica um pouquinho mais baixa porque falhou um golo cantado (82’) a passe de Lukebakio. Porém, ainda deu contributo para o segundo golo.

Schjelderup (8) — Frieza nórdica na conversão da grande penalidade quando o momento estava efervescente. Sempre em altíssima rotação, ainda assinou um cruzamento que por pouco não redundou em autogolo de Diomande (31’) e já na segunda parte poderia ter colocado a vantagem encarnada num mais confortável 2-0 quando fez enorme sprint e rematou cruzado (52’) mas Rui Silva fez uma parada fantástica e o impediu de festejar outra vez. Ainda executou mais um remate perigoso, antes de sair completamente esgotado, percebendo-se perfeitamente porquê.

Ivanovic (6) — Sem qualquer margem para dúvida que foi a grande surpresa preparada por Mourinho para o onze, na sequência do mau momento de Pavlidis. O croata, como se diz na gíria, é um armário, mas com rodas porque tem mobilidade. Não se furta ao choque e salta sempre da pressão à primeira linha de construção contrária. Não dispôs de grandes oportunidades de marcar mas nunca se resignou.

Pavlidis (6) — A seca de golos resultou numa ida para o banco mas quando entrou em campo ainda deu de beber à águia ao participar no lance do segundo golo. Pouco? Muito? O suficiente.

Lukebakio (6) — O belga tem uma forma demasiado individual de abordar o jogo mas a verdade é que despertou um ataque que estava algo amorfo. Pela frente teve o raçudo Maxi Araújo mas não se escondeu.

 Rafa (8) — Andavam muitos benfiquistas a mal dizer da contratação do extremo mas desta vez tiveram de engolir as palavras, pois foi o internacional português que decidiu um jogo que — adiante se verá — poderá ser decisivo para chegar aos milhões da Champions.

António Silva (5) — Controlou bem os movimentos contrários.