O Famalicão voltou aos triunfos nos Açores. -Foto: EDUARDO COSTA/LUSA
O Famalicão voltou aos triunfos nos Açores. -Foto: EDUARDO COSTA/LUSA

Atrás de um Pinheiro esteve o Sorriso dos minhotos (crónica)

Lateral (Rodrigo Pinheiro) desequilibrou e serviu o extremo (Sorriso) no golo que retomou o Famalicão aos triunfos, depois de quatro derrotas consecutivas. Reação açoriana morreu nos ferros da baliza. Primeira parte para esquecer

O Famalicão voltou a sorrir na Liga, depois de três derrotas consecutivas, a que se junta mais uma para a Taça de Portugal. Um golo de Sorriso fez a diferença nos Açores, num jogo com duas partes bem distintas e em que a reação final do Santa Clara para evitar o sexto jogo consecutivo sem vencer – cinco na Liga e um na prova rainha – morreu nos descontos nos ferros da baliza dos minhotos.

Quem só assistiu à segunda parte não acreditará que a primeira foi tão má e tão desinteressante… que figurará, certamente, como das piores desta Liga até ao momento. Não houve arte nem engenho para colocar em perigo qualquer uma das balizas, num jogo muito amarrado, com muitos duelos individuais e picardias, com abundância de passes errados mesmo a curta distância, e em que os guarda-redes foram meros espetadores, sem efetuarem qualquer defesa. Os únicos registos são um remate de Gabriel Silva (8’) contra as pernas de Rafa Soares numa transição dos açorianos e num remate em jeito de Gil Dias (44’) que passou ao lado da baliza. Para esquecer.  

Depois passou-se do 8 ao 80. Houve oportunidades, um golo que acabou por fazer a diferença no final e emoção. O Famalicão foi eficaz ao aproveitar uma das ocasiões que construiu para chegar ao golo, e os açorianos voltaram a mostrar dificuldades em colocar a bola dentro da baliza. Constroem, chegam a zonas de finalização, mas a definição não é a melhor e isso reflete-se na escassez de golos que tem apontados nestas 18 jornadas: apenas 14, o terceiro pior ataque da competição.

Da (quase) ausência de notas do primeiro tempo, o bloco encheu-se no segundo. O Santa Clara foi o primeiro a criar perigo, quando Gabriel Batista colocou a bola na frente em Gabriel Silva, que escapou a Bondo em zona frontal e depois caiu em disputa com o lateral e Carevic. O lance foi anulado por posição irregular do avançado, com os açorianos ficaram a pedir grande penalidade.

Dado o mote, a bola andou depois em constante viagem entre as duas áreas, com o Famalicão a desperdiçar por Gustavo Sá (51’) com grande defesa de Gabriel Batista, e aos 61 minutos quando o criativo desperdiçou com a baliza aberta. Mais assertivo foi Sorriso (76’), que foi mais rápido que Welinton Torrão para desviar um passe de morte de Rodrigo Pinheiro e abrir o marcador.

Antes do golo dos minhotos, o Santa Clara já tinha tentado por Klismahn (55’) e Gabriel Silva (61’) e no aperto final para tentar evitar o desaire, Pedro Ferreira (79’) esteve perto num remate de meia distância, assim como Elias Manoel (82’) e Gabriel Silva (90+2’), que encheu o pé de fora da área, com a bola a bater na barra.

A figura do Santa Clara: Gabriel Silva
O avançado foi o mais inconformado dos açorianos, nunca baixando os braços. Foi o mais rematador da sua equipa, mas não teve sorte. A estratégia dos açorianos passou muito por explorar a profundidade e Gabriel Silva. O brasileiro bem tentou, mas a pontaria não esteve afinada, ou então até esteve demais, quando acertou com estrondo na barra nos descontos. Antes, aos 61, atirou ao lado.

As notas dos jogadores do Santa Clara (3x5x2): Gabriel Batista (6), Luís Rocha (6), Frederico Venâncio (5), Henrique Silva (5), Lucas Soares (6), Serginho (5), Adriano Firmino (5), Klismahn (6), Paulo Victor (5), Gabriel Silva (6), Vinícius Lopes (5), Brenner Lucas (5), Pedro Ferreira (6), Diogo Calila (5), Welinton Torrão (4) e Elias Manoel (-)

O melhor em campo: Sorriso (Famalicão)
O extremo brasileiro voltou aos golos e em boa hora, garantindo os três pontos. Um facto que por si só é distintivo para a escolha do melhor, contudo o extremo de 24 anos esteve muito ativo nas manobras ofensivas dos minhotos, procurando furar na esquerda. No golo, foi mais rápido que Welinton Torrão na leitura e no ataque à bola, para desviar com um remate de cima para baixo.

As notas dos jogadores do Famalicão (4x2x3x1): Carevic (6), Rodrigo Pinheiro (6), Justin de Haas (6), Ibrahima Ba (5), Rafa Soares (5), Mathias de Amorim (6), van de Looi (5), Gil Dias (6), Gustavo Sá (6), Sorriso (7), Elisor (5), Pedro Bondo (5), Zabiri (5), Gustavo Garcia (-), Leo Realpe (-) e Pedro Santos (-)

O que disseram os treinadores:

Vasco Matos, treinador do Santa Clara

«Jogo muito disputado. Sabíamos que iriamos defrontar uma equipa com muita qualidade e com jogadores com muita capacidade, mas acho que a minha equipa foi competente, criamos oportunidades. O Famalicão teve mais eficácia e marcou. Na segunda parte tentámos, rematámos, bola ao poste e não conseguimos. O futebol é isto, temos de continuar a trabalhar, levantar a cabeça e dar sequência ao trabalho. Estamos a fazer coisas boas, obviamente temos de melhorar outras, principalmente no último terço, como a eficácia. Voltámos a ter oportunidades, fomos a equipa que mais rematou e mais criou, mas faltou eficácia. Vamos continuar a trabalhar, desenvolver, acreditar no processo e as coisas vão mudar.»

Hugo Oliveira, treinador do Famalicão

«É importante para nós regressar às vitórias, muito alicerçada no nosso trabalho semanal e coletivo e no acreditar numa ideia de jogo, no rigor e disciplina e empurrada pelos adeptos. Chegar aqui, num estádio difícil contra uma equipa muito boa, experiente e muito organizada, com um jogo muito difícil de parar e com condições climatéricas e um relvado difícil, e nós mantivemos a segurança e organização tática e sabíamos que com a nossa ligação íamos acabar por fazer golo. As duas equipas foram muito rigorosas, disciplinadas do ponto de vista tático, sabendo como a relva estava, um escorregar ou um erro individual poderia ditar algo que levasse a um golo, por isso essa organização tática era importante para segurar esses jogos.»