Mourinho foi ao banco e acabou a bater no peito (crónica)

Foi um dérbi de confirmações e que permitiu ao Benfica ultrapassar o rival. Leões têm menos um jogo, mas a luta, agora, é pelo segundo lugar, porque as probabilidades jogam todas a favor do dragão.

José Mourinho terminou o dérbi a apontar para as iniciais que traz ao peito e com três pontos que deixam o Benfica à frente do Sporting. Também deixa o FC Porto com maior probabilidade de ser campeão. O leão tem menos um jogo é verdade, mas terá desperdiçado a derradeira ocasião para um tricampeonato sonhado e, agora, tem de fazer contas aos milhões da Champions, aqueles que o segundo lugar dá acesso.

Este dérbi confirmou várias coisas: o treinador do Benfica nunca tinha perdido frente ao Sporting, o Benfica nunca tinha perdido no campeonato e o Sporting marca sempre. Tudo verdade, num jogo em que ambos os lados podem reclamar ocasiões desperdiçadas e superioridade, porque, de facto, ela foi mudando consoante acontecimentos. No final, não deixa de ser uma ironia que Mourinho, tão crítico tem sido do plantel, tenha ido ao banco buscar Lukebakio, Rafa e Pavlidis para refrescar o ataque. As diferenças para o banco leonino foram evidentes e ditaram o resultado.

Pode dizer-se que o golo de Schjelderup 'estragou' o dérbi. Até ao minuto 27, o jogo foi interessante, sem ser daqueles que estava a ficar na memória coletiva. O leão apresentou-se como esperado, o Benfica de forma surpreendente, por uma gestão que Mourinho não tem feito até aqui. A estrutura, porém, era a habitual, e foi o leão quem primeiro assustou, com Trubin a ser obrigado a uma defesa estranha para a barra.

A esse lance seguiu-se outro de Catamo e o Benfica respondeu quase de modo igual. Aliás, leões e águias equivaleram-se em quase tudo até aos 27 minutos. Em remates perigosos e em penáltis. A diferença, claro está, foi que Schjelderup bateu Rui Silva e Trubin 'bateu' Luis Suárez. Em jogo jogado, o empate parecia acertado, mas como a eficácia faz parte do futebol, o Benfica saiu por cima ao intervalo, porque entre os 27 e os 45 o Sporting teve bola, mas não se passou praticamente nada até que Trincão rematou ao lado e mandou todos para o descanso.

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Altura, portanto, para perceber que o Benfica equilibrou os pratos da balança a partir do momento em que Fredrik Aursnes foi titular naquele meio-campo, o que permitiu que Barreiro ajudasse Ivanovic na pressão à defesa leonina para ganhar bola e fazer transição rápida.

O dérbi foi mais dérbi no início do segundo tempo, altura em que Pote atirou ao poste e Schjelderup teve ocasiões para 2-0. Momentos em que não houve controlo do encontro, até que Rui Borges começou as trocas e o Sporting assumiu mais posse, em busca do 1-1. O golo chegou num belíssimo cruzamento de Debast, mas quando se pensava que o leão, campeão em título, se ia atirar ao rival, Mourinho foi ao banco, trouxe um quarteto para campo - António Silva por lesão de Tomás Araújo - e a energia mudou de lado.

Ainda que sem uma superioridade tremenda, o Benfica subiu um patamar. Lukebakio pode só fazer uma coisa, mas a que faz, por norma, faz diferença. Os encarnados cresceram e numa dessas iniciativas o belga deixou Barreiro com vista para o 2-1: o luxemburguês atirou para a bancada.

Rui Borges também percebeu os níveis de desgaste, voltou a fazer trocas e quase era feliz: Bragança rematou ao lado e Nel celebrou um golo que não valeu. Depois, na melhor jogada do encontro, Rafa Silva concluiu para o 2-1, no melhor momento desde que voltou à Luz. Um golo celebrado na bancada vermelha de Alvalade e em todo o Estádio do Dragão.